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Vamos discutir (com seriedade) a TV Digital !
Colaboração: Jomar Silva
Data de Publicação: 16 de Outubro de 2009
Depois de publicar dois posts falando sobe a NET, recebi um comentário por e-mail de um leitor questionando os artigos, alegando que eles são 100% pessoais e ainda me propondo a discussão com seriedade do assunto... na verdade era tudo o que eu queria ouvir (ou ler).
Em respeito ao leitor, gostaria de propor aqui neste blog uma discussão séria sobre a TV Digital que temos hoje no Brasil, não aquela que nos venderam, nem aquela que esperamos um dia ter, mas aquela que hoje eu, você ou qualquer outro brasileiro pode ter em casa.
Muita gente vai se perguntar "O que esse maluco tem para falar sobre TV Digital" e esse maluco quer se justificar: Trabalhei em um dos primeiros laboratórios de TV Digital no Brasil (no final da década de 90... sim há 10 anos), e trabalhei ainda em parte da especificação do Ginga dentro do SBDTV.
Não vou aqui entrar no mérito da adoção pelo Brasil do sistema japonês de TV digital, pois acho esta uma discussão já ultrapassada (se querem saber minha preferência pessoal, sou fã até hoje do DVB, o padrão "europeu" derrotado por aqui). Também não pretendo comentar ou discutir os equipamentos fabricados por este ou aquele fabricante em qualquer uma das pontas do sistema.
O problema todo é que a TV Digital que nos venderam não foi entregue até hoje, e o que temos hoje no mercado é o rascunho dos serviços (e equipamentos) que deveríamos ter... aliás, eu adoraria ver estas perguntas respondidas por vocês e pelas autoridades (como nosso Ministro Hélio Costa), que tanto anunciaram a TV Digital no Brasil nos últimos anos.
Quem aí tem um decodificador de TV Digital (de TV Aberta) e consegue assistir 24 horas por dia de programação em HD em algum canal? Se tiver, qual canal e qual decodificador (marca e modelo)?
Alguém aí sabe se o seu decodificador de DTV possui o tal "módulo interativo"? Se tiver, sabe qual é a tecnologia utilizada nele?
Será que algum dos envolvidos com as especificações da TV Digital consegue explicar o motivo técnico pelo qual o SBDTV decidiu adotar duas plataformas tecnológicas para o tal "módulo interativo"? Quem tem dois padrões, não acaba tendo "padrão algum"?
Alguma operadora de TV (ou empresa de TV) consegue me dar um exemplo de interatividade na TV Digital que não seja "a compra de um produto que o telespectador viu na cena" ou "uma enquete sobre a opinião do telespectador sobre o programa"? (estes dois exemplos eu já conheci há 10 anos e não aguento mais ouvir falar deles... além disso, até hoje não vi nem isso implementado de verdade em nossa TV Digital... ah, desculpe ...esqueci que ainda não temos decodificadores interativos por aqui !)
Do ponto de vista de regulamentação, tenho ainda algumas dúvidas bem sérias sobre o assunto:
Não seria a ANATEL responsável por controlar a utilização do termo HD (High Definition) em relação às transmissões de TV no Brasil: Se não for, qualquer um pode dizer que sua transmissão (aberta ou fechada) é uma transmissão HD e o usuário que se vire: (para não usar outro verbo "mais ilustrativo").
Se as normas brasileiras de TV Digital englobam a interatividade, como é possível que ainda tenhamos empresas vendendo decodificadores (embutidos ou não dentro de televisores LCD ou plasma) sem qualquer funcionalidade de interatividade: Existe alguma legislação que obrigue os fabricantes a informar isso aos consumidores, ou novamente os consumidores que se virem? (me lembrei daquele outro verbo novamente...)
