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Por Jaime Balbino
Data de Publicação: 18 de Maio de 2009
Para os profissionais em EAD é comum se cobrar algum tipo de formação acadêmica. Mas numa área ainda tão recente no Brasil e onde os paradigmas ainda estão em formação é coerente fechar-se tão cedo em teorias e práticas consolidadas? Não sou contra a exigência da títulação para a efetiva atuação profissional. Porém é evidente que este tipo de ortodoxia acaba limitando o desenvolvimento de um campo do conhecimento, impedindo ou adiando saltos mais ousados pela incapacidade inerente ao despotismo em agregar, analisar, propor e inovar.
Então, não é estranho que hoje se pergunte da necessidade dos diplomas na área de EAD. Mas para realizar essa discussão é preciso compreender melhor o porquê dessa exigência no Brasil, principalmente pelas iniciativas governamentais.
A titulação muitas vezes é a garantia de uma "reserva de mercado" para pensamentos e práticas defasadas - alguns dirão "tradicionais" - de uma época em que várias questões não existiam ou ainda não tinham peso nos debates. Mas até que ocorra a renovação desses titulares da academia é do lado de fora - onde a necessidade e não o título é que prevalece - que são fomentadas as experiências mais significativas.
A necessidade de título nem sempre é recorrente, mesmo dentro da academia. Lembro que o Instituto de Artes e a Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp contrataram alguns de seus professores, quando em seu início, mesmo sem titulação formal, baseando-se tão somente na notoriedade do seu saber. Outros casos nesta e em outras universidades brasileiras com certeza existem.
Recentemente, a Lei Federal que instituiu os cursos de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) dá uma janela de 5 anos para a contratação de não-doutores, não-graduados e até aqueles formados em serviço. Não há como exigir agora formação completa numa área carente de mestres. Pelo tamanho da empreitada, mesmo todos os doutores com teses defendidas em áreas correlatas tivessem não dariam conta de cumprir os objetivos da lei. Há outros exemplos tão pragmáticos quanto este e pelos motivos mais diversos, como o projeto de agentes de saúde do governo federal, que nada mais são que pessoas "leigas" da própria comunidade com treinamento em saúde preventiva substituindo a atuação de médicos, bem mais caros e de contratação muito mais difícil.
Já a EAD no Brasil trilhou um caminho diferente dos exemplos acima. Tanto as universidades quanto os programas do MEC e das demais agências de fomento optaram por impor a titulação como condição para a realização de projetos. A princípio não dá para ser contra, principalmente quando o objetivo é garantir o maior nível de formação para o profissional desta área.
Mas em todos esses anos a EAD nunca fez parte dos currículos dos cursos de graduação e só agora surge como opção de pós-graduação plena (strictu sensu). Então, como estimular a pesquisa e o desenvolvimento de soluções puramente acadêmicas com atores, práticas e debates tão incipientes?
A realidade é que o impacto da opção por projetos em EAD exclusivos da Academia não promoveu o desenvolvimento da área e resultou em poucas iniciativas realmente relevantes. Aliás, pode-se perceber na Universidade Aberta do Brasil uma tentativa de organizar "à força" um "projeto nacional" de EAD que não conseguiu se fazer através da dispersa liderança da Academia.
À margem dessa omissão intelectual se desenvolveram profissionais "leigos" de alto nível e sem tal vínculo institucional, com suas próprias soluções e experiências. Não digo que esses profissionais são melhores que aqueles de dentro da academia ou que suas soluções e experiências são mais avançadas, mas num campo que está em processo de afirmação, exclui-los dos debates e dos fomentos é empobrecer bastante a questão.
Muitos profissionais saíram da universidade e se formaram "no mercado" porque o desenvolvimento da EAD na academia era pífia ou inexistente. Ficar nela era se condenar a escrever mais uma tese para responder à pergunta retórica: "A EAD é tão boa e eficiente quanto o ensino tradicional/presencial?" (veja a grande maioria das dissertações defendidas na década passada). Além disso, muitos dos melhores quadros em EAD nas universidades não são professores ou pós-graduandos, mas os funcionários dedicados que tornam realidade os projetos e os mantêm funcionando.
Isto posto, cabe considerar a formação do profissional em EAD não somente como responsabilidade da Academia mas também como ação sobre as necessidades da sociedade onde, parece, se construiu a grande dicotomia. Onde falta rumo parece que sobram egos e caciques com consequências negativas sobre o debate e o direcionamento de incentivos. A penetração da educação a distância permanecerá limitada e cercada de desconfiança estatal enquanto suas grandes questões não forem alvo de ações inclusivas realmente sérias e consequentes.
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