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Os esforços de padronização e normatização em e-learning

Por Jaime Balbino

Data de Publicação: 13 de Abril de 2007

No título acima quisemos enfatizar o caráter "utópico" das tentativas de unificação das tecnologias relacionadas ao e-learning. Definir regras mínimas para o intercâmbio entre as soluções desenvolvidas é prática comum na Indústria e em outras comunidades de inovação. Isto normalmente é feito através de consórcios envolvendo empresas, instituições de pesquisa e/ou governos (como a IEEE e a IMS); ou mesmo pela própria empresa ou grupo interessado na disseminação de sua tecnologia (como a ADL e a especificação SCORM; o padrão de comunicação entre agentes da FIPA e a Adobe com o seu conhecido formato PDF, para documentos eletrônicos).

Em todos os casos raramente à imposição formal de padrões (exceto em questões envolvendo segurança). Normalmente eles são acordados entre as grandes corporações interessadas em seu uso (como o VHS, o DVD e o MP3, para áudio e vídeo), difundindo-se globalmente pela aceitação do restante do mercado. Muitas vezes, também, há concorrência entre padrões, persistindo a existência de duas ou mais especificações indefinidamente (como nos telefones celulares e nas transmissões de TV colorida e digital), neste caso criam-se mecanismos que permitem o interfaceamento ou a conversão.

A existência de um padrão não garante sua adoção, existindo diversos fatores que influenciam em sua disseminação, como:

A necessidade de definição de padrões globais e regionais para o e-learning surgiu na década de 80, junto com a grande perspectiva de expansão do campo. Era necessário definir regras que garantissem a interoperabilidade entre os produtos, e também estimular e disciplinar o desenvolvimento de determinados conceitos e tecnologias - como o de objetos de aprendizagem (learning objects). Em sua dinâmica de desenvolvimento, alguns padrões caíram em desuso e outros foram incorporados em esquemas maiores e mais completos, o que vem garantindo uma unicidade nas sugestões de especificação apresentadas pelos diversos consórcios e empresas. No entanto, a grande maioria dos padrões existentes ainda é limitada e vaga em vários aspectos. As razões são as mais variadas: para que não haja restrições ao desenvolvimento; porque ainda não há consenso sobre tendências e tecnologias e, ainda, porque não foram apresentadas soluções satisfatórias ou há a necessidade de novas abordagens.

A plataforma brasileira TelEduc, por exemplo, como quase a totalidade dos softwares nacionais, não adere a qualquer padrão de e-learning. Provavelmente como parte da sua estratégia de desenvolvimento, baseado nas necessidades mais básicas dos professores e na flexibilidade de uso. Considere-se também que à época do início de seu desenvolvimento (1997) as padronizações para educação carregavam muitas generalizações e limitações, não oferecendo garantias de intercâmbio e inovação.

Para exemplificar, damos abaixo alguns padrões internacionais muito úteis em sistemas eletrônicos complexos para educação, é interessante observar que a compatibilidade entre os diversos consórcios e a não obrigatoriedade de adoção de soluções integradas permite a livre escolha entre pacotes diferentes:

Na prática, um sistema de ensino baseado em padrões funcionaria assim: O IMS-LD descreve com clareza cenários pedagógicos reais, onde o papel a desempenhar por cada usuário (tutor, aluno, etc...) é bem definido e o seu perfil é muito mais que as suas preferências pessoais, incluindo estilo de aprendizagem, conhecimento, experiência, etc... (armazenadas de acordo com o IMS-LIP). Atividades e materiais de ensino, catalogados sob o IEEE-LOM, podem ser recuperadas de repositórios universais e reutilizadas em outros cenários. Enquanto o IMS-LD dita qual é o planejamento do curso e como ele deve ser aplicado, o IMS-QTI constrói e gerencia toda a avaliação. O curso completo é arquivado de acordo com as regras estabelecidas pelo IMS-CP e pode ser "tocado" em sistemas eletrônicos compatíveis. Suas atividades podem ser arquivadas como objetos de aprendizagem em um repositório compatível com o IEE-LOM.

A descrição acima tenta ilustrar de forma resumida a relação entre os padrões na estrutura do sistema. Evidentemente sua incorporação é complexa e, não raro, deve-se enfrentar as limitações do próprio padrão que se deseja implementar. Um exemplo disso é a dificuldade de integração do recente IMS-LD com o IMS-QTI, definido há mais tempo e sem suporte a algumas técnicas avaliativas recentes, como as baseadas em dinâmicas colaborativas em grupo e na produção do aluno (portfolio ou dossier). O uso do IMS-QTI é uma aposta na sua evolução e na criação de soluções internas que podem vir a integrar o padrão oficial.

Na realidade, como ocorre com os softwares, a adoção de qualquer padrão não deve ser uma decisão baseada nas necessidades do momento, e sim uma aposta no futuro. Dependendo do objetivos do projeto e da capacidade de inovação da equipe, pode ser interessante ficar com padrões limitados, mas plenamente funcionais e aceitos, como o ADL/SCORM, do que apostar em diretrizes mais complexas e ainda em desenvolvimento, como o IMS-LD, ainda que elas ofereçam uma perspectiva de maior produtividade e qualidade.

Aqui demos apenas uma pequena pincelada em sistemas de ensino baseados em padrões, indo além das decisões puramente técnicas e funcionais. A pesquisa de padrões é extremamente complexa e trabalhosa, mas influencia positivamente em qualquer sistema de ensino (eletrônico ou não). Além do mais, como os padrões são modulares e guardam um alto nível de compatibilidade, a adoção de um conjunto de padrões pode (e deve) ser feita de forma gradual. Desta maneira, é possível garantir a compatibilidade futura do sistema com diretrizes internacionais avançadas, mesmo que a equipe de desenvolvimento ainda não tenha domínio sobre os padrões definidos no projeto.

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Dois textos antigos sobre este tema: SCORM x EML e Objetos de Aprendizagem

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Opinião dos Leitores

runway
20 Set 2007, 12:45
Achei o texto muito elucidativo e útil. Estou administrando os cursos do Campus Vitual http://sarvadharma.net/ead e estas informações lançam base para implantação de algo padronizado.

Runway
http://www.sarvayoga.net
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