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Nivelando por onde?

Por Paulino Michelazzo

Data de Publicação: 03 de Abril de 2008

Depois de quinze dias de comentários e mensagens que beiram o fanatismo, retomo o tema da regulamentação com mais alguns pontos passíveis de serem pensados na cama.

Posso classificar as duas últimas semanas que se passaram como muito interessantes e também muito esclarecedoras. Imaginava que o assunto da regulamentação da área de informática era picante mas confesso que não esperava a enxurrada de mensagens eletrônicas que recebi e tampouco a quantidade de acessos ao artigo na Dicas-L. Além disso, o texto foi comentado mais de cem vezes de todas as formas possíveis, variando desde a ignorância sem limites até acréscimos de idéias interessantes ao assunto.

Diante disso não poderia me furtar de retornar ao tema e comentar o que foi dito pelos leitores. Assim preferi aguardar para, em conjunto com outros comentários em outros sites onde o assunto foi abordado, juntar novos inputs ao mesmo e responder tudo de uma vez só. Claro que este artigo não é somente para refutar comentários, mas principalmente trazer à luz do tema alguns pontos que não foram percebidos pela grande maioria dos participantes.

Filinho de papai, sem conhecimento de informática e 40 anos

A Internet é sem sombra de dúvida a mais fácil, mais ágil e mais eficiente forma de saber qualquer coisa sobre qualquer coisa. Desde informações sobre os templos de Angkor no Camboja até os dados pessoais de uma pessoa, tudo é possível dentro da rede. Mas de nada adianta a informação estar disponível; é preciso também saber encontrá-la e principalmente querer encontrá-la. Pelo visto o time da regulamentação não é muito bom em nenhuma destas coisas além de usar técnicas conhecidas desde a Idade da Pedra para subjulgar seus oponentes usando o medo, dúvida e incerteza como armas.

Minha afimação acima advém de comentários onde fui aviltado por alguns que tiraram conclusões sem ao menos pesquisar o mínimo necessário. Dentre elas estão a minha falta de conhecimento de informática, ter meus quarenta anos e ser filinho de papai. Ora, nenhum destes (e outros tantos) comentários são verídicos e poderiam ser facilmente verificados com uma pesquisa no Google ou ainda na própria página inicial da coluna. Pior ainda é ver estes mesmos defensores sem a mínima capacidade de procurar o projeto de lei para comentá-lo mas mesmo assim o idolatram. Com isso fica a certeza que estes são, via de regra, incapazes de debater uma idéia e apresentar seus pontos de vista de forma que seja efetivamente feito um debate em torno de qualquer assunto, o que me traz o medo de ter estes mesmos debatedores como diretores de um conselho, pois fico imaginando o nível de conselheiros que teríamos.

referente a assunto Regulamentar a informática, profissional abilitado e outros açoites ao português (que não é o da padaria)

Não, não me venha com a desculpa que se escreve errado por causa da velocidade de digitação. Erro de digitação é trocar uma letra por outra e não cometer erros crassos de ortografia ou concordância, principalmente quanto quem os comete passou por uma faculdade, é legalmente portador de um diploma universitário e defende que sua profissão seja regulamentada. Não seria o caso do conselho ter também uma prova de português para estes profissionais?

O mínimo que se espera de uma pessoa que estudou durante pelo menos quinze anos de sua vida é que saiba se expressar e conheça o idioma nativo. Tenho que concordar que um analista de sistemas, um cientista da computação, um técnico em processamento de dados ou qualquer outro profissional que trabalha com zeros e uns não possui a obrigação de escrever em português erudito. Mas disto a escrachar o idioma profetizando frases sem contexto e com ortografia digna de riso é no mínimo falta de interesse. Direito a escrever errado tem somente os Demônios da Garoa, o restante não (mais uma vez fico imaginando o nível de conselheiros que teríamos).

Os analistas responsáveis pelas vidas alheias

Teima-se como criança birrenta em traçar um paralelo entre médicos, dentistas ou engenheiros com um analista de sistemas ou profissional de informática, usando para isso a regulamentação da profissão e a responsabilidade sobre vidas alheias. Diante da teimosia me veio ao pensamento algo interessante: quando estava retornando da Ásia em janeiro passado, a viagem entre Dubai e São Paulo foi realizada num aparelho com cerca de 350 pessoas a bordo. Pensando agora sobre o assunto, questiono-me se tanto o piloto quanto o co-piloto faziam parte de algum conselho como o CRPCPA Conselho Regional dos Pilotos e Co-Pilotos de Aviões, afinal eles estavam não somente conduzindo um equipamento de duzentos milhões de dólares, mas também eram responsáveis pela vida de 350 pessoas.

