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Compreendendo o Programa Um Computador por Aluno

Por Jaime Balbino

Data de Publicação: 27 de Agosto de 2010

Então o Programa Um Computador por Aluno foi lançado...

Tal fato ocorreu em 26 de julho por meio de dois decretos presidenciais que regulamentam a Lei 12.249, de 11/07, aprovada pelo Congresso Nacional a partir de uma Medida Provisória do Executivo. A Lei aprovada é uma miscelânea de projetos, também versando sobre Pré-Sal, indústria Aeronáutica, "Minha Casa, Minha Vida", etc, etc, etc...

Apesar dessa mistureba já tradicional na estratégia para o trâmite no legislativo, o projeto que cria o ProUCA (Programa Um Computador por Aluno) e o RECOMPE (Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional) é bem elaborado e objetivo. Trata-se simplesmente do modelo final para universalização dos laptops educacionais nas escolas públicas e filantrópicas brasileiras.

O modelo aprovado diverge da ideia original de distribuir os equipamentos por meio de grandes encomendas centralizadas pelo Governo Federal. Agora serão os governos locais (prefeitura e estado) e instituições filantrópicas inclusivas que escolherão e comprarão os equipamentos diretamente, através de uma linha de financiamento específico do BNDES.

A mudança do modelo de implementação para uma estrutura bem mais descentralizado tem a ver com a desburocratização do processo, já que a Lei de Licitações emperrou por quase 3 anos os pilotos em grande escala do UCA (que só começaram efetivamente agora). Foi um atraso grave, já que não geramos casos de estudo na quantidade desejada para justificar o uso dos laptops educacionais e amadurecer as práticas necessárias à fase de universalização.

Por outro lado, a experiência exitosa em outros países pobres/em desenvolvimento e nos poucos pilotos brasileiros da primeira fase do UCA já corroboram a tese do uso dos laptops educacionais como auxiliares na reestruturação do ensino em sala de aula.

Ao utilizar um modelo de financiamento estatal via BNDES o Governo Federal simplifica e agiliza o processo de aquisição das máquinas pelos governos locais. A "grande" burocracia ainda existe, mas será processada pelo próprio BNDES, que deve definir os fabricantes habilitados, preços mínimos e resolver eventuais pendências/dúvidas legais. Ao invés do Tribunal de Contas da União regulamentar o processo de aquisição é o próprio BNDES que cuida da fiscalização, do cumprimento dos acordos e do retorno de seu investimento econômico e social.

É claro que um financiamento, mesmo a juros subsidiados, é bem diferente da doação pura e simples dos laptops. Os financiamentos devem ser pagos em algum momento, enquanto a doação não causa comprometimento orçamentário aparente, apenas implica no cumprimento de alguns requisitos e contrapartidas pela parte beneficiada.

Por fim, o Governo Federal provavelmente julgou que era vantajoso o financiamento por conta unicamente da desburocratização do processo. Deve ter avaliado que seu custo não onerará sobremaneira o orçamento local para a educação da maioria dos estados e municípios. No mais, o próprio Governo Federal deve criar modelos complementares para atender localidades muito pobres diretamente, como já faz através dos diversos projetos de inclusão digital do MEC e do Ministério das Comunicações.

Qual seria, então, o "passo-a-passo" para uma prefeitura ou governo estadual conseguir o financiamento para comprar laptops educacionais para suas crianças?

Os decretos publicados não esclarecem esta questão. Mas normalmente o procedimento é procurar o BNDES para se informar dos formulários necessários e depois ir ao MEC/FNDE e ao UCA para fechar o projeto necessário para a liberação do financiamento. Além do projeto, haverá outras contrapartidas e parcerias que devem ser definidas, principalmente para a capacitação dos professores e a infraestrutura de rede.

Ainda não há nada sobre o ProUCA e RECOMPE no BNDES, MEC e FNDE. Acho que os editais para se candidatar ao financiamento só serão publicados após as eleições. Mas esta é uma boa hora para prefeituras e entidades filantrópicas que trabalham com excepcionais estudarem o assunto.

