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Um Cruzeiro Solitário

Por Frederick Montero

Data de Publicação: 05 de Maio de 2008

Muitas pessoas vêem o iPhone apenas como um telefone celular anabolizado, mas a bem da verdade, o iPhone representa o primeiro exemplar do nascimento de uma nova plataforma de comunicação e informação. Uma visão óbvia do aparelho seria enxergá-lo apenas como um computador miniaturizado, através do qual as pessoas podem realizar os trabalhos que costumam realizar em seus desktops ou notebooks, como acessar a internet, editar textos, verificar emails, compor planilhas e outras tarefas do gênero. Porém mais e mais a Apple utiliza o ecosistema do iPod para diminuir o vácuo que separa os diferentes equipamentos e programas e para, com o tempo, transferir o centro deste ecosistema, que agora se encontra em cima do programa de gerenciamento de mídias iTunes, para a plataforma iPhone/iPod Touch, gradativamente.

No último mês de Abril, diversas pistas sobre esta estratégia surgiram na mídia especializada em tecnologia, tais como o lançamento de um kit de desenvolvimento para os discos BluRay que permitirá ao iPhone acessar e controlar determinados aspectos dessas mídias físicas, por meio de uma conexão de rede sem fio com os aparelhos BluRay. Também surgiram indícios de que a Apple planeja o lançamento de um programa de controle remoto universal para o iPhone, permitindo-lhe controlar diversos equipamentos domésticos, entre eles, o AppleTV e os próprios Macs. Portanto a plataforma iPhone não se reduz apenas a um meio de processar informações, mas também de controlar o mundo ao seu redor, levando a crer em uma realidade na qual existirá um equipamento tão pessoal para cada um quanto a própria carteira de identidade.

O mais surpreendente deste conjunto todo é que apenas uma única empresa ou grupo parece ter conseguido embarcar sozinho em um campo que promete ser um cruzeiro marítimo pelo Caribe para desenvolvedores de equipamentos e programas. Dentre todas as empresas, a Apple possui uma característica singular entre os diversos fabricantes de equipamentos eletrônicos e de informática, que é ter controle tanto sobre o hardware quanto o software de suas criações. Mas ainda assim, muito poucas empresas parecem conseguir vislumbrar o horizonte que se abre diante de seus olhos. Com exceção da Google.

A Google, quase no mesmo período do lançamento do iPhone, apresentou a plataforma Android, que nada mais é do que um conjunto de parâmetros para a criação de um sistema e de programas para dispositivos móveis, baseados em diversos projetos de código livre, como o Linux e o Java. Porém quase um ano depois, a plataforma Android se restringe a uma quantidade limitada de projetos em empresas de equipamentos telefónicos celulares, com medo da concorrência do iPhone. Ou seja, pelo lado dessas empresas, não existe uma preocupação em integrar esses equipamentos com outros equipamentos, criando uma sinergia entre eles. Crêem apenas que a sedução da mágica das telas sensíveis ao toque bastará por si só para garantir a sobrevivência das suas vendas, sem o desenvolvimento de uma utilidade prática para essa tecnologia que eleve a experiência dos seus usuários para um novo patamar de possibilidades e descobertas. O que é uma pena, pois com a estagnação da Microsoft e a timidez da Sony em criar coisas novas, apenas as soluções de código livre parecem capazes de, ao médio prazo, embarcar neste cruzeiro. Isso se houver um apoio mais amplo de fabricantes de equipamentos eletrônicos e de informática a um projeto de código livre consistente. Porém com o estágio atual de desenvolvimento dessas soluções para a nova plataforma, somente quando o cruzeiro estiver no meio do caminho é que haverá possibilidades de uma alternativa viável embarcar na viagem. Então neste momento, a Apple já será amigo íntimo do capitão e de toda a tripulação e passageiros, além de desfrutar de quase todas as mordomias sozinho.

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Opinião dos Leitores

Frederick Montero
06 Mai 2008, 09:45
Desculpe-me, Bruno.
Não citei a Nokia porque justamente lhe falta dar o pulo para sair do nicho exclusivo de celulares e aparelhos móveis para abraçar outros nichos que lhe ajudem na construção de um sistema integrado de diferentes aparelhos, como set-top boxes, computadores, aparelhos de som, e que sirva como apoio a uma nova plataforma, que é representada pelo iPhone hoje em dia. O mais provável é que no futuro surja um grupo de estudos, no qual diversas empresas como Nokia, Sony, Google, cada uma no seu ramo, contribuindo com conhecimentos para construir uma sistema integrado. Algo como o MPEG. Ou que elas abracem soluções de código aberto e ajudem no seu desenvolvimento.
Bruno V Magaldi
05 Mai 2008, 19:02
Apple, Google, Microsoft, Sony... me parece que, em tratando-se de tecnologias móveis, fatou na lista a Nokia. Nokia esta que além da quantidade enorme de celulares vendidos, recentemente comprou a Trolltech, berço da Qt.
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