Procurei saber se existe um conselho de pilotos. Não, não existe em nenhum país do mundo mas existem organizações nacionais, regionais, estaduais e até municipais, sendo que todas são organizações não-governamentais que não possuem vínculo com os governos e tampouco obrigam que pilotos se associem as mesmas. Mas então, como é regulada a profissão? Simples: o piloto precisa estudar, ser aprovado em vários testes e ter X horas de vôo para poder pilotar equipamentos que vão desde pequenos Cesnas monomotores até gigantes A380. Esta estrutura não obriga que o piloto seja um especialista em aerodinâmica ou ainda um perito em física. Ele precisa provar que sabe pilotar, só isso (claro que nas provas existem várias questões de cunho científico).

Estas organizações não são excludentes, ao contrário. Elas permitem que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento e que passe nos testes seja um piloto. Não se exclui ninguém da profissão quer seja por diploma, curso superior, profissão anterior ou coisa que o valha. Um exemplo interessante é do famoso ator de hollywood John Travolta que além de seus filmes campeões de bilheteria, também é piloto certificado em diversos aparelhos com mais de cinco mil horas de vôo e foi o primeiro piloto não-beta a levantar um A380 do chão. Alguns podem achar estranho esta faceta do premiado ator, principalmente quando este estudou artes dramáticas e não engenharia. Será que por isso ele não poderia pilotar e ter sob sua tutela 300 pessoas dentro de um avião?

Na contramão deste pensamento vejo a queda do Expresso Tiradentes em São Paulo esta semana e fica o questionamento: onde estava o conselho que não fiscalizou os engenheiros que estúpidamente derrubaram toda aquela montanha de concreto? E se a tragédia tivesse acontecido daqui há dois anos com ele em funcionamento, vinte ônibus em cima e mais algumas centenas de carros embaixo?

O pior equívoco cometido pela maioria dos comentaristas é confundir regulamentação com regulação. Permito-me dizer que a maioria, senão a totalidade daqueles que são contra a regulamentação, não são contra a regulação pois estes inclusive já vivem sob ela. Entretanto aqueles que são a favor da regulamentação, na esmagadora maioria dos casos não sabem qual a sutil diferença entre os dois adjetivos no contexto em que se aplica. O primeiro, a regulamentação, visa não a profissão mas sim criar regras que muitas vezes são anacrônicas para o profissional. Já regular é aquilo que vemos no cotidiano da informática: uma modelagem de dados seguindo padrões pré-estabelecidos, um protocolo que possui regras para seus pacotes trafegarem em uma rede, a tipagem de uma linguagem e assim por diante. Isso regula o que fazemos no dia-a-dia e regulamentar não irá regular a profissão pois tal qual um piloto, o profissional não precisa de um órgão atrelado a um governo para dizer o que ele deve ser. O governo (será que ele?) deveria somente regular a informática em conjunto com outros órgãos mundiais e não enfiar sua colher suja no angú dos outros.

Quem cuida de direitos do profissional não é um conselho, é um sindicato. Isso é tão claro como água cristalina. Sindicatos são responsáveis por defender os direitos de trabalhadores de suas categorias perante qualquer instância. Metalúrgicos não possuem conselho pois a regulação do trabalho é feita mundialmente sob parâmetros já estabelecidos. Metalúrgicos possuem sindicatos que defendem os interesses da categoria no tocante aos seus direitos e deveres. Este é um único exemplo de profissional. Poderiam ser citadas outras centenas mas não existe necessidade aqui. Entretanto, fica a pergunta: você já viu a OAB, CRA, CREA, CRM, CRP ou outro conselho qualquer convocando greve da categoria? Por quê será que não?

Qualificar por meio de um conselho?

Outro ponto interessante que foi levantado é que o conselho traria a qualificação do profissional. Tentando ver pela mesma ótica, não encontro um conselho dos montadores de computadores Dell, HP, Lenovo ou qualquer outro que seja em qualquer país do mundo. Procuro na Malásia e China onde estão estabelecidos os maiores parques de montagem de máquinas e nem mesmo um sindicato para defender os interesses destes trabalhadores quase escravos existe na maioria destes países. Mas mesmo assim estas máquinas continuam a melhorar de qualidade dia após dia, mesmo que a passos de tartaruga. Também tento encontrar o conselho dos metalúrgicos da indústria automotiva do ABC e adjacências e não encontro. Mas da mesma forma que os montadores de hardware, nossos carros saem das fábricas com problemas, mas em número muito menor que há dez anos. Será que quando criado um conselho para estes profissionais, os produtos melhorariam efetivamente pelo fato de todo o montador ter a necessidade de ser engenheiro ou torneiro mecânico ou será que o treinamento constante e efetivo (o qual nenhum conselho é capaz de fornecer) é mais eficiente?

