Regulamentar a informática? Parte 1
Por Rubens Queiroz de Almeida
Data de Publicação: 19 de Abril de 2008
Recentemente a coluna Linha de Data, publicou o artigo Regulamentar a Informática?, em que comentava um projeto de lei do senador Expedito Júnior, que tem por objetivo regulamentar a profissão de informática.
Foi impressionante constatar a polarização existente sobre esta questão. As opiniões contra e a favor do projeto de regulamentação se alternavam com regularidade. Impressionante também foi o número de comentários, 121 até o dia 19 de abril. Sem sombra de dúvida, foi o artigo mais comentado de toda a história da Dicas-L.
Eu não pretendo discutir aqui este assunto, mesmo porque o Paulino apresentou seus argumentos de forma irrepreensível e os comentários completaram de forma admirável os dois pontos de vista, contra e a favor. Mesmo que eu quisesse comentar, o meu ponto de vista é inegavelmente tendencioso, pois eu também não possuo formação na área de informática, sou engenheiro eletricista.
Mas toda esta discussão me trouxe à mente diversas histórias, que pretendo apresentar nesta coluna nas próximas semanas.
A primeira delas, que me veio de imediato à cabeça quando li o primeiro artigo, é uma historinha muito curta, escrita por Isaac Asimov, chamada The Immortal Bard.
Nesta história, o Dr. Phineas Welch, em uma conversa em um bar com Scott Robertson, um professor de inglês, se vangloria de poder trazer do passado personalidades ilustres como Arquimedes, Newton, Galileu, e até Shakespeare. Shakespeare é matriculado por Welch, sob um pseudônimo, em um curso noturno ministrado pelo Prof. Scott Robertson, sobre as peças de Shakespeare. Robertson fica desconfortável com a idéia de ter Shakespeare em uma de suas salas de aula e recorda-se, de fato, de um sujeito baixinho, careca, com um bigode horroroso e um sotaque estranho. Welch se irrita ao lembrar que Shakespeare teve que ser mandado de volta para sua época, pois Robertson o havia reprovado em seu curso.
Tem também duas crônicas do Mário Prata, que achei com a ajuda do Google: Da Importância do Diploma (o título já diz tudo) e O que é isso, Ministro Paulo Renato, em que o autor se sente orgulhoso por uma de suas crônicas ter sido escolhida como tema do vestibular, com oito questões. Ele, o autor da crônica, errou as oito :-)
Graças ao Google, consegui localizar a história do Isaac Asimov, na íntegra, no original em inglês, que reproduzo a seguir.
THE IMMORTAL BARD
by Isaac Asimov
"Oh, yes," said Dr. Phineas Welch, "I can bring back the spirits of the illustrious dead."
He was a little drunk, or maybe he wouldn't have said it. Of course, it was perfectly all right to get a little drunk at the annual Christmas party.
Scott Robertson, the school's young English instructor, adjusted his glasses and looked to right and left to see if they were overheard. "Really, Dr. Welch."
"I mean it. And not just the spirits. I bring back the bodies, too."
"I wouldn't have said it were possible," said Robertson primly.
"Why not? A simple matter of temporal transference."
"You mean time travel? But that's quite-uh-unusual."
"Not if you know how."
"Well, how, Dr. Welch?"
"Think I'm going to tell you?" asked the physicist gravely. He looked vaguely about for another drink and didn't find any. He said, "I brought quite a few back. Archimedes, Newton, Galileo. Poor fellows."
"Didn't they like it here? I should think they'd have been fascinated by our modern science," said Robertson. He was beginning to enjoy the coversation.
"Oh, they were. They were. Especially Archimedes. I thought he'd go mad with joy at first after I explained a little of it in some Greek I'd boned up on, but no-no-"
"What was wrong?"
"Just a different culture. They couldn't get used to our way of life. They got terribly lonely and frightened. I had to send them back."
"That's too bad."
"Yes. Great minds, but not flexible minds. Not universal. So I tried Shakespeare."
"What?" yelled Robertson. This was getting closer to home.
"Don't yell, my boy," said Welch. "It's bad manners."
"Did you say you brought back Shakespeare?"
"I did. I needed someone with a universal mind; someone who knew people well enough to be able to live with them centuries way from his own time. Shakespeare was the man. I've got his signature. As a memento, you know."
"On you?" asked Robertson, eyes bugging.
"Right here." Welch fumbled in one vest pocket after another. "Ah, here it is."
A little piece of pasteboard was passed to the instructor. On one side it said: "L. Klein & Sons, Wholesale Hardware." On the other side, in straggly script, was written, "Willm Shakesper."
A wild surmise filled Robertson. "What did he look like?"
"Not like his pictures. Bald and an ugly mustache. He spoke in a thick brogue. Of course, I did my best to please him with our times. I told him we thought highly of his plays and still put them on the boards. In fact, I said we thought they were the greatest pieces of literature in the English language, maybe in any language."
"Good. Good," said Robertson breathlessly.
"I said people had written volumes of commentaries on his plays. Naturally he wanted to see one and I got one for him from the library."
"And?"
