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Por que a pasta /etc/init.d ainda existe se o Systemctl controla tudo?

Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida

Data de Publicação: 21 de junho de 2026

No artigo de ontem, nós abordamos o systemctl e vimos como ele se tornou o painel de controle definitivo do Linux moderno. Se você seguiu o guia, aprendeu que o systemd gerencia tudo através daqueles arquivos limpos de configuração chamados .service.

Mas se você é um explorador curioso do terminal e resolveu dar uma espiada nas entranhas do seu sistema após o texto de ontem, provavelmente topou com um fantasma do passado: a pasta /etc/init.d/.

Se o systemctl ganhou a guerra e controla tudo hoje em dia, por que essa pasta antiga, que era o quartel-general do velho sistema de inicialização SysVinit, ainda está lá, cheia de scripts dentro?

A resposta se resume a dois pilares do ecossistema Linux: compatibilidade retroativa e portabilidade. Vamos entender por que o Linux não joga essa pasta no lixo.

1. O "Tradutor" Invisível do Systemd (A principal razão)

Os criadores do systemd sabiam que não podiam simplesmente quebrar o mundo Linux do dia para a noite. Existem milhares de softwares comerciais antigos, sistemas legados e scripts corporativos que foram escritos anos atrás baseados no modelo /etc/init.d/.

Para evitar que esses programas parassem de funcionar, o systemd foi projetado com uma engenharia de compatibilidade fantástica:

  1. Quando você digita sudo systemctl start meu-app, o sistema procura por um arquivo moderno chamado meu-app.service.
  2. Se ele não encontrar, o systemd não joga a toalha. Ele imediatamente corre até a pasta /etc/init.d/ para ver se existe um script em Bash antigo com esse nome.
  3. Se o script estiver lá, um componente do sistema chamado systemd-sysv-generator entra em ação. Ele lê aquele script antigo, o traduz em tempo real e o executa como se fosse um serviço moderno.

Ou seja, a pasta /etc/init.d/ funciona hoje como uma rede de segurança para que nenhum software antigo quebre no seu servidor atual.

2. Portabilidade: O Linux além do Systemd

Embora o systemd seja o padrão absoluto nas distribuições mais famosas (como Ubuntu, Debian, Fedora, RedHat e Arch), ele não é o único sistema de inicialização do mundo.

Distribuições focadas em minimalismo extremo, segurança estrita ou sistemas embarcados (como o Alpine Linux, Void Linux ou Gentoo) utilizam alternativas mais leves, como o OpenRC ou o runit.

Muitos desenvolvedores de software mantêm o script tradicional dentro de /etc/init.d/ porque um script em Bash puro roda em qualquer distribuição Linux do planeta, independente de ela usar o systemd ou não. É uma forma de garantir que o programa seja universal.

3. O que acontece se você rodar um comando lá dentro hoje?

Se você abrir a sua pasta /etc/init.d/ agora e tentar executar um comando à moda antiga, como:

$ sudo /etc/init.d/ssh start

O sistema não vai quebrar, mas você também não estará rodando o script do passado. O que acontece ali é um verdadeiro golpe de mestre do Linux.

Embora esses arquivos ainda sejam scripts em Bash de verdade, as primeiras linhas deles carregam uma biblioteca de funções do sistema. Essa biblioteca faz uma pergunta rápida nos bastidores: "O systemd está ativo?".

Como a resposta hoje em dia é sempre "sim", o próprio script interrompe a sua execução original e intercepta a sua digitação. Por baixo dos panos, ele secretamente redireciona tudo e executa o comando moderno que aprendemos ontem:

$ sudo systemctl start ssh.service

Ou seja, mesmo que você tente usar o passado, o Linux te empurra suavemente de volta para o presente.

Conclusão: A Filosofia Linux da Resiliência

A pasta /etc/init.d/ é o equivalente Linux daquela entrada de cabo antiga que você ainda tem na sua TV: você pode até usar HDMI ou Wi-Fi no seu dia a dia, mas a entrada antiga continua lá para garantir que, se você precisar ligar um aparelho de 10 anos atrás, você não fique na mão.

É essa obsessão por estabilidade e retrocompatibilidade que faz do Linux o sistema operacional mais confiável do mundo para rodar servidores e aplicações de grande porte.



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