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Doutrinando o seu animal interior

Por Fernanda Alves Chaves

Data de Publicação: 24 de Abril de 2008

Nem vem que não tem! Mesmo você querendo dizer que não assiste Tv (pois ela emburrece), e mesmo você falando que é incapaz de sentar-se no sofá nas tardes de domingo para assistir ao Gugu, certamente você já assistiu as Video Cassetadas do Faustão. Não precisa ficar envergonhado, esse é um deslize que todos nós já cometemos. Faz parte.

Entre uma tia gorda se espatifando no chão, um cachorro correndo atrás do rabo e um atleta levando uma bolada no 'playground' sempre tem aquele tiozão que leva um choque ou que toma um susto. Se o tal do tiozão dá um grito de macho, nem tem tanta graça. O bom mesmo é quando ele dá um gritinho estridente, cola o cotovelo na cintura e abana as mãos freneticamente, parecendo um tuiuiu querendo levantar vôo. Aí é gargalhada na certa. O telespectador ri tanto que periga até doer o baço. E, se você nunca riu deste jeito assistindo esses quadros na televisão, lamento muito por você. Que me perdoem os coroinhas e os politicamente corretos, mas rir da desgraça alheia é sempre uma delícia.

Levar um susto, ou um choque é uma situação de stress. Mas pense que, ficar sentado na cabeceira da cama, bebericando uma Fontana Fredda enquanto sua namorada faz um striptease pra você, também é um baita stress.

Ou seja, não interessa se é bom ou ruim, o que precisamos saber é que o stress nada mais é do que o aumento da adrenalida a pontos quase que incontroláveis.

Dentro das organizações, situações de stress são tão comuns que já nem fazemos tanto alarde por isso. Você já parou pra pensar que passamos por situações de stress inúmeras vezes ao dia? Quantas vezes o telefone te interrompe quando você está ultra mega concentrado fazendo aquela fórmula gigantesca na planilha eletrônica? Quantas vezes você tem que explicar ao seu chefe que seu horário de almoço é 1h30 e não 1h? Como você fica quando demitem seu melhor colega de trabalho para contratar duas estagiárias lerdinhas (e gostosas)? Isso é tudo stress, stress, stress.....

Bem, mas o que eu queria falar pra vocês hoje não é sobre stress. Eu vim pra falar sobre os comportamentos instintivos das pessoas quando colocadas sob situações de stress dentro do ambiente de trabalho. É assustador o grau de autenticidade que adquirimos nas nossas ações quando estamos nestes momentos. É nessas horas que, não o importa o tamanho da máscara, ela sempre cai! E aí, nos deparamos com as mais profundas e sombrias facetas da personalidade humana.

Eu sei que, dependendo da gravidade do problema que você tem na empresa, sua única vontade é de elogiar a todos com os mais bonitos adjetivos, em alto e bom som. Mas, eu peço, para o seu bem profissional, domine seu animal interior e se contenha.

Todos nós já ouvimos ou até fizemos parte de conversas de corredor, onde o tema principal era o comportamento (não muito adequado) de Fulaninho ou de Beltraninho. E esse comportamento vai desde a uma exaltação em uma reunião para definição do budget até se embebedar na confraternização de final de ano.

Pense que, a imagem que deseja que seus superiores e subordinados tenham de você é a de um profissional competente e de bom relacionamento. Nunca vi uma única alma viva querer ser lembrada por ter batido o teclado contra a mesa - em um momento de fúria - por um fatal error em um software.

Dicas para você enfrentar situações ruins de stress profissional sem perder a compostura.

Primeiro de tudo, dê uma breve pausa e enquanto isso...

Preste bastante atenção em como você trata seus colegas e em como você reaje aos problemas e as notícias boas. Infelizmente não é a maneira que você sente as coisas que conta, o que mais importa dentro das organizações é o jeito que você externaliza o ocorrido. Bons profissionais são elogiados pelo seu comportamento e competência, tanto em situações boas como nas mais complicadas.

Não temos domínio das nossas emoções, mas das nossas ações, sim.

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Opinião dos Leitores

Monaly
27 Abr 2008, 14:20
O texto tem uma narrativa muito boa, envolvente na leitura, realmente agradavel.. nem sempre eh facil tratar assuntos de comportamento, principalmente principalmente comportamentos no trabalho, tao politicamente corretos, tao eticos ou que supostamente deveriam ser.... mas o ser humano - muitas vezes nao eh..
Fer.. fiquei feliz em ve-la em sua versao escritora.
Luciano Goulart
27 Abr 2008, 09:50
Fernanda,

Brilhante artigo. Meus sinceros parabéns.