Quando é que as "autoridades" (sejam elas quais forem, pois realmente não consigo definir quem é realmente responsável por este caos que temos hoje), vão explicar para o "usuário padrão", tipo a minha mãe, como são as regras de DRM utilizadas na especificação da TV Digital brasileira: (eu até tentei, mas minha mãe não consegue entender que ela não poderá gravar a novela usando a TV Digital)... aliás, alguém aí poderia explicar o que é o DRM para a população em geral (claro que eu posso e até gostaria de fazer isso aqui, mas antes de ser acusado de "tendencioso", gostaria de ter alguma explicação oficial sobre isso).
Ainda tenho mais algumas dezenas (ou talvez centenas) de perguntas para fazer sobre a TV Digital, mas sem que estas sejam claramente respondidas, acho que não dá para avançar muito ainda com este debate em nosso país...
Agradeço ao leitor que me escreveu, e espero que ele seja o primeiro a responder as perguntas que deixei aqui... todo debate se inicia assim... bem vindo ao clube :)
Jomar Silva é engenheiro eletrônico, pós-graduado em gestão de projetos e desenvolvimento de sistemas e Diretor Geral da ODF Alliance Chapter Brasil. Atua no mercado de TI desde 1996, com ênfase no desenvolvimento de software em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento para empresas do setor de Telecomunicações e Tecnologia da Informação. Atua ainda como "advisor" em padrões abertos junto a indústria de software. É coordenador do Grupo de Trabalho na ABNT que tratou da adoção do ODF como norma brasileira e membro do OASIS ODF TC (comitê internacional que desenvolve o padrão ODF).
Veja a relação completa dos artigos de Jomar Silva
Referências Adicionais
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.
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Opinião dos Leitores
12 Nov 2009, 13:51
Antes dela, temos o caso da "banda larga".
Um serviço péssimo.
Como TUDO nesta republiqueta de bananas, o serviço é muito pior e custa
MUITO MAIS CARO.
Além disso, o "suporte" é risível ou seria não fosse trágico.
Há uma lei - NÃO CUMPRIDA (lembrem-se de onde vivemos) que obriga as
operadoras
a disponibilizar um HUMANO como opção à máquina.
Além disso, deixam o cliente um tempo enorme, para ver se desiste.
Ao se ligar para a Anatel descobre-se que tem-se que esperar TANTO ou MAIS
para fazer a queixa.
Porque?
Porque existem MILHARES de clientes reclamando.
Reclamei da Anatel à Anatel.
Perguntei quais as penalidades aplicadas às empresas.
Ouvi que "quando há muitas reclamações aplicamos uma multa".
Ora, o que é melhor?
Pagar uma multa de quando em vez ou investir em atendimento, contratar e
treinar pessoal...
Mas a Anatel parece ser ALIADA dos bandidos...
E quem é (ou foi) Hélio Costa???
Veio de onde???
Adivinhem??
Rede Globo.
Isso diz tudo.
A única saída é o CONSUMIDOR ameaçar as empresas com digamos, um bloqueio de
pagamento, por exemplo.
Mas nosso PACÍFICO povo (para não dizer, fraco,pusilânime) não irá fazer
isso.
Assim, como canso de dizer, temos o que merecemos ou fazemos por onde.
Parabéns por sua iniciativa.
Pau neles!!!!!!
12 Nov 2009, 13:50
10 Nov 2009, 08:29
As emissoras menores, especialmente as públicas, ou de interesse social, poderão utilizar o canal digital para multiplicar sua programação por 4 (4 canais simultâneos, se não me engano). Imaginem poder transmitir vídeo-aulas para quatro turmas ao mesmo tempo, sem precisar de uma nova concessão?
Se a população de baixa renda não será beneficiado por HDTV, poderá ser beneficiada pelas TVs abertas/públicas/comunitárias.
A interatividade depende de um canal de retorno. Para a classe média/alta pode ser totalmente dispensável, já que possuem computador, internet, smartphone.
