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GIMP - Redimensionando e imprimindo imagens sem mistérios

Colaboração: Bruno Buys

Data de Publicação: 08 de Dezembro de 2007

O GIMP oferece algumas opções e diálogos para definirmos o tamanho das nossas imagens, a resolução e o tamanho para impressão.

Mas como assim, definir esses valores?? Eles são características próprias da imagem, certo??

Por incrível que pareça, não.

O mais importante a se entender é que quando uma câmera digital faz uma foto, ela *não tem* um tamanho absoluto, ou fixo. E também não tem uma resolução absoluta.

Só o que ela tem são duas dimensões dadas em pixels. Mas essas dimensões não estão vinculadas a uma unidade de medida física. Isso não é curioso?

Mas na impressão de imagens, entre os designers, artistas digitais e birôs gráficos, existe um tabu (ou um mantra, se você preferir), que diz que temos que usar a resolução de 300dpi para obter uma boa impressão. Você já deve ter ouvido isso alguma vez. Está certo?

Depende.

Como a resolução de 300dpi se tornou um mantra, isso acaba criando uma relação conhecida entre os pixels da imagem e uma medida real, que é a polegada. Exemplo: Se a sua imagem tem 900 pixels de largura, em 300dpi ela fica com 3 polegadas de largura, quando impressa. Note que dpi são dots per inch, ou pontos por polegadas.

No GIMP você tem acesso a estes dados sobre a imagem indo no menu Imagem. Lá existe tanto a opção "Tamanho para Impressão" quanto "Redimensionar Imagem". Ali você pode redefinir estes parâmetros bem como mudar as unidades, se achar que polegada é incômodo demais...

Mas nós não precisamos continuar rezando o mantra dos 300dpi, certo?

Certo.

Uma imagem impressa em 300dpi será de boa qualidade na maioria das situações, e é para isso que existem valores defaults para as coisas: para dar mais ou menos certo mais ou menos sempre. Mas nós podemos começar a abandonar esse valor default, se entendermos conceitualmente algumas coisas sobre impressão de imagens:

Quando uma impressora imprime um ponto no papel, a tinta pode espalhar-se sobre a superfície, ocupando uma área maior do que a desejada. Em impressão isso chama-se ganho de ponto, e depende do tipo e da densidade do papel, do tipo de tinta, da impressora, enfim, da combinação entre equipamento e mídia de saída.

Em papel jornal, por exemplo, o ponto é grande e perfeitamente visível. Mas não nos incomodamos muito com isso, graças à habilidade do olho humano em se treinar para interpretar imagens, e remontá-las segundo nossa expectativa.

Algumas combinações de papel e tinta podem chegar a ter ganhos de ponto como 20%, o que é bastante. Isso influencia a maneira como você vai perceber a imagem, já que a resolução refere-se exatamente a densidade de pontos distribuídos no papel. Em casos extremos pode acontecer de as tintas se misturarem indesejadamente no papel. Se as cores se unem, elas se transformam em novas cores (segundo a boa e velha teoria das cores) e a imagem começa a se afastar da original.

Só existe vantagem real em imprimir algo em 300dpi se você testou o seu equipamento, sua tinta e a sua mídia de saída (o papel) e concluiu que essa resolução realmente é melhor que, digamos, 250dpi. Ou, em outras palavras: só com a combinação correta de equipamento e mídias você obtém a qualidade que o padrão de 300dpi oferece.

Mas se você tentar imprimir em 250dpi, ou 200dpi e perceber que não há muita (ou nenhuma) diferença, então você pode usar esse conhecimento para imprimir imagens maiores. Sim, porque com menor densidade de pontos, maior o espaço ocupado pela imagem. E não há nenhum problema em imprimir em 250 ou 200dpi (aliás, em nenhum outro valor...).

Ou, por outro lado, você pode estar interessado em maior qualidade, em vez de tamanho. Nesse caso, pode tentar imprimir em um papel mais pesado. Os papéis A4 mais comuns no nosso mercado são os de 75g/m2. Mas existem também os de 90g/m2. Papéis de maior densidade podem agüentar mais tinta sem aumentar o ganho de ponto. Isso quer dizer que você obtém de fato a resolução que queria.

No diálogo Tamanho para Impressão você pode experimentar com os valores de tamanho e resolução, sem alterar o tamanho real da imagem. Nesse diálogo essas grandezas são interdependentes. Repare que o GIMP faz essas operações quase instantaneamente. Isso acontece porque trata-se somente de escrever os novos valores nas meta-informações que vão nos cabecalhos do arquivo. O programa não aplica nenhuma transformação real nos pixels.

