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Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
Data de Publicação: 17 de outubro de 2026
Quando falamos em segurança no Linux, normalmente pensamos em usuários, grupos, permissões de arquivos, SELinux, AppArmor, namespaces e contêineres. O Landlock acrescenta uma possibilidade interessante a esse conjunto: permitir que um processo restrinja a si próprio e aos processos que ele criar.
Disponível no kernel Linux desde a versão 5.13, o Landlock integra a infraestrutura Linux Security Modules, conhecida como LSM. Ele permite que uma aplicação estabeleça uma espécie de sandbox, definindo quais arquivos, diretórios e outros recursos poderá acessar durante sua execução. Versões mais recentes do recurso também ampliaram as possibilidades de controle sobre determinadas operações de rede e comunicação entre processos.
Um aspecto particularmente importante é que essas restrições podem ser aplicadas por processos sem privilégios administrativos. Um programa pode iniciar com as permissões normais do usuário e, depois de acessar os recursos necessários, limitar voluntariamente o que será capaz de fazer. As restrições também são herdadas pelos processos filhos e não podem ser simplesmente removidas pelo próprio programa.
Imagine um conversor de documentos que precise ler arquivos de uma pasta e gravar os resultados em outra. Com o Landlock, ele pode ser impedido de explorar o restante do diretório pessoal do usuário. Se uma falha de segurança for descoberta nessa aplicação, o alcance de um possível ataque será consideravelmente reduzido.
O Landlock complementa os mecanismos tradicionais de segurança do Linux. As permissões convencionais continuam válidas, assim como as políticas do SELinux ou AppArmor. Cada camada reduz uma parte diferente do risco, seguindo o princípio conhecido como defesa em profundidade.
É importante observar que Landlock não é propriamente um único comando. Ele é uma interface de segurança oferecida pelo kernel, que pode ser incorporada a aplicações, bibliotecas e ferramentas de linha de comando. Para o usuário, seu funcionamento muitas vezes será quase invisível, pois o próprio programa poderá ativar a sandbox antes de realizar uma tarefa potencialmente arriscada.
Entre as aplicações possíveis estão navegadores, gerenciadores de pacotes, ferramentas de compilação, conversores de arquivos, programas que processam conteúdo recebido da internet e serviços que precisam acessar apenas uma pequena parte do sistema de arquivos.
O Landlock representa uma evolução importante na segurança do Linux: cada aplicação pode colaborar ativamente para limitar seu próprio alcance. Mesmo quando um programa apresenta uma vulnerabilidade, a sandbox pode impedir que a falha ofereça acesso irrestrito ao restante do sistema.