Para as classes C/D/E, eu imagino, a interatividade não funcionará se depender de uma linha telefônica ou ADSL para canal de retorno, já que o custo é elevado.
Mas essas classes tem outra opção de canal de retorno: O CELULAR. O meio de comunicação mais difundido é o celular.
Imaginem: o cidadão poderá preencher algum formulário pela TV interativa (mudança de endereço no TRE, pedido de aposentadoria, declaração de imposto de renda/declaração de isento, consulta saldo FGTS, etc), e a aplicação usa o celular para enviar os dados por SMS.
É verdade que não é o estado-da-arte em interatividade, mas sem dúvida é uma excelente forma de oferecer serviços a uma grande parcela da população, que já tem TV e celular, mas nem chega perto de um computador.
Antes de insistirem que interatividade é desnecessária, porque temos computador e internet, lembre-se que só a minoria tem isso. A interatividade na TV digital é sem dúvida uma grande oportunidade de oferecer acesso à população mais carente.
02 Nov 2009, 11:30
1. Do ponto de vista tecnológico, não se deve falar em padrão de TV digital, mas sim em sistema de TV digital terrestre, pois se trata de uma tecnologia organizada em camadas, onde para cada camada é aplicado um padrão ou padrões específicos, a ser utilizada em transmissões VHF-UHF (daí o termo terrestre). Por exemplo, na camada de transmissão/recepção temos siglas do tipo COFDM, na camada de compressão de áudio e vídeo temos o H264, AAC e por aí vai. Ou seja, trata-se de um bouquet de padrões. No nosso caso, temos o sistema japonês. A diferença é que o sistema japonês foi realizado no Japão de forma diferente que no Brasil, mas continua sendo japonês. Se alguém pensa em contrário (que realmente temos inovações brasileiras), basta se perguntar quanto de royalties por patentes a indústria brasileira receberá por tais inovações. A resposta é: R$ 0,00. A única exceção é o Ginga-NCL/LUA, mas que neste caso foi entregue de graça. O mérito brasileiro está em incorporar padrões ainda não utilizados e que conferem mais qualidade ao resultado. Porém, estes padrões incorporados não são nossos. No final de contas, os especialistas brasileiros foram às compras e combinaram os melhores (e mais caros) padrões de mercado ao sistema japonês (que também era o mais caro). O resultado, um sistema moderno, com padrões estados da arte, e por isso, com produtos caros e que só será realmente necessário daqui a muitos anos. O tempo de implantação da TV digital é longo e normalmente passa de 10 anos. A demora que temos agora é natural mesmo. Em tempo. A TV Digital por satélite no Brasil está em uso há muitos anos e adotou o padrão europeu (DVB-S), mas pouca gente sabe disso.
2. Do ponto de vista do usuário, que é de onde a discussão nunca deveria ter saído (trata-se do único ponto de vista válido) é ele quem está pagando a conta. O usuário padrão de TV brasileiro é basicamente classe C, D e E, tem TVs de 14 e 21 pol e quer uma experiência passiva de TV (quer sentar e assistir e não interagir). Dentro deste ponto de vista o sistema japonês hoje seria matar uma formiga com um tiro de canhão. Vai muitíssimo além do que se precisa. Mesmo a questão da robustez do sinal (sem chuviscos e/ou sombras) e a possibilidade de oferecer serviços portáteis (celulares) e móveis (carros e ônibus) tem no sistema japonês muito mais do que se precisa hoje no Brasil. E a alta definição só é perceptível em telas acima de 32 polegadas e a questão muiti-canal só faz sentico com o conjunto de caixas acústicas adequadas que ainda não acompanham nenhuma TV. Mas isso não significa que a decisão foi incorreta, pois o sistema de TV digital é definido para ter uma vida útil de pelo menos 30 anos. Incorreto foi escolher agora um sistema que atenda aos requisitos de daqui a 10 anos ao invés de escolher um sistema que pudesse incorporar progressivamente as necessidades do usuário (a partir de inovações tupiquins). E a interatividade, o usuário vai querer ela de fato? Como alguém disse aqui, em nenhum lugar no