Você não pode fazer software, você é geneticista

A pós-doutora e professora da UFMG Ana Cristina Matte coordena os grupos de estudo do SEMIOFON que resumidamente estuda a semiótica e acústica da fala do português brasileiro. Mas ela juntamente com outros professores de univesidades públicas do Brasil (já que as privadas não fazem pesquisa como já dito pelo dono da Estácio de Sá no Rio de Janeiro), por força deste projeto terão que ficar só na masturbação mental. Explico: a pós-doutora se formou em música pela Unicamp, fez mestrado e doutorado em linguística e finalmente seu pós-doutorado está na área de fonética. Ou seja, nada a ver com informática (ledo engano não?). Mas faça uma visita ao site do SEMIOFON e veja onde está a fonética.

O mesmo irá acontecer com pesquisadores que trabalham com agricultura dentro do famoso Instituto Agronômico de Campinas. Teremos que esquecer pesquisas de citros, de soja, de café, de arroz e outras tantas porque estes profissionais são engenheiros agrônomos e não analistas de sistemas. Fazer software não poderão e, além disso creio que não vão querer pagar para dois conselhos diferentes.

Pior mesmo ficarão os paulistanos que terão agora um analista de sistemas formado na FMIA (Faculdade dos Marreteiros de Informática e Associados) prevendo a meteorologia. Como ele entende de software e não de nuvens, qualquer coisa entre um cirrus e um cumulus será imperceptível e claro, não trará efeitos para a população. Também teremos um abacaxi daqueles para descascar com este projeto já que está em moda a questão do direto eletrônico. O direito é área de advogados, juízes, promotores, procuradores e todos aqueles que cursam uma faculdade de direito. A área eletrônica a que se refere o direito é voltada a informática. Então, como ficamos? O advogado terá que fazer outra faculdade de análise de sistemas porque não poderá falar técnica e juridicamente sobre um software e tampouco fazer qualquer coisa que seja da área de informática ou tecnologia porque não é analista?

Estou exagerando? Pois leia o projeto e verá que não. Mas quem vai fazer o software não é a lingüista, o agrônomo, o meteorologista ou o advogado, mas sim o analista. Sim, é verdade. Mas se qualquer um destes possuir a capacidade para fazê-lo, não será possível pois não é formado na área e além disso o projeto veta o empréstimo do nome do analista para terceiros. E aquele que é de uma destas áreas e empresta seus conhecimentos para área de software, o que faz?

Mais um outro problema. Esqueçamos o OLPC e o Linux em seu kernel 2.4. Um dos principais responsáveis por eles é um garoto que só entrou em faculdade para ministrar palestra ou participar de evento e mesmo assim, por mais incrível que possa parecer, foi contratado por um tal de Nicholas Negroponte para fazer parte da equipe que cria softwares usados em todo o mundo e antes disso teve o aval de um tal de Linus Torvalds para cuidar de um kernel de um sistema operacional que é usado por milhões de pessoas.

Equipes multidiciplinares

Mas o melhor ainda está por vir e será o cenário de Mad Max que iremos participar. Empresas de todo o país não mais poderão criar equipes multidiciplinares para o desenvolvimento de software pois muitas vezes os pares que trabalham nestas equipes não possuem um conselho do lado de lá e muitas vezes também não possuem um curso superior. Mas mesmo que o participante tenha um diploma debaixo do braço, este diploma deverá ser revalidado no país para que ele possa atuar. Mais burocracia, mais entraves e uma reserva de mercado embutida de brinde no projeto. Nem mesmo Mister M faria mágica melhor.

Com linhas de acesso rápidas, tecnologias DSL e 3G e o custo de equipamentos portáteis sendo reduzidos dia-a-dia, o trabalho na área de TI será cada vez mais globalizado e passível de ser realizado de qualquer parte do planeta. Mesmo não tendo sob meu braço manco um diploma, são vários os projetos que já entreguei para clientes na Europa, Ásia e América do Norte. Nunca fui questionado no tocante a minha formação, mas sim tive que apresentar referências sobre meu trabalho para que fosse avaliado e pudesse pegar o job, não importando onde estava. Da mesma forma, aquela que é considerada a melhor universidade da América Latina não procurou saber se a pessoa que iria colocar seu novo website no ar dentro do prazo previsto possuia um diploma de engenharia ou análise, mas procurou alguém que não deixasse a magnífica reitora esperando.