Então para redimensionar de verdade, é só ir no diálogo Redimensionar imagem, definir o valor e correr para o abraço. Certo?

Errado.

Em Redimensionar imagem, você pode sim, esticar a imagem, definindo valores de altura e largura maiores do que os originais. Para isso o GIMP aplica tranformações reais nos pixels da imagem (veja como demora mais, e usa cpu), inventando novos pixels para preencher o espaço, até chegar ao novo tamanho. Essa espécie de pilantragem digital é feita segundo critérios, é claro. O GIMP mede os pixels próximos, faz cálculos para tornar a imagem melhor possível. Mas mesmo assim, lembre-se que isso é ruído introduzido na informação fotográfica. Quando faz isso, o GIMP está criando pixels que a câmera não viu. Se você fizer alguns testes, verá que isso funciona até um certo limite, depois do qual o ruído fica visível e começa a atrapalhar muito. E em geral, o aumento de tamanho não chega a ser vantajoso.

Daí que chegamos à última conclusão dessa dica: use sempre a configuração que a sua máquina tem para produzir a maior imagem possível. Com preços baixos das mídias de armazenamento, não vale a pena economizar espaço. Você se arrisca a ter imagens de 640x480 que são visualizáveis somente no monitor, e se quiser algum dia imprimi-las, terá que, ou se contentar com fotos do tamanho de um cartão de crédito, ou então apelar para alguma pilantragem digital.

Uma referência rápida: em uma câmera de 6MP, o tamanho máximo do quadro é de aproximadamente 2000x3000. Usando nosso tabu de 300dpi, essa foto fica impressa em 6,67 x 10 polegadas. Em centímetros, 17 x 25. Mal ocupa uma folha A4. Como você vai fazer aquele super-porta-retratos da sua viagem de férias, sem uma foto legal, grandona??

Boa gimpagem!!

Observação

Não leve a minha definição de pilantragem tão a sério. A ferramenta de redefinir tamanho da imagem está lá por boas razões. Às vezes não temos acesso à imagem original, e não nos resta outra alternativa. Ou ainda, nem toda a imagem precisa ser informativa e acurada. Um trabalho artístico pode utilizar o recurso de estourar pixels, para obter um dado efeito.

Veja a relação completa dos artigos de Bruno Buys

Referências Adicionais

Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.

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Opinião dos Leitores

bruno
10 Dez 2007, 13:19
Oi Daniel e Meira,
Obrigado pelo comentário e pela leitura.

Meira,
Meu entendimento de ganho de ponto segue este da wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Dot_gain

Não adianta uma impressora usar X quantidade de tinta para criar um ponto de um certo tamanho se o papel não segura o ponto daquele tamanho, e a tinta se difunde.

O seu raciocínio sobre pixels na tela e na impressão está correto. Tanto photoshop quanto gimp apenas mudam uma informação nos metadados exif da imagem. O dado está lá para que programas e dispositivos que os lêem procurem ser fiéis àquela informação. Mas ela pode ser mudada ao gosto do freguês, daí a importância de sabermos acessar e editar
metadados.
Daniel Chepuck
08 Dez 2007, 09:50
Sem entrar na discussão da precisão técnica, para um leigo como eu, o texto foi esclarecedor e gostaria de elogiar o autor pela clareza da comunicação.
José Antonio Meira da Rocha
08 Dez 2007, 00:39
Parabéns pelo artigo. Bem legal, embora ele tenha algumas imprecisões. Confunde ganho de ponto com retícula, por exemplo. O ganho de ponto não tem relação com a resolução, mas com o equilíbrio dda faixa de cinza na imagem. É a retícula (que não existe em geral em drivers de impressoras jato de tinta) que tem relação com resolução. A regra das artes gráficas é que a resolução de um imagem deve ser o dobro da retícula em que ela será impressa. Em jornal P&B, a retícula é de 100 pontos por polegada; portanto, devemos usar imagens com 200 dots per inch. Revistas usam 133 linhas por polegada; portanto, as imagens devem ter 266 dots per inches. Mais sobre o mitos das DPIs em http://meiradarocha.jor.br/news/2007/06/14/definitivamente-as-medidas-de-dpi-nao-modificam-o-tamanho-dos-arquivos-de-imagens-digitais/
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