mundo a interatividade decolou. Mesmo na Itália, onde o governo (país dirigido por um mega-empresário do ramo) conseguiu emplacar a interatividade após o programa de 50% de desconto dos set-top boxes com MHP. Por outro lado, eu não seria tão taxativo em dizer que a interatividade no Brasil não será utilizada. E por quê? Porque as classes C, D e E, maiores usuárias da TV aberta, precisam de soluções tecnológicas que lhes ajudem a utilizar os serviços públicos deste país. Interessante que aqui temos tido fenômenos únicos no mundo. Temos o sistema bancário mais desenvolvido tecnologicamente, serviços de imposto de renda 100% eletrônico e eleições igualmente 100% eletrônicas. Sinto que há uma possibilidade, ainda remota, do usuário brasileiro se beneficiar da interatividade na TV digital terrestre e utiliza-la, tornando-se mais um caso único no mundo. Bom, resumindo: O sistema japonês implantado no Brasil foi um equívoco sim, por ser muito caro e já atender requisitos que só estarão em curso daqui a muito tempo. Por que foi o escolhido? Não foi por causa do usuário, nem por ser uma tecnologia diferencial (pontos de vistas 1 e 2), mas por causa do ponto de vista 3.
3. Ponto de vista da cadeia de valor: quem lembra de como esta discussão começou vai lembrar dos idos de 1997, quando a NEC (japonesa) parceira de sangue da maior emissora de tv aberta do país, equipou a Mackenzie com um laboratório de testes de 1º mundo e apto para avaliar a performance dos três sistemas então disponíveis (americano, europeu e japonês). Logicamente ganhou o japonês e este era o preferido desta emissora, que pressionou até onde podia para que ele fosse adotado. Veio então o novo milênio e em 2002 o CPqD entrou na jogada liderando um grupo de estudos (ainda pequeno) que elaborou um relatório (até onde eu sei, nunca divulgado ao público) priorizando o desenvolvimento de tecnologia nacional a partir de uma plataforma européia. Ou seja, não foi por acaso que a decisão demorou tanto para ser tomada, pois a política das emissoras era de empurrar com a barriga até que a sardinha voltasse para o lado delas, o que aconteceu com a nomeação do Sr. Exmo. Ministro das Comunicações, egresso do meio e ferrenho defensor dos interesses das emissoras. A propósito, toda cadeia de valor tem um gerente (o maior interessado), e no caso da TV aberta, trata-se das emissoras, logo é natural que elas busquem influenciar o processo dentro de seus melhores interesses. O problema é que aqui o melhor interesse delas não era o do usuário e o governo tinha o papel de ser o viés da balança, mas não foi. O sistema japonês foi escolhido dentro de um acordo de cavalheiros. As emissoras se contentavam com as novidades do H264, do Ginga (e outras coisas menores) que eram de interesse dos especialistas (elas queriam o japonês tal como implantado no Japão), os especialistas se contentavam em ter um sistema fechado (o japonês é fechado), desde que eles tivessem privilégios (ainda que temporários) na fase de implantação do padrão e o governo? Bom, os que sabiam o que estava acontecendo queriam mesmo era garantir a próxima eleição com o apoio irrestrito das emissoras, ou, no pior dos casos, não queriam ficar contra elas. E os que não sabiam o que estava acontecendo caíram na conversa de todos, que se trata de um padrão misto, meio japonês, meio brasileiro.
Perdoem-me pelo comentário longo, mas me pareceu necessário. Em suma, temos no final um sistema muito caro, que não beneficiará a indústria nacional (apenas as multinacionais instaladas no Brasil), e que vai muito além do que precisamos agora. O que nos resta? Trabalhar para fazer deste limão uma limonada e que daqui a dez anos tenhamos de fato um sistema amplamente utilizado no Brasil, com tudo o que se tem direito. A única coisa que realmente me magoa nisso tudo é que será a população mais pobre do Brasil quem vai arcar com a evasão de divisar para os países detentores das tecnologias embutidas no sistema por esta brincadeira toda. E não é pouco dinheiro não...