Não se deixe enganar

Um conselho não vai resolver problema de mão-de-obra qualificada. Um conselho não vai resolver problemas de maus profissionais e não irá garantir salários dignos (coisa que nem o mínimo é digno). Nos moldes que o conselho foi pensado, não existe nada em absoluto que separe o joio do trigo. Ao contrário disso, aqueles que não são capazes de enfrentar o instalador de Windows e que saíram da FMIA poderão ser equiparados com aqueles que saem das melhores faculdades do país e lutar lado a lado numa greve do CRI por melhores salários. Um sonho que possivelmente aqueles que são desta nobre universidade oram para todos os deuses que se concretize.

A solução não é um conselho atrelado ao governo ou quiçá uma central sindical. A solução é a organização dos diversos grupos da informática para que criem suas organizações e com elas possam debater o futuro da profissão como um todo. Vejamos os profissionais de Java dentro de seus grupos, as organizações de profissionais de segurança da informação ou ainda aquelas voltadas para os DBA's. Precisamos mais que isso?

O exemplo de fóruns de discussão são muito bons para esta situação. Em um fórum encontram-se pessoas que sabem muito e pessoas que não sabem nada mas mesmo assim lá estão aprendendo, crescendo. Não existe obrigação da associação mas claro que quando uma empresa precisa de um profissional, a busca é iniciada normalmente dentro destes ambientes e suas qualificações são efetivamente usadas como aquilo que separa o bom do mau profissional. Será que um conselho é capaz de trazer esta sinergia para todos e principalmente, separar o que presta do que não presta? Pense a respeito.

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Opinião dos Leitores

Eduardo
28 Abr 2009, 18:53
Quase parei de ler quando vi um parágrafo para debater erros de português (continuei pela curiosidade). Não sei se tinha argumentos para um segundo artigo.

Quando surgem comparações com outras profissões defendendo a regulamentação aparece o 'argumento' onde se sugere que a área de informática é ímpar, portanto não é possível fazer analogias com outras áreas, mas para defender a não regulamentação isso não ocorre.

Me estranha que nenhum profissional da área de direito reclame da regulamentação de sua profissão, onde a reserva de mercado é enorme. Para simples petições é necessário um advogado, mesmo quando a informação necessária para tal ação se encontra fartamente disponível pela internet.

Existir conselhos que somente brigam por dinheiro não é condição para a regulamentação da profissão. A profissão de aeronauta é regulamentada no Brasil.

Conselhos Profissionais não são ruins por natureza. Acompanhei por um tempo o Conselho dos técnicos em radiologia e o trabalho deles pela qualidade dos cursos de formação foi muito bom e surte efeito. Mas tudo que eles precisam saber está disponível na internet, pra que cursos de formação?

A SBC não é contra a regulamentação, é contra a criação de Conselhos, pois haveria choque de representatividade, onde a SBC poderia perder o status que considera que tem.
A SBC tem bastante força política e isso atravanca o processo.

Em novembro de 2008 houve audiência pública feita pelo Congresso Nacional para debater a regulamentação de nossa profissão (http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=80107&codAplicativo=2). Geralmente essas audiências servem para ouvir todos os lados do debate, mas a SBC conseguiu (discretamente) ter mais de um representante na audiência, fazendo parecer que tem mais apoio que tem na verdade.
marco_piracicaba
24 Abr 2008, 00:12
Errata:

O outro artigo é:

"Regulamentar a informática?"
Paulino Michelazzo
23 Abr 2008, 23:28
Enquanto isso, no senado federal:

11/04/2008 SSCLSF - SUBSEC. COORDENAÇÃO LEGISLATIVA DO SENADO
Situação: AGUARDANDO INCLUSÃO ORDEM DO DIA DE REQUERIMENTO
Aguardando inclusão em Ordem do Dia do Requerimento nº 423, de 2008.

10/04/2008 ATA-PLEN - SUBSECRETARIA DE ATA - PLENÁRIO
Leitura do Requerimento n° 423, de 2008, do Senador Jarbas Vasconcelos, em que solicita, nos termos do disposto no art. 101, inciso I do Regimento Interno do Senado Federal, que sobre o PLS n° 607, de 2007, além das comissões constantes do despacho inicial de distribuição, seja ouvida, também, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. À SCLSF, para inclusão do Requerimento lido em Ordem do Dia oportunamente.
marco_piracicaba
23 Abr 2008, 23:10
Por falta de um forte argumento, estes defensores preferem a manutenção da discussão no outro artigo:

"Nivelando por onde?"