Muitas vezes comportamentos de raiva são uma patologia causada por stress. Sabe-se que a raiva provoca alterações fisiológicas, cognitivas e comportamentais. Muitas vezes o indivíduo precisa procurar ajuda especializada e terapêutica para evitar que quadros associados a raiva venham a se manifestar, tais como distúrbios do sono, gastrointestinais, dores de cabeça crônicas, hipertensão arterial e tantos outros. Obviamente todo o quadro de raiva gera impotência e isso em algum tempo transforma-se em depressão.

Nos setores de TI um quadro parece comum, pessoas sobrecarregadas, irritadas, frustradas e muitas vezes sentindo-se impotentes diante da pressão exercida por si mesmos (devido a necessidade do emprego) ou pelo seu contratante. Na maior parte do tempo nosso trabalho não é valorizado e compreendido pelos empresários, que hipervalorizam suas atividades produtivas e não compreendem que a informática é um dos meios para se chegar ao lucro e produtividade em seu ramo. Temos então em muitos casos setores carentes de investimentos para melhores condições de trabalho (software, hardware e tantos outros) por mera falta de visão dos empresários , o que certamente gera mais desgaste e preocupação do corpo de TI.

Todo esse cenário, pesa na cabeça do profissional de TI. Ele está na maior parte dos casos embaixo de muito mal tempo. Todavia ele precisa manter o controle de suas emoções, então isso implode causando as patologias citadas acima. Temos um dilema, explodir não é civilizado e coerente, implodir nos causa problemas orgânicos. A resposta é na boa terapia proposta pela Fernanda que tem embasamento científico:

link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-166X2007000100014&script=sci_arttext

Todavia, isso tudo ainda é pouco. Conversar com a chefia, mostrar a importância do departamento de TI, os resultados obtidos e exaltar isso (mesmo que seja por e-mail). Quando a situação não for mais suportável a você procure ajuda médica. Psicanálise, medicação e exercícios físicos e psicológicos que podem aliviar os sintomas.
Adriano
26 Abr 2008, 16:20
É verdade ! Com stress o "cachorro louco" sai mesmo ! A tecnica que uso é contar até dez... ou vinte,trinta (rsrsrs)
Adorei Fer !
Abraço...
Day
25 Abr 2008, 22:02
Fer...

Como sempre vc falou pouco, mais falou bonito, ou melhor escreveu rsrs Adoreiii demais...
Gostaria de dar uma sugestão... abaixo da coluna colocar aquele link envie para um amigo... nossa seria 10 iria enviar para todas da minha empresa...
Com saudades, bjokas day
Arian Maykon
25 Abr 2008, 14:21
Mais um ótimo artigo, parabens novamente Fernanda.

Estou precisando dessas práticas ultimamente... :D
David Salomão
25 Abr 2008, 09:48
Ah se o Jon "Mad Dog" Hall tivesse lido seu artigo ou algo parecido quando era muito mas muito mais novo, acho que ele não seria conhecido por este apelido =)
Cesar Cardoso
24 Abr 2008, 20:24
"Lembre-se que aquele é seu local de trabalho (e não um ring) e que as pessoas ao seu redor são seus colegas (e não necessariamente adversários)"

Em alguns casos, na verdade, um ringue de vale-tudo é mais educado e amável que um ambiente de trabalho. Enfim, quando isso acontece, é hora de pegar a malinha e sair.

Do resto... adorei te rever na Festa da Padroeira!
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Sobre a autora

Fernanda Alves Chaves é daquelas pessoas que buscam o que ainda há de humano em um ambiente dominado pela tecnologia. É administradora, especialista em Gestão de Pessoas, profissional de RH e professora universitária. A verdade mesmo é que ela gosta de gente, e é figurinha fácil entre os ambientes dominados por nerds, geeks, etc. Se empenha em ver toda a gente crescer, melhorar, atuar em redes. E, na visão dela, as pessoas começam a formar redes antes de chegarem perto de computadores! As redes se formam de mãos dadas, da troca de olhares, de palavras e... pois bem, também de e-mails, mensagens instantâneas e scraps. Independente dos meios, redes serão sempre de pessoas às quais a tecnologia deve servir, nunca o contrário. É para lembrar disto, sempre, que Fernanda nos brinda com sua coluna no Dicas-L!


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