18 Out 2009, 20:25
Alta definição é ótima, mas se tornará commodity dentro de alguns anos. É com a interatividade que as emissoras conseguirão diferenciação em sua programação, independentemente de serem de qualidade ou não.
Reforçando o que o Luiz Eduardo disse, no Brasil 98% da população tem TV aberta, contra menos de 20% com computador e internet.
E comparar interatividade na TV digital aberta com interatividade na Sky no Brasil é algo totalmente sem sentido. Só 7% da população brasileira tem TV paga, sendo que quase todos estes possuem computador com acesso internet em casa. Então, a interatividade nesta forma de TV não agrega muito valor ao seu telespectador, que já possui acesso a diversos outros recursos. Já nos EUA é mais fácil vermos a interatividade na TV fechada, que é a realidade de lá e está em quase 60% dos lares. Então comparações deste tipo são perigosas e tem diferentes leituras, sendo apenas especulativas enquanto o modelo de interatividade na TV aberta não se inicia aqui.
Enquanto isso, uma parcela gigante da população que nunca experimentou a possibilidade de serviços online, tanto de utilidade pública quanto de aplicações bobas e altamente comerciais (sim amigos, Big Brother tem audiência, movimenta muito dinheiro e é entretenimento para uma grande parcela da população) é um mercado em potencial.
Acredito na coexistência entre grandes aplicações de utilidade pública e modelos comerciais para fixar a audiência e movimentar a publicidade.
18 Out 2009, 19:20
Quando falamos de interatividade, quero lembrar que precisamos de um canal de retorno apenas para a interatividade full. Uma ferramenta de EAD sendo utilizada como material de apoio transmitida pela TV será muito bem vinda para a população ribeirinha da Amazonia. Ou ainda aplicações que diminuam a necessidade de comparecer a uma repartição pública para um serviço como contagem de tempo para aposentadoria.
Pensar que as TVs abertas é que irão levar serviço de qualidade para a população é uma ilusão. Quem fará a verdadeira revolução serão as TVs educativas e as universidades, como a UFPE que vem portando o Amadeus para a TV.
16 Out 2009, 17:12
Grande abraço a todos e estou na espera de novos comentários para que possasmos unir forças e conhecimento para cobrar nossos direitos nessa área que é tão obscura para tantos!
16 Out 2009, 13:15
Corrijam-me se estiver enganado.
16 Out 2009, 10:35
Pedro: as colocações do Pedro matheus complementam muito bem as minhas.
Obs: Fiz referência aos serviços mal prestados de consumo e cidadanismo por que estou passando por isso e acabei tendo que ir á CLARO pedir pelo amor de Deus que me auxiliem, por que os órgãos públicos não resolvem, e ainda terei que pagar mais 50 reais.
esta fioi minha última colocação para felicidade dos partidários. Xau
16 Out 2009, 10:17
De que adianta tudo isso, se o principal objetivo (do meu ponto de vista) da TV digital era acabar com areas de sombra, e com a imagem com chuvisco ou com o famoso fantasma ?
Agora pergunto, porque as emissoras de TV se preocupariam em ampliar a cobertura de sinal, ou a criar mais programas em HD se a massa nao tem acesso a tecnologia ?
Vejamos, hoje voce pode ir a um supermercado, e encontrar TVs de tubo sendo vendidas. a um preco bem em conta. Quem acredita que a massa vai comprar uma TV de 1500 reais, esta completamente alienado a realidade brasileira.