Davi Koscianski Vidal
22 Abr 2008, 12:35
E os defensores da regulamentação?
Renato
16 Abr 2008, 22:28
Pessoal,

Permitam-me fazer uma alusão à outras areas citadas, como por exemplo, a área médica.

CRM existe para regulamentar a profissão mas no fim, que o regula é o próprio mercado. Ou voce deixaria um cirurgião plástico renomado operar o seu coração ou cérebro. Ambos estão em dia com seus conselhos mas em ultima instância é o "mercado" que ira definir sua posição e prestigio (que eu acredito, é também um dos objetivos daqueles que defendem a regulamentação).

Da mesma forma, se o conselho ajudasse a melhorar salarios, não teriamos médicos trabalhando 2, 3, 4 turnos ininterruptos para prover o sustento de suas famílias. Mediocres sempre existirão em quaisquer areas, assim como os profissionais de destaque. Acredito piamente que nosso mercado esta suficientemente maduro para se auto regular sem a necessidade de intervenção do governo.

E por ultimo, em relação às provas para o conselho, já antevejo uma profusão de cursos preparatórios para o concurso do CRI... só vai provar que o cara conseguiu estudar para a prova... ou voces acham que seria possivel ter uma prova abrangente o suficiente para cobrir todas as disciplinas de informatica e ainda assim, forte o suficiente para garantir a qualidade deste profissional em toda e qualquer area que ele resolva enveredar no futuro? Na minha opinião essa prova vai identificar o pato: anda, nada e voa, mas anda mal, nada mal e voa mal...

[]s,
Renato.

Wilson Baptista Junior
15 Abr 2008, 21:53
Parabéns, Paulino. Toda a minha vida profissional fui contra a regulamentação desnecessária das profissões. Começando pela de administrador de empresas (sou formado nisso, entre outras coisas). E me lembro quando os Conselhos de Administração investiram contra os profissionais de informática, há muitos anos, tentando obrigar que a profissão de analista de sistema (que era a minha na época)fosse tornada exclusiva dos administradores. Uma bobagem total. E agora, embora conheça e respeito o Azeredo e seja amigo do José Henrique Portugal, que dizem que o inspirou nesse projeto, vejo essa nova tentativa de regulamentação como outra bobagem igual. Mas não vou colocar aqui mais argumentos, você já o fez esplêndidamente. Mais uma vez, parabéns.
Paulino Michelazzo
07 Abr 2008, 11:44
Caro Osmar,

Eu compreendo perfeitamente sua preocupação no tocante a questão da proteção. Traçando um paralelo que creio apresentar com mais clareza a diferença entre um médico e um analista, quando um analista faz um software que controla toda a estrutura aviônica de um aparelho, existem centenas de rotinas que checam e re-checam os sistemas para garantir seu funcionamento. Assim a falha por motivos de software dentro de um avião é simplesmente pífia. Podem acontecer erros de operação do piloto, falhas mecânicas e assim por diante, mas de software, raríssimas. O mesmo acontece no controle de um trem ICE a 300Km/h ou ainda de um freio ABS em qualquer veículo.

Já o médico não possui como checar e re-checar sua cirurgia. Ele corta e se errar, cortou errado. Não existem rotinas que testem se o corte está correto, ao contrário, tem-se que remendar o problema e fazer outro.

Tanto é verdade a afirmação acima que cada vez mais estão sendo usados equipamentos comandados por softwares para serem executadas cirurgias. Tive a oportunidade de ver um equipamento para cirurgia que faz uma pequena incisão no globo ocular comandada por software. Ele não erra, simplesmente isso, o médico sim.

Claro, existem bug's, existem erros de programação. Entretanto desconheço na literatura de acidentes aéreos uma queda ou coisa similar que tenha acontecido por motivo de software mal feito. Conheço dezenas por pilotos ou peças defeituosas mas software...

A proteção legal sempre é executada pelas leis e decidida em um tribunal, independente se o profissional está atrelado a um conselho ou não. Isso não importa efetivamente pois em caso de danos, empresas são acionadas e pessoas são acionadas, não conselhos ou sindicatos. Nosso ordenamento jurídico prevê isso com larga discussão.