"Oh, he was fascinated. Of course, he had trouble with the current idioms and references to events since 1600, but I helped out. Poor fellow. I don't think he ever expected such treatment. He kept saying, 'God ha' mercy! What cannot be racked from words in five centuries? One could wring, methinks, a flood from a damp clout!'"
"He wouldn't say that."
"Why not? He wrote his plays as quickly as he could. He said he had to on account of the deadlines. He wrote Hamlet in less than six months. The plot was an old one. He just polished it up."
"That's all they do to a telescope mirror. Just polish it up," said the English instructor indignantly.
The physicist disregarded him. He made out an untouched cocktail on the bar some feet away and sidled toward it. "I told the immortal bard that we even gave college courses in Shakespeare."
"I give one."
"I know. I enrolled him in your evening extension course. I never saw a man so eager to find out what posterity thought of him as poor Bill was. He worked hard at it."
"You enrolled William Shakespeare in my course?" mumbled Robertson. Even as an alcholic fantasy, the thought staggered him. And was it an alcoholic fantasy? He was beginning to recall a bald man with a queer way of talking....
"Not under his real name, of course," said Dr. Welch. "Never mind what he went under. It was a mistake, that's all. A big mistake. Poor fellow." He had the cocktail now and shook his head at it.
"Why was it a mistake? What happened?"
"I had to send him back to 1600," roared Welch indignantly. "How much humiliation do you think a man can stand?"
"What humiliation are you talking about?"
Dr. Welch tossed off the cocktail. "Why, you poor simpleton, you flunked him."
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Opinião dos Leitores
16 Dez 2008, 16:40
E não só da Informática, mas também são contra a regulamentação da Matemática, da Física, etc.
Vejam por exemplo,
http://zeluisbraga.wordpress.com/2008/07/27/conselho-federal-de-matematica/
e depois vejam a biografia do Sr José Luis Braga:
http://www.dpi.ufv.br/pessoas_professores.php
Outra coisa muito engraçada é ver a "luta" e a "força" que estes cidadãos fazem pra DESregulamentar A SUA área...
Evidentemente, algumas áreas do conhecimento vivem tão "dentro" de outras, que seria complicado demarcar limites - por exemplo, urologia x medicina, arquitetura x engenharia, etc.
Mas daí a colocar a Informática nesse rol, carece de fundamentação.
Por isso, enquanto existirem profissões regulamentadas (e muito) no Brasil, sou a favor da regulamentação da minha profissão sim, e daí?
Quer dizer que enquanto um monte de gente se dá esse privilégio e *garante, geração após geração, que ele permaneça intocável*, nós da Informática é que temos que ser "bonzinhos", pensar no Brasil, perceber a ubiqüidade da área?
E os outros, hein?
26 Abr 2008, 17:56
22 Abr 2008, 11:40
Sou formado em sistemas e informação e também técnico do extinto processamento de dados... mas gostaria de dizer que na minha humilde opinião precisamos de uma "qualificação" formal, seja por meio de conselhos ou qualquer orgão que possa atender e compreender o universo de pessoas formadas nesta área.
Pq isto ? simples... uma questão de organização nos processos e padrões tendo em vista inúmeras solicitações de pessoas credenciadas para "responder" junto ao projeto ou seja lá qual for o enfoque do objetivo em questão.
Por ser um área ainda muito jovem e diferente de uma engenharia que beira lá seus milhares de anos, temos que entender que este processo já está fazendo parte de um todo chamado Qualidade Total, o qual se integra inteiramente no aspecto do desenvolvimento dos processos das organizações.
21 Abr 2008, 18:08
Quem pode dizer que isso não é informática? Quem também pode dizer que, hoje, informática é uma área e não um jeito de se fazer as coisas?
21 Abr 2008, 10:26
Comentando à respeito de "Regulamentar a informática", gostaria de expor um pequeno fato acontecido, ainda este ano, comigo e amigos de profissão (engenheiria civil).
Discutíamos sobre as exigências técnicas, contidas em edital de licitação para construção de um prédio público.
Como havia, dentre os demais serviços a ser executados, a execução de instalações de rede de computadores, com fornecimento de materiais, inclusive equipamentos como switch, modems, etc., era exigido no edital, comprovação de acervo técnico em nome da empresa e do responsável técnico da mesma, sendo que este responsável técnico deveria ser um profissional registrado no CREA, assim como todo o acervo técnico apresentado pelo memsmo.
Ora, dizia eu no referido debate, não existe este profissional regulamentado, quanto mais inscrito no CREA. Nem o CREA define este escopo (informática) em suas atribuições (Engenheiros).
Então, o que normalmente se faz, é Apresentar engenheiros eletrônicos e/ou eletricistas como responsável técnico com seu acervo de execução destes serviços em outras obras. Observo que as Comissões de Licitações, até agora têm aceitado estes procedimentos, o que julgo insatisfatório, pois a atividade não é assunto de disciplinas destas engenharias. Existe A Engenharia de Computação, mas a mesma não faz parte das atividades previstas no escopo do CREA.
Este comentário não é para estabelecer nenhuma conclusão, assim como eu e meus amigos também não chegamos, apenas concordamos que algo está errado.
20 Abr 2008, 16:37
20 Abr 2008, 01:04
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