Veja, comprei a cerca de 8 meses uma TV de LCD de 42 polegadas, paguei na epoca 1999 reais e ela nao e FULL HD, e nem tem o decodificador interno. Mas de que adiantaria ela ser FULL HD e ter o Decodificador interno se onde moro ainda nao tem sinal digital, mesmo que eu efetuase a compra do decodificador, nao teria acesso a tecnologia. Isso porque moro a somente 22Km da praca da Se. (Itaquera / Zona Leste)
Ta, voces podem dizer que a massa pode comprar um setupbox e instalar na tv de tubo. Mas ai eu pergunto, voce sendo uma pessoa de posses restritas, se preocuparia em comprar um setupbox de 500 reais (ou como nosso ministro jura de 200 reais) para colocar na sua velha TV de tubo ou iria comprar uma TV de tubo nova por 400 ?
Agora a Massa nao tem dinheiro para comprar uma tv com capacidade para aproveitar todo potencial da imagem nitida da tv digital, voce acredita realmente que eles se preocupariam em pagar um pouco a mais por um sistema de interatividade ?
Lembrando que nao e somente comprar a TV ou o Setupbox, teria que comprar uma antena nova e repassar todo cabeamento para poder ter um nivel de sinal minimo para nao ocorrer a granulacao da imagem.
Porque se mantermos aquela antena velha com o "BomBril" e cabeamento todo remendado com fita crepe, e conectores rosqueados cheios de mal contato, nao vai aparecer nada na TV a nao ser uma tela azul.
Resumindo, a TV digital no Brasil ainda 'e e sera por muito tempo um sonho distante de consumo. Creio que dentro de 10 ou 20 anos estaremos realmente desfrutando da TVDigital, e quem sabe daqui a uns 30 ou 40 anos uniremos todos os nossos aparelhos (Computador, DVD/BLUERAY Player, Som, Decodificador, etc..) em um unico aparelho chamado TV. Ai sim, tendo interatividade real.
16 Out 2009, 09:32
O que sei é que na Europa, se vc assiste por exemplo uma corrida de fórmula um, vc tem milhares de possibilidades, vc vê a corrida de variados angulos,a bina não é paga, mas a tv se paga uma taxa trimestral, mas a coisa funciona, etc...
Concordo que as falcatruas massacram tudo que deveria estar ao alcance de todos....
Enfim cada um de vcs completa a lista de coisas que devemos correr atras ou tentar corrigir...e a coisa toda tem que começar por brasileiros como eu, aqui da escala mais perto do nada...aprendendo a conhecer esses safados que colocamos lá no topo da lista...
Nem vou desejar boa sorte, por que não é disso que precisamos...
Abraços
16 Out 2009, 09:07
@ Rubens: Eu me interesso. E garanto que muita gente que conheço se interessa também. Essa opinião de que interatividade é uma função "apêndice" da TV digital é como as mesmas argumentações de 15 anos atrás sobre o acesso à internet. Sua visão me parece um tanto estanque e retrógrada.
Se for assim, pra quê HDTV? Alta definição e qualidade de som são "features totalmente dispensáveis" e todos podemos ficar com nossas antigas TVs de CRT e transmissão analógica, pois o que interessa mesmo é ver a novela e assistir ao jornal.
Com respeito à DRM, não se trata de uma lei "pegar" ou "não pegar". Trata-se de uma lei. A DRM existe, sim. O fato de haver muita gente que não respeita a lei (por má intenção, ou por falta de conhecimento da própria lei) não é argumento para dizer que ela não existe.