Quanto a questão dos conselheiros, sim, pessoalmente tenho medo que existam, como na maioria das agremiações brasileiras aqueles que nada tem a ver com a área e lá estão dirigindo. Se começarmos de cima para baixo, poderemos ver os ministros de nosso país cuja a maioria não tem nenhum conhecimento dentro da área em que atua. Assim, o que esperar de um "conselho" que fatalmente se tornará um celeiro político?

Um abraço e obrigado pelos comentários. Tenha certeza que eles quando realizados neste nível somente engrandecem a discussão.

Saudações
Marcus Vinicius Pavan
07 Abr 2008, 11:29
Concordo com tudo Paulino.

Sorte nossa que temos vozes e mentes lucidas e que nos presenteiam com textos tão bem escritos e claros quanto os seus.

Ótima análise.

Parabéns.
Pedro Segundo
05 Abr 2008, 11:58
Paulino,

Bem interessante esses comentários. Fico pensando sobre até que ponto será programar? Eis uns exemplos da minha dúvida:
1) o Excel com algumas funções extras, pode? fazer um "SE";
2) programas para cálculos matemáticos, científicos, pode? fazer um "loop";
3) programas "de blocos" quase prontos em que a pessoa precisa apenas conectar as funções e geram um programa executável, pode? fazer um "link";
4) fazer uma home-page mais incrementada? e a liberdade de expressão? Nem o conselho de jornalismo conseguiu parar os blogs.

As empresas de bons profissionais pedem certificados ou experiência anterior ou diploma.
Outra, profissionais de informática não só programam (acho que poucos programam) já que há tanto o que fazer.

Acho que a regulamentação reduzirá o campo de trabalho. Acho que as empresas de médio porte vão contratar apenas firmas e programas prontos. Ou pior, será tudo pirata que tem penalidade menor que o exercício ilegal da profissão.

Garantir a segurança da população??? E qual é o impacto de um programa errado?
E quantos médicos foram condenados pelos conselhos?? Nessa história de dengue, quantos foram "medicados" como virose?
Osmar Fernandes de Oliveira Júnior
04 Abr 2008, 13:48
Olá Pessoal,

O assunto é, sem sombra de dúvidas, bastante polêmico.

A iniciativa de Paulino em discutir o tema, rebatendo com argumentos concisos e técnicos alguns dos argumentos levantados pelos adeptos da regulamentação, deve ser louvada e elogiada.

Entretanto, no sentido de contribuir com a discussão, gostaria de considerar outros aspectos decorrentes desta discussão:

1) Proteção ao profissional
Uma das afirmações presentes neste artigo é a de que os direitos do profissional são defendidos por um sindicato, não por um Conselho. Pessoalmente eu concordo com a afirmação, mas por outro lado, estamos desconsiderando o fato de que não apenas o profissional, mas também a sociedade, precisa de proteção. Principalmente, proteção contra o mal profissional. Apesar de correr o risco de ser criticado pela comparação, um médico (ou um engenheiro, advogado, etc.) que cometa infrações no exercício de suas atividades profissionais está sujeito ao julgamento por parte de seu Conselho, podendo ser condenado com penas que variam desde a advertência até a cassação do seu registro profissional. Pergunto: quem protege a sociedade contra o mal profissional de informática? Certamente não será o sindicato.

2) Generalizações
Ao longo da argumentação de Paulino, me causou um certo desconforto a afirmação de que existe um "medo de ter esses mesmos debatedores como diretores de um conselho...", em função das bobagens que alguns adeptos da regulamentação manifestaram. Como todo tema polêmico, muitas pessoas se posicionam contra ou a favor, com argumentos bons e ruins. Ao imaginar que a diretoria de um Conselho seria formada por profissionais, digamos, "extremados", estamos, na verdade, fazendo uma grande generalização. Esse tipo de afirmação me surpreendeu bastante. Quem ficou com medo fui eu... ;-)

No mais, parabéns pela iniciativa em discutir o assunto.

Um cordial abraço,
Osmar Fernandes

Guilherme Ferreira
04 Abr 2008, 12:24
Paulino,

Venho acompanhando seus artigos e posso dizer que concordo com você em gênero, número e grau (como diz meu avô!).

Tudo o que você disse ( alguns acham que você está defendendo sua moral e eu discordo) reflete nada mais do que a ignorância que está inserida profundamente em nossa cultura.

Àqueles que o julgaram sem ao menos conhecer seu perfil e portfólio, certamente nunca tiveram uma visão global - digo de outros países - para ter usar como parâmetro. OK, talvez eles não tiveram a oportunindade, porém poderiam ao menos ser mais informados.

Parabéns pelo artigo e tenha certeza que sou um leitor assíduo e faço questão de divulgar sua coluna.

