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Por Jaime Balbino
Data de Publicação: 23 de Março de 2007
Continuaremos nossa introdução ao padrão internacional para organização, avaliação e planejamento do ensino, o IMS-LD. Na primeira parte deste artigo, publicado em outubro de 2006, descrevemos o manifesto como sendo a idéia amadurecida e sistematizada de um curso. Ele é o texto-base que guiará a fase de planejamento. Nesta continuação transformaremos as idéias do manifesto na estrutura lógica/semântica que organizará e definirá o curso propriamente dito.
De posse do manifesto, convêm agora realizar a estruturação do curso. Para agilizar o processo de análise e decisão da equipe inter-disciplinar, é interessante que uma primeira sugestão de estruturação seja elaborada pelo(s) autor(es) do manifesto e entregue ao restante da equipe junto com o manifesto. A riqueza de subsídios para discussão tende a induzir a maior participação, com sorte as derradeiras modificações na estrutura ocorrerão neste momento, poupando revisões drásticas futuras, em etapas mais avançadas e críticas do projeto.
Esta estrutura inicial nada mais é do que a lista mais completa possível dos tópicos a serem abordados em cada unidade de ensino (1). Esta lista deve ser elaborada de forma hierárquica, ainda que não definitiva, com a clara identificação dos conceitos-chaves ou temas-geradores. Aqui não é necessário apontar a inter-relação entre os conceitos e/ou tópicos, desde que esta possa ser aferida pela proximidade dos temas.
Todos os elementos listados devem ser abordados na UE (que pode ser uma aula, se o autor assim considerar). Assim, elementos irrelevantes podem ser omitidos ou, na dúvidas levados a discussão na equipe. A lista deve ser grande, porém também deve ser coerente e corresponder a todas as UEs relativas ao curso.
De posse da "texto-guia", é chegado o momento de expandir o diálogo. Radicalizaremos aqui o "pragmatismo construtivo" que guiou os passos anteriores, para que o objetivo de criar uma peça viável não se perca em pormenores inalcançáveis. Isto é, tendo como princípio a dinâmica constante que é qualquer processo de autoria, em especial o coletivo, o amadurecimento do projeto se reflete no quão ele atende às necessidades do aprendiz e da sua realidade. Tal conquista só é possível no tempo, em função da dialética das forças envolvidas, difíceis de ponderar e até de reconhecer. Isto não é objeto do método prático que estamos construindo, mas pode ser posto como parte do que chamaremos de boas práticas pedagógicas.
Focar as discussões no que é consensual, real e de domínio da equipe pedagógica é a melhor maneira de aceitar a natureza dinâmica do conhecimento e de utilizar a estrutura naturalmente enraizada (e às vezes arcaica) dos saberes, não de forma competitiva, afirmativa ou compreensiva (2); mas como fator construtivo da prática futura, à medida que os compreendemos e nos capacitamos a interferir neles.
Assim, o que será construído neste diálogo consensual pode ser mais amplo do que aquilo que será de fato aplicado num primeiro momento, pois será constantemente ampliado e melhorado. Isto não quer dizer que eventuais conflitos devam ser ocultados ou ignorados, mas que eles não são uma parte relevante de nosso método. Aliás, se assumimos o consenso, a abertura e o dinamismo como referência, não deverá existir conflito insolúvel nesta etapa do processo.
Não importa a metodologia de trabalho da equipe, mas os resultados que ele consegue alcançar. É claro que reuniões hierarquizadas e pouco motivadas tendem a não aprofundar o planejamento, gerando falhas e baixas otimizações que se propagaram pelas etapas restantes. O elemento que mais "sentirá" o impacto de um mal planejamento é a avaliação.
Não entraremos aqui de ferramentas e estratégias para reuniões de planejamento de curso, isto fica para outros artigos. Mas ao final desta reunião, o curso estará estruturado. O que significa que se terá acordado:
Leia a primeira parte deste artigo aqui
Um artigo dos professores Renato Dutra, Liane Tarouco e mary Konrath da UFRGS.

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