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Por Jaime Balbino
Data de Publicação: 16 de Agosto de 2010
Não por acaso é possível aproximar os conceitos fundamentais do software livre com as teorias e práticas educacionais mais avançadas. A prática da liberdade aplicada nos Softwares e Padrões Livres coadunam com a prática educacional construtivista que também vê o conhecimento como construção coletiva e fenômeno cultural. Desta forma, nada mais natural que desenvolver e estimular o uso de softwares e padrões livres no suporte à prática educacional.
Deve-se compreender, então, que há necessidades específicas na Educação que não são plenamente atendidas pelos parâmetros comerciais que normalmente regem o desenvolvimento de softwares. O que tem sido aceito sem grandes reclamações para o escritório chega a impossibilitar o trabalho eficiente num laboratório de informática escolar. As interfaces, funções, objetivos e procedimentos dos programas tradicionais só atrapalham, e pior, desviam o foco do processo de aprendizagem para a compreensão da lógica enviesada utilizada próprio software (e hardware).
Alguns dirão que as crianças e professores deveriam se acostumara a isto porque no futuro terão que trabalhar deste modo mesmo... Nada mais falso, posto que os softwares e hardwares comerciais evoluem e também é um erro achar que é mais importante o domínio de rotinas longas e ilógicas do que a compreensão e uso dos recursos à fundo.
No Brasil, um desafio que tem que ser encarado de frente é o desenvolvimento de software educacional para crianças pequenas (até 12 anos) e adolescentes. O trabalho com estes dois grupos tende a revelar a necessidade de novos paradigmas para o desenvolvimento de interfaces e procedimentos. Somando-se as práticas mais avançadas de ensino, tais softwares também tem que dar suporte mais eficiente à colaboração assistida, entre outros recursos de apoio ao professor e alunos.
Some-se a tudo isso as iniciativas locais e do Governo Federal. Nos últimos dois anos o MEC fez a maior compra mundial de computadores com Software Livre para equipar os laboratórios de informática das escolas públicas. Em outra frente, o Governo Federal está distribuindo 150 mil laptops educacionais com Software Livre em 300 escolas e também abriu uma linha de crédito específica para financiar a aquisição destes laptops diretamente pelas prefeituras.
Como se vê, é mais do que necessário qualificar os softwares destes equipamentos e adequá-los aos paradigmas da escola, fugindo do padrão industrial enviesado que já é imposto ao público em geral. No momento adianto que tudo está bem aquém das necessidades das escolas, sem contar problemas de configuração e segurança, consequência da baixa prioridade dada à questão.
O Sugar é um ambiente de apoio à aprendizagem completo, envolvendo desde interface e programas inovadores para crianças até o apoio a desenvolvedores, professores e à pesquisa/aplicaçao de novos conceitos pedagógicos e computacionais.
Baseado inicialmente na distribuição GNU/Linux Fedora (que abriga o projeto) e principalmente no Python e GTK na contrução da interface, o Sugar hoje é um software multiplataforma e aberto a todas as linguagens de programação. Tecnicamente qualquer software (educacional ou não) pode ser adaptado ao seu novo paradigma de design colaborativo.
Foi o que já aconteceu com o Firefox, OpenOffice/Ooo4Kids, AbiWord, VLC/Videolan, Etoys/Smalltalk Jabber, etc... Além de centenas de outros softwares educacionais criados especialmente para o Sugar nas mais diferentes linguagens, como Python, C++, Pearl e Java.
Além disso, o Sugar traz desafios na implementação do hardware compatível com seus preceitos de colaboração e as necessidades concretas das crianças até 12 anos. Por isso novos dispositivos foram desenvolvidos ou adaptados à realidade infantil, como:
O Sugar também é coerente com os princípios da construção do conhecimento pregados pela moderna pedagogia humanística, implementando a colaboração e todos os princípios do software livre na própria estrutura de desenvolvimento e implementação.
Não por acaso o Sugar também é a princpal plataforma da Fundação OLPC (One Laptop Per Children), pioneira na massificação dos laptops educacionais de baixo custo.
Por tudo isso (e mais um tanto ainda não citado aqui), o Sugar resume bem os novos paradigmas nessessários aqueles que querem desenvolver software educacional para crianças e jovens de acordo com conceitos educacionais centrados na aprendizagem colaborativa e construção do conhecimento.
Conhecer o Sugar é se inteirar das especificidades do software educacional. Assim, ao invés de você desenvolver um recurso educacional interessante que não se relaciona com nenhum outro recurso educacional (o que é quase padrão nesse campo), você pode criar ou complementar iniciativas integradas, dando suporte a situações de aprendizagem globais.
Darei uma palestra sobre o tema no dia 18 de agosto, quarta-feira, na Unicamp. Mais informações em: www.lsd.ic.unicamp.br/mc039wiki
Visite o Sugar Labs e conheça as centenas de iniciativas vinculadas ao projeto Sugar: www.sugarlabs.org
Estamos organizando o Sugar Labs Brasil. Lá você terá ajuda para compreender o Sugar e encontrar uma área de interesse para atuar como colaborador.
Conheça também o projeto OLPC: www.laptop.org
Participe do 3o Encontro de Laptops na Educação, em setembro. Lá estará em discussão o ?estado da arte? e as políticas públicas em mobilidade na educação.
Site oficial do MEC para o projeto Um Computador por Aluno: http://www.uca.gov.br
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