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Considerações sobre a complexidade da atividade logística

Por Jefferson Wanderley dos Santos

Data de Publicação: 11 de Junho de 2019

A atividade logística pressupõe a articulação, a conexão e a coordenação d muitos atores e fatores distintos.

Transformar um insumo em um bem ou em um serviço e entregá-lo a um cliente finalístico requer a avaliação antecipada dos cenários internos de uma organização e externos do macroambiente. Essa avaliação, necessariamente, abraça as competências e óbices que os fornecedores, transportadores, operadores logísticos, produtores, distribuidores e varejistas possuem e enfrentam para entregar um bem ou os insumos para um serviço que será provido a um cliente finalístico.

Inserem-se nessa formidável cadeia de valor logística os fatores que denomino Fatores Econômicos de Produtividade (FEP). Eles são básicos e essenciais para a atividade não só de produção ou logística, bem como toda e qualquer atividade econômica funcionar a contento. São eles:

  • O provimento adequado e regular de energia elétrica;
  • A multiplicidade e a diversidade de modais de transporte;
  • A mobilidade urbana e rural;
  • A qualidade do saneamento básico sobretudo em períodos de chuvas que provocam alagamentos dificultando a mobilidade urbana, contaminando lençóis freáticos e a resistência do solo;
  • A capacidade e a abrangência e a sustentabilidade dos sinais e das emissões dos aparatos (hardwares, softwares, periféricos, amplificadores, antenas etc.) de telecomunicações;
  • A segurança pública cuja falta de investimentos fragiliza e compromete a segurança da mobilidade, dos modais de transportes, funcionários, clientes, cargas, caminhões, depósitos, fábricas, armazéns distribuidores e demais instalações pertinentes ao complexo de operações logísticas; e
  • A qualidade laboral da mão de obra empregada, sejam funcionários, terceirizados ou eventuais contratados para uma empreitada específica. A comprovada baixa qualidade de formação técnico científica tem se evidenciado em problemas de produtividade, retrabalho e acidentes de trabalho, acometendo riscos de perdas, reposição, destratos, interdições e danos à imagem e à credibilidade da empresa.

Para melhor se aquilatar a importância dos FEP acima descritos, há que se considerar extenso caminho que um insumo que irá se transformar em um bem ou em um serviço percorre antes de atender a uma demanda específica de um cliente. Via de regra o insumo sai das instalações físicas de um fornecedor, é transportado por um modal de transporte (ou uma combinação de modais: rodoviário-aéreo; ferroviário-marítimo; rodoviário-fluvial, ou ferroviário-dutoviário), chega a uma instalação de transformação (fábrica, montadoras, etc.), dali prossegue para um Centro de Distribuição (CD), depois para as instalações de um varejista e, por fim, até a residência ou local de trabalho do cliente finalístico.

O caminho acima percorrido necessariamente pressupõe uma formidável e eficiente interconexão de funcionários muito bem preparados e treinados, estandes, baias e núcleos de produção, equipamentos e veículos para retirada e entrega de insumos e produtos finalizados, equipamentos e softwares para registros, acompanhamento e emissões de documentos de controle pertinentes, aparatos de telecomunicação para acompanhamento e informação de posição de insumos ou de produtos acabados dentre outras etapas.

O operador logístico, diante desse fabuloso e complexo cenário precisa atuar como um verdadeiro "maestro" posto que cada componente, ator e fatores precisam estar operando em harmonia para se diminuir, ao máximo, custos desnecessários com perdas, devoluções, atrasos, descumprimentos de prazos, segurança de operações etc.

Portanto, alinho de forma breve algumas poucas competências que o gestor de logística precisa desenvolver e aplicar para lograr êxito em sua atividade:

  • Conhecimento do negócio de sua empresa, dos fornecedores, dos terceirizados e das empresas que darão suporte ao fluxo do "supply chain". Por decorrência, também deve se manter atualizado acerca de legislações (âmbitos federal, estadual e municipal), diretrizes organizacionais, normas internas, requisitos impositivos de agências reguladoras e órgãos públicos (Bombeiros, CREA, Sec Transportes, Sec Trabalho, Seg Segurança etc.);
  • Capacidade de Comunicação e difusão de todas alterações ou atualizações legislativas, critérios estabelecidos por clientes
  • Articulação para conhecer e considerar as competências e óbices enfrentados pelos setores internos da organização, fornecedores, terceirizados e empresas de suporte ao fluxo logístico;
  • Coordenação eficiente das ações entre os distintos atores microambiente organizacional e do supply chain;
  • Correção oportuna dos problemas ou gargalos ("bottlenecks") e, por fim,
  • Feedback do surgimento, evolução e medidas de correção ou que tenham, com eficiência, dirimido os problemas da atividade tanto administrativas como operacionais que, eventualmente, tenham retardado a entrega do bem ou do serviço ao cliente finalístico.

Mercê de terem sido breves, tais considerações acima são fruto de muitos anos de experiência à frente de atividades logísticas e mediante várias restrições não só operacionais, como também e sobretudo, financeiras (contingenciamento de recursos, dificuldades de acesso a créditos bancários etc.).

Destarte, considere que as atividades de gestão logística impõem constante demandas de preparação e de atualização dos gestores e operadores.

Portanto, mantenha seu portfólio de competências sempre atualizados e boa sorte.

Sobre o autor

Jefferson Wanderley dos Santos atualmente é Professor, Consultor, Palestrante e Facilitador. Foi piloto militar e civil em mais de 15 aeronaves (aviões e helicópteros) de diferentes tipos e piloto offshore (SK-76C) na Líder Aviação. Possui, no total, mais de 5.000 horas de vôo. Possui ampla experiência em Planejamento Institucional com base em Avaliação de Cenários (organizacional e institucional: Brasil e América do Sul) atuando em treinamentos como orientador de diplomatas civis e militares no módulo Peace Operations Executive Seminar do Pearson Peacekeeping Centre no Interamerican Defense College em Washington - DC - USA e no módulo Large Scale Emergencies and Desasters Seminar também no Interamerican Defense College em Washington - DC - USA. Possui ampla experiência em Consultoria para organizações do Comando da Aeronáutica na área de Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Proferiu palestras sobre Gestão de Recursos Humanos na Aeronáutica para militares dos países das três Américas e Caribe no 27º Comitê de Gestão de Recursos Humanos e Ensino em Winnipeg, Manitoba, Canadá.

Proferiu palestras sobre o Brasil e seus cenários social, político e econômicos para diplomatas civis e militares do Interamerican Defense College e National Defense University, ambos na cidade de Washington - DC - USA no ano de 2007; foi coordenador acadêmico no Interamerican Defense College, Washington- USA, 2007 a 2008; foi professor-chefe do Curso de Política e Estratégia Aeroespaciais na Universidade da Força Aérea RJ no ano de 2009; possui ampla experiência em Assessoramento e Avaliação de Processo Decisório para funções de assessoria, chefia e direção de organizações do Comando da Aeronáutica.

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