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Poucos programas tiveram um impacto tão profundo na engenharia de software quanto o Git. Hoje ele é utilizado por praticamente todas as empresas de tecnologia do mundo, desde pequenas startups até gigantes como Google, Microsoft, Amazon e Meta. Milhões de desenvolvedores executam diariamente comandos como "git clone", "git commit" e "git push" quase sem pensar. O que muitos desconhecem é que o Git nasceu de uma crise e foi desenvolvido por Linus Torvalds em poucas semanas para resolver um problema extremamente específico.
Durante muitos anos, o desenvolvimento do kernel Linux foi coordenado de maneira relativamente simples. Os colaboradores enviavam suas alterações por e-mail, e Linus analisava cada contribuição antes de incorporá-la ao código-fonte. Esse processo funcionava bem enquanto o projeto possuía poucas dezenas de desenvolvedores, mas tornou-se cada vez mais difícil à medida que milhares de pessoas passaram a contribuir com o kernel.
No início dos anos 2000, a comunidade decidiu utilizar um sistema de controle de versões chamado BitKeeper. Na época, ele era uma ferramenta bastante avançada e resolvia muitos problemas que os sistemas livres disponíveis ainda não conseguiam enfrentar. Embora fosse um software proprietário, a empresa responsável permitia que os desenvolvedores do Linux o utilizassem gratuitamente, desde que respeitassem algumas condições de uso.
Durante alguns anos, essa parceria funcionou muito bem, entretanto, em 2005, a relação entre a comunidade Linux e a empresa responsável pelo BitKeeper chegou ao fim. As divergências sobre a engenharia reversa de alguns protocolos e as condições de licenciamento fizeram com que a licença gratuita fosse revogada. De uma hora para outra, o maior projeto colaborativo de software do mundo perdeu a ferramenta que utilizava para coordenar milhares de contribuições.