16 Out 2009, 08:20
Vou dar um exemplo, que o problema no brasil é estrutural, institucional e representativo, politicamente. Tenho um 3G Claro há mais de 3 meses sem uso por que o modem licenciado pela CLARO não chega em minhas mãos, queimou e a representante não me entregou nem um substituto, muito menos o consertado. E olhem que estou em brasília, a capital do Brasil. Pois benm, abandonado pelos principais órgãos públicos e de defesa do consumidor, num dos casos hilários pelos quais passei foi: ligueio a ANATEL para que me dessem uma orientação sobre o que eu, como cidadão, poderia fazer ou exigir. Simplesmente a atendente, responsável por isso, não falei com a telefonista, falei com uma servidora que deveria me orientar. Ela simplesmente me disse que a ANATEL não faz gestão sobre modem´s, inisisti incansavelmente com ela em dizer que não estava querendo que a ANATEL intermediasse a solução do modem e sim que me orientasse sobre como fazer a Claro dar continuidade à prestação de serviço de comunicação. Independente do que fosse, modem ou sinal, o serviço deve ser contínuo, como usuário eu não deveria ter o meu usofruto do serviço interrompido. Concordam? Pois bem, a ANATEL continuou alegando ingerência sobre os modem´s. Conclusão: os colaboradores, servidores públicos concursados ou não, nem mesmo sabem sobre o que devem gerir.
Outro exemplo é este tal de BINA que a gente tem que pagar pra ter, enquanto nem mesmo o criador "existe" perante a lei. Até hoje ele briga pra ter o direito de receber pelo uso de um sistema que ele mesmo criou. Detalhe: é brasiliense.
Outro exemplo de descaso: o Brasil inteiro é contra a taxa básica de telefonia fixa. Muitas autoridades o são e muitas também já se pronunciaram contra, mas nada é feito. Pelo contrário já houve aprovação de aumento da tarifa básica. Um absurdo, mas o que esperar se, parece-me até, hoje um dos acionistas e até premiado como grande revelação empresarial e empreendedorismo é filho do presidente da república.
Quando começarama a discussão sobre a adoção da tecnologia de televisão de alta definição eu já imaginei que iria ser um canal de corrupção dos representantes políticos neste país, já que eles detêm a maioria das concessões de rádio e televisão. Imageinem com a interatividade. Estão querendo monitorar e controlar os os usuários da internet, um crime isso.
Não quero me alongar sobre tantas falcatruas a que somso vítimas, provocadas pelos nossos próprios patrícios políticos brasileiros. Mas finalmente quero colocar o seguinte.nem acho que todos os recursos da tv digital possíveis possam ser chamados de embarcados, acredito que sejam "built in" mesmo. O que me amedronta no futuro do Brasil é que irão vender os recursos fatiados, cobrando absurdos para manter o crescimento da distância entre os mais ricos e os mais pobres deste país. Vão fazer isso para que o brasil continue sendo um páis grande concentrador de riquezas, como tem acontecido de seis anos para cá. Nunca os Banqueiros ganharam tanto na história deste país. o que mais me revolta é que tudo isso aconteceu, principalmente, sei que vem acontecendo sempre, mas se acentuou mais quando um dos menos abastados se projetou com demagogias e nem mesmo fez cumprir uma única de suas enganações para se eleger presidente. Aliás já estou me repetindo e até desvirtuando o assunto. Desculpe Jomar, se quiser pode me expulsar publicamente, mas acho que deveria ter dito mais uma vez. E sabe por que? Por que toda vez que se inicia uma lista de discussão, não é só aqui não, em todas que vejo. As pessoas acabam defendendo partidarismo como se o problema fosse esse. O problema, já disse: institucional, ético, moral, político, corrupção. ABRAÇOS e desculpem.
07 Out 2009, 14:35
É muito bacana falar -- em teoria --, em aplicacoes para aposentados. O que eu quero ver são os velhinhos, na vida real, se interessando em comprar set-top-box, instalar com canal de retorno (sabe-se lá deus como será a qualidade do serviço), aprenderem a usar e efetivamente USAREM isso. Isso quando eles sequer sabem usar um Caixa Eletronico de banco!
Isso tudo envolve muito papo de político e de técnicos sem uma visão da vida real. Quero ver como será a realidade na prática, e não na teoria.