Um abraço,
Juliano B.
04 Abr 2008, 10:22
Parabéns pelo artigo.
Você atacou de forma brilhante as críticas. Destaque para o esclarecimento dos pontos errados no sofisma "Analista X Médico", que sempre é apresentado pelos defensores da regulamentação.
Acho que agora devemos dar um passo adiante. Vamos montar um abaixo assinado eletrônico CONTRA a regulamentação da nossa profissão?

Obrigado pelo artigo e pelos bons argumentos.
Paulino Michelazzo
04 Abr 2008, 09:53
Alison,

Questiono-me se leu totalmente o texto e mais que isso, o compreendeu. Não tenho necessidade de defesa de minha moral pois esta é feita com meu trabalho diário e não precisaria estar sendo aqui discutida.

Trago à luz do tema vários pontos que contradizem os levantados pela turma da regulamentação, trago idéias de soluções para o tema, trago comparativos sobre situações reais e factíveis. Será mesmo que estou defendendo minha moral ou a moral de todos aqueles que realmente são profissionais? Fica a dúvida...
Alison Souza
04 Abr 2008, 09:39
Infelizmente sua coluna desta semana caiu no erro de defender a sua moral e não tocar no assunto.
É fato que algumas pessoas abusaram da ignorância e falta de respeito. Contudo, estes comentários deveriam ter sido filtrados.
Entendo que perdemos tempo com isso, ao invés de comentarmos e discutirmos a lei, seus benéficios e maléficios.
Diego Takashi Sato
04 Abr 2008, 08:54
Embora tardia, nossa mobilização como partes prejudicadas (e digo não no sentido de profissionais da informática, mas como sociedade civil) se faz, além de justa, necessária. É plausível ponderar sobre as diversas facetas, deturpadas ou dissecadas, do assunto.
Não somente pessoas diretamente ligadas à tecnologia da informação (termo mais amplo e vago, não?) serão prejudicadas, mas toda a ciência e desenvolvimento tecnológico do país. E tudo isto em prol de uma pequena minoria, para aumentar a "burrocracia".
Aspectos relevantes a serem pensados: Existem profissionais suficientes para suprir a necessidade de mercado? Em caso positivo, eles possuem qualificação suficiente para executar as necessidades dos clientes?
Empresas como a Sun e a Microsoft, de renome internacional e tradição na engenharia de software, expedem aos aprovados em suas provas de avaliação de conhecimentos certificados, quer agregam ao profissional algum valor de mercado. Dada a magnitude, as empresas zelam por seus nomes. Porque, então, não são exigidos diplomas e cursos? Porque basta passar na prova pra ser certificado?
É estranho que empresas tradicionais não exijam graduação nas "áreas apadrinhadas pelos engravatados do planalto central", porque isso "despadronizaria" a TI, ou não?
Essas empresas então, devem estar querendo se salvar. A procura por esses diplomas é tão pequena que se forem exigidos mais requisitos ninguém as faria, correto?
Vamos pensar... Há pessoas incompetentes inclusive nesses "cursos abençoados", e há outras tantas expetacularmente competentes que não têm um curso da escolinha de computação comunitária, que adquiriram seus conhecimentos sendo auto-didatas, lendo, comprando livros... enfim, será uma lei sem efeito.
Mas, é sempre necessário levar a discussão em alto nível, rebeldia e balbúrdia levam ao fanatismo insensato, sem argumentos. As pessoas a favor da regulamentação (claro, não generalizadamente) argumentam que eu sou um socialista, que quero a prostituição da informática, que isso e aquilo. Por favor, argumentos reais. O que sou ou deixo de ser é uma mesquinharia, deve-se observar o tema, e saber distinguir a opiniao da pessoa.
Pensem!
Paulino Michelazzo
04 Abr 2008, 06:20
Caro Diego,
Tanto este artigo quanto o artigo anterior foram enviados para o email dos senadores Eduardo Azeredo e Expedito Junior, bem como para o autor inicial do projeto, deputado Eduardo Paes.

Quanto a trajédia, desculpe-me, minha corretora ortográfica não estava disponível no momento e infelizmente passou sem que eu possa editar agora. Herrar é umano não? :-)
Rogério Luíz de Oliveira
04 Abr 2008, 01:08
Engraçado... na faculdade certa vez um coordenador de curso comentou conosco acerca deste projeto e seus benefícios, e da demora em 'regulamentá-lo'...
A opinião dessa pessoa, uma autoridade dum centro universitário, vêm reforçar ainda mais nossa idéia de que não é a faculdade que torna autêntica a competência do profissional, mas sim o seu histórico de vida, o seu portfólio, o seu nome.
Nossos governantes precisam se tocar que Informática é DIFERENTE. As empresas já perceberam isso, desde quando vêm compreendendo o foco estratégico da TI para os negócios. A Informática é dinâmica e sem limitadores, e sendo assim, não se deve inventar projetos 'receita-de-bolo' pra nos acorrentar.