Bem, isto é o que consegui apurar. Se alguém tiver alguma informação ou correção peço que complemente.

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Opinião dos Leitores

Anonimous
18 Jan 2011, 08:51
Não adiantar entregar laptops que irá retirar grande parte de dinheiro dos cofres públicos para fazer uma medida sem noção.

O aumento do salário dos professores que é uma excelente idéia!


Outra coisa é entregar esses laptops as crianças, que em pouco tempo já estaram destruídos. No que acarretará mais prejuizo.

Ainda mais se for as crianças de Salvador

¬¬

he he he!
Jaime Balbino
29 Ago 2010, 10:22
João,

A capacitação a que me referi foi especificamente para refletir e incorporar novas estruturas de ensino na sala de aula, neste caso também o uso dos laptops educacionais.

Não disse que os professores em geral não são capacitados. Pelo contrário, só dá para incorporar e amadurecer as práticas a partir dos saberes e das práticas já usadas pelo professor, de sua reflexão e complementação, não impondo um "outro" modelo descolado de suas práticas e saberes.

Não ouso dizer que temos "poucos" professores capacitados. Esse princípio justifica políticas equivocadas baseadas na simples punição do profissional, como é feito em São Paulo.Penso que a maioria é capaz de ensinar bem, desde que o sistema como um todo esteja bem organizado.

Quanto ao salário dos professores, uma coisa não se sobrepõem a outra. Os professores tem que ser melhor remunerados E desenvolver suas práticas E ter melhores recursos para o ensino.

É tudo parte do mesmo projeto. Sem dicotomias.

Já avançamos nesta área com o piso nacional de professores que, se não aponta para um mínimo razoável, ao menos objetiva acabar com os salários realmente miseráveis de muitos lugares e garante uma parcela de recursos para formação continuada. Necessária em muitas localidades que passaram décadas sem investimento descente no professor.



João Paulo
28 Ago 2010, 17:01
Jaime, você realmente acredita que o problema é "capacitação dos professores"? Ou está brincando?

Nós temos professores MUITO capazes! Alguns poucos inclusive dando aula no ensino público. Mas muito poucos realmente. Um salário desses não é atrativo!!

Prefiro aumentar por pouco que seja o salário dos professores do que trocar o computador todo ano.
Jaime Balbino
28 Ago 2010, 01:06
Conforme descrito no artigo, o financiamento está vinculada a aprovação de um projeto local para utilização destes laptops e capacitação dos professores.

Os laptops são integrantes de uma proposta maior de reestruturação do ensino escolar. Não há dicotomia aí. Repensar a sala de aula também é incluir de maneira consistente novos recursos pedagógicos.

A idéia já vem sido amadurecida há mais de 4 anos e o Brasil foi pioneiro nisso. Outros países que vieram depois já implementaram programas bem mais abrangentes com resultados bastante significativos.

Por fim, temos que parar com esse raciocínio de que uma escola supostamente ruim só melhora a partir de análises superficiais e ruins.

Mas é claro que muitos estados e municípios, que são responsáveis diretos pela gestão do ensino fundamental, aplicam políticas equivocadas e idéias anacrônicas. Contra isso só a organização da sociedade.
Xico
27 Ago 2010, 19:07
Se eu fosse prefeito, comprava trocentos!

Só peço seu voto, daqui a 2 anos...!
Renato Alvim
27 Ago 2010, 17:00
Agora magicamente o computador vai magicamente resolver o problema de um ensino totalmente destroçado... Um dos PIORES DO MUNDO!!!! Que pior paga aos professores. Aqui no Rio de JAneiro, ficamos em PENÚLTIMO LUGAR NO BRASIL!!!!! Ah... mas os professores vão ganhar um outro laptop NOVINHO!!!!!! Porque o antigo (um ano de usao)...está OBSOLETO...
Acordem!!!!!! Não vêem a roubalheira? As comissões?
Analfabetos funcionais sem educação e sem Educação fazendo besteiras em computadores...

Ora, FAÇA-ME O FAVOR!!!!!!
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