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Brasil: Concursos Públicos exigem ITIL e COBIT

Por José Antonio Milagre

Data de Publicação: 04 de Março de 2009

Engana-se quem pensava que as onerosas certificações de TI (Tecnologia da Informação) eram exigidas apenas no mercado Corporativo e nas grandes Multinacionais. Recentes concursos públicos de nível Federal com editais publicados no Brasil passam a exigir do canditado a áreas específicas, além do imenso conteúdo geral, conhecimentos em boas práticas em Serviços ITIL e em Governança de TI COBIT.

Estão abertas as inscrições para o concurso público do DNIT, Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, vinculado ao Ministério dos Transportes. São duzentas vagas para todo o país, com salários pomposos de R$ 8.300,00. Alguem pode pensar: "Por que alguém que trabalha no DNIT precisará conhecer ITIL ou COBIT?". Se ao leitor a exigência parece soar estranha, não é este o entendimento dos organizadores do Edital: Para os cargos envolvendo Diretoria de Administração e Finanças, Diretoria de Infra-Estrutura Aquaviária, Diretoria de Planejamento e Pesquisa, lá está a exigencia, juntamente com um arcabouço tecnológico de difícil assimilação em anos de experiência:

Gestão dos serviços contratados junto a empresas e fornecedores de soluções de TI: 1 Gerência de projetos: conceitos básicos; processos do PMBOK; gerenciamento da integração; gerenciamento do escopo; gerenciamento do tempo; gerenciamento de custos; gerenciamento de recursos humanos; gerenciamento de riscos; gerenciamento das comunicações; gerenciamento da qualidade; gerenciamento de aquisições. 2 Conceitos de segurança da informação: conceitos básicos; Normas ISO 17799 e 27001; políticas de segurança; análise de vulnerabilidade; plano de continuidade de negócio; procedimentos de segurança; classificação de informações; auditoria e conformidade. 3 Gerenciamento de serviços de TI: fundamentos da ITIL® (Versão 2); ITIL ® - suporte a serviços (versão 2); ITIL ® - entrega de serviços (versão 2); fundamentos de COBIT. 4 Arquitetura e tecnologias de sistemas de informação: conceitos básicos; Workflow e gerenciamento eletrônico de documentos; Arquitetura cliente-servidor; Arquitetura orientada a serviço; Arquitetura distribuída; Arquitetura de grande porte; Datamining; Datawarehouse. 5 Gestão de processos de negócio: modelagem de processos, técnicas de análise de processo; melhoria de processos; integração de processos. 6 Conceito de banco de dados: arquitetura; estrutura; administração. 7 Conceito de rede: noções de arquitetura; noções de estrutura; noções de administração. 8 Indicadores de desempenho: conceito; formulação; análise; Balanced Scorecard (BSC); Matriz SWOT. 9 Conceito de linguagens de programação: noções de Lógica; noções de estrutura de programação; linguagens de Script (Shell, SQL , JCL, BAT, VBS). 10 Qualidade: noções da Norma ISO 9001-2000. 11 Conceito de armazenamento de dados: noções de Rede SAN (Storage Area Network); Switches e Directors Fiber Channel; sistemas de fitoteca; sistemas de armazenamento em disco.

A mesma exigência aparece no concurso aberto pela ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que oferece 140 vagas à R$ 8389,60 cada. Mas aqui é pior: ITIL é exigido para o cargo de analista administrativo com especialidade em informática. Pasmem, analista, sem qualquer função gerencial ou de direção, tendo que conhecer a Biblioteca de boas práticas. A preparação sai mais cara do que um mês de salário, pois não se conhece até o fechamento deste artigo qualquer cursinho preparatório que ofereça ITIL embutido!

Como se não bastasse a necessidade de ser um "rábula" da Informática, bem como a exigência de um conteúdo inalcançável para o tempo oferecido, alguns editais ainda preveem para alguns cargos a necessidade de especialização latu sensu de 360 horas e comprovação de 3 (três) anos em gerência. Tenho uma vontade imensa de falar: "Estes concursos são classificatórios ou, efetivamente, elimatórios?" ou "Quem já está lá dentro, tinha todas estas qualificações ou usou o dinheiro publico para se atualizar?"

É, os "veteranos" devem ter um sentimento de "auto-inutilidade" ao constatarem que mesmo com tais exigências absurdas, muitos são os que conseguem vencê-la. Francamente, eu não teria "moral" para ser superior de um recém-concursado que passou em uma prova de fogo como estas. Infelizmente, moral no Brasil é mais que subjetiva!

Nada contra se exigir "Super-heróis" nos quadros da Administração Publica, mas efetivamente quando vemos alguns profissionais que integram quadros das mais variadas áreas, no Brasil, salvo muitas exceções, sempre nos vem a pergunta em mente: "Nossa, como foi que ele entrou?" e a resposta é sintomática: "Talvez na época dele a prova exigia datilografia básica". Seja como for, deve-se destacar a nossa Maquiavélica, ancestral, biológica e até irracional conduta de dificultar para os outros o que já conseguimos para nós, em um descabido egocentrismo injustificável e inauditável, cujo resultado, em concursos públicos espalhados por este Brasil, lamentavelmente, já estamos cansandos de saber qual é. Não é ?

Mãos à obra, se acabe ou se relacione. E que Deus nos dê força para aceitar o que não podemos mudar.

Informações sobre os concursos citados: http://www.pciconcursos.com.br

Sobre o autor

José Antônio Milagre José Antonio Milagre possui MBA em Gestão de Tecnologia da Informação pela Universidade Anhanguera. É Analista de Segurança e Programador PHP e C, Perito Computacional em São Paulo e Ribeirão Preto, Advogado Especializado em Direito da Tecnologia da Informação pelo IPEC-SP, graduado pela ITE-Bauru, Pós-Graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Faculdade Fênix-SP, com defesa de tese e área de concentração Crimes Eletrônicos, Valor Probatório e o Papel da Computer Forensics, Extensão em Processo Eletrônico pela Universidade Católica de Petrópolis-RJ, Treinamento Oficial Microsoft MCP, Certificação Mobile-Forensics UCLAN-USA/2005, Professor Universitário nos cursos de TI e Direito da Anhanguera Educacional e de Direito e Perícia Eletrônica na Legal Tech em Ribeirão Preto-SP , Professor da Pós-Graduação em Direito Eletrônico pela UNIGRAN, Dourados/MS (Perícia Computacional), Professor da Pós-Graduação em Segurança da Informação do Senac-Sorocaba, Professor da Pós-Graduação em Computação Forense da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Vice-Presidente da Associação Brasileira de Forense Computacional e Presidente da Comissão de Propriedade Intelectual e Segurança da Informação da OAB/SP 21 a . Subsecção, membro do Comitê de Comércio Eletrônico da FECOMERCIO-SP, membro do GU LegislaNet e TI Verde da SUCESU-SP e palestrante convidado SUCESU-ES. Professor Convidado LegalTech, UENP-Jacarezinho, UNESP, FACOL, ITE, FGP, nas áreas de Segurança da Informação, Direito Digital e Repressão à crimes eletrônicos. Co-Autor do Livro "Internet: O Encontro de dois mundos, pela Editora Brasport, ISBN 9788574523705, 2008.


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