Assim, continuo perguntando: em que país do mundo a interatividade na tv interessou realmente às pessoas, e possui alguma relevância ou utilidade real?
07 Out 2009, 09:48
O Ginga é uma revolução no modo de assistir e interagir com a TV, cabe aos desenvolvedores criarem aplicações úteis e tenho certeza que isto começará pelas TV's públicas. As emissoras de TV comerciais se interessam por aplicações que divulguem produtos ou programas do seu canal e isto sim é algo totalmente descartável, principalmente consideram a qualidade dos programas que hoje tem interatividade (Novelas e Reality's).
Passamos também pelos modelos de negócios de interativdade para as TV's comerciais que ainda não foram definidos, afinal é um novo paradigma que muda a forma de pensar em relação a propaganda, onde um comercial pode interferir no outro, e nesse meio a concorrência é muito grande e todos querem ganhar dinheiro rápido.
Tenho certeza que para isto a tecnologia precisa evoluir por todos os lados e como estamos vendo não é tão rápido quanto gostaríamos. Mas o que acha de uma aplicação onde o aposentado saiba o dia do seu pagamento em determinado mês, tudo pela TV sem a necessidade acessar a Internet ou ligar para uma central de atendimento? Ou uma aplicação que forneça informações sobre como encaminhar aposentadoria, ou lhe informe onde é o endereço da agência do INSS mais próximo do seu endereço? Tudo isto já é realidade em termos de aplicações prontas, só temos que evoluir para que o cidadão receba esse sinal! Um detalhe... não precisa de uma TV Lcd Full Hd, pode ser numa TV 14 polegadas ligada a um set-top box.
O Brasil pode ser o país da interatividade na TV!
06 Out 2009, 12:39
O que eu quero ver é as pessoas comprarem essa ideia, e realmente passarem a usar. Até hoje eu nunca vi uma unica aplicacao de interatividade na tv que fosse realmente interessante ou util.
E eu insisto na pergunta: em que país do mundo a interatividade na tv possui alguma relevância ou utilidade real?
06 Out 2009, 09:27
assino em baixo de tudo que escrevestes.
A Interatividade, para os usuários, é mais importante do que a tal da alta definição.
É mais importante para a democracia e para o futuro de nosso País.
Claro que para os lobistas da indústria não tem sentido algum. Para eles, é totalmente dispensável.
Parabéns pelo teu trabalho.
04 Out 2009, 21:53
1. POR QUE você, ao menos aparentemente, dá tanta importância a algo totalmente secundário como a interatividade na tv? Qual a real utilidade disso? Em que país do mundo a interatividade na tv possui alguma relevância ou utilidade real?
Ginga? Para mim será um componente completamente inútil, ainda mais em um mundo com internet (e no qual alguns televisores disponíveis no mercado já oferecem o acesso à mesma). Estou pouco me lixando para o Ginga!
Até onde eu saiba, não existe em todo o mundo um único exemplo real de BOA utilização da prometida interatividade na tv. Para o telespectador, inclusive, é uma feature completamente inútil.
2. Também inexiste em todo o planeta algum exemplo de país que tenha implementado HDTV e em apenas 1 ou 2 anos tivesse toda a sua programacao transmitida em alta resolucao. Por que então desse seu segundo questionamento, para algo que é absolutamente normal? (o baixo percentual atual de programacao em HD).
3. DRM, ao menos no momento, inexiste no Brasil. Nenhuma emissora aberta está impedindo que sua programacao seja gravada em alta definicao (desde que voce possua o equipamento apropriado).
4. Ninguém é obrigado a vender no Brasil equipamento com suporte a interatividade (graças a deus, que eu nao gostaria de ver a implantacao da HDTV no Brasil atrasar e encarecer ainda mais por conta de uma feature que não desperta o menor interesse.
É isso: HDTV é alta definicao de imagem, áudio Dolby 5.1, EPG e informacoes na tela. O resto é totalmente dispensável.