Parabéns ao autor pelo artigo.
Décio A.Alves
04 Abr 2008, 00:48
É engraçado essa mesma gente gente que defende esse projeto maluco, vir reclamar depois de burocracia, e não entende porque ela nunca acaba: sempre tem um cretino que a reinventa. Comece por enterrar este projeto estúpido de uma "reserva" de mercado: isso depois acaba virando reserva de incompetências. E os mesmo bando de alucinaods que a criaram, ficam reclamando de burocracia. Sempre defendi que não são os órgãos públicos que criam a burocracia, mas sim a sanha de um povo *ávido* por burocratizar os processos dos outros, e facilitar somente a si mesmo. Pimenta nos olhos dos outros é sempre um refresco para essa gente.
Diego Takashi Sato
03 Abr 2008, 23:32
Parabéns pelo artigo.
Em linguagem simples, refutou dignamente e explicou o que significa essa "regulamentação". Seria bom que os engomados do planalto central lessem e vissem! Mas infelizmente devemos nos contentar com a mísera revolta.
Há algo que possa ser feito, como o abaixo assinado da Fiesp contra a CPMF?
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Ps.: Em bom vernáculo, "trajédia" se escreve com G! =D
Mario Canto
03 Abr 2008, 23:24
Concordo plenamente com o autor. Já trabalhava como analista antes de me formar e querer comparar o trabalho de análise de sistemas com o do professorzinho de word e proibir a participação de pessoas com conhecimento é matar uma classe inteira. Sobre reconhecimento: já temos o reconhecimento da sociedade não precisamos além dos impostos absurdos pagar uma anuidade que irá para o bolso dos conselheiros ou de algum governante.

Parabéns pelo artigo.
Kirk
03 Abr 2008, 21:41
Conselho só para elitizar a profissão e encher os bolsos dos dirigentes da tal ordem, organização, sindicato, representação ou qualquer coisa.

Parabéns pelo artigo.
Fabio A. O. Costa
03 Abr 2008, 20:38
Não foi mencionado, mas vamos lembrar dos "pós-graduados em TI" que deixam variáveis sujas no meio do código, sessões web sem tratamento, usam pseudo orientação a objetos e outras proezas de TI que são feitas pelos que tem e pelos que não tem "canudo"!
Formação intelectual vem da vontade e esforço de cada um e diploma acadêmico pode ser conseguido dessa forma ou com provas coladas e trabalhos comprados.
O comprometimento e qualidade nenhum papel ajuda a criar.
O bom é que uma boa parte das empresas sabem disso...

Parabéns pelo artigo!
Edson Silva
03 Abr 2008, 18:58
Quem dera esse problema (de criar leis) fosse restrito a essa área de conhecimento. Já temos leis demais, regras demais, reguladores demais. Muitas leis e pouca justiça. Este é o Brasil.
Paulo Magrini
03 Abr 2008, 18:44
Parabéns, palavras esclarecedoras e muito bem colocadas, antes que alguém venha denegrir novamente vossa opinião, pensem a respeito de sua capacidade profissional, lembrem-se também, o EAD está pronto, e é muito fácil e barato se formar um ANALISTA de sistemas hoje em dia...

Agora quanto à oportunidade para o "técnico em informática que ganha 500 pila e tem 7 filhos", será que ele não conhecia camisinha não ?

PS: Vem cá, esqueceu do Bruce Dickinson que é piloto também e veio pro Brasil pilotando o ilustre Edie Flyer, ahhh danado...
Marcos Bezerra
03 Abr 2008, 18:29
Sou de pleno acordo com o autor. Não precisamos de um órgão regulamentador para a profissão. Se ele já existisse talvez muita gente boa nem teria entrado na profissão. Eu mesmo, por exemplo, só agora estou concluindo minha formação superior, vários anos após me tornar programador. E olha que o mérito de eu saber programar corretamente não se deve à faculdade, mas sim ao meu esforço pessoal e à exigência do mercado.
Luiz Gonzaga dos Santos Filho
03 Abr 2008, 17:55
Matou a pau!
Parabéns, e que o artigo seja divulgado!
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