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Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
Data de Publicação: 24 de Setembro de 2007
O software Moodle é hoje um dos melhores e mais bem sucedidos ambientes de aprendizagem virtual do mercado. O Moodle é software livre e é distribuído sob a licença GPL. Esta licença possui uma longa história. De forma resumida, ela estabelece quatro pontos principais:
O movimento de software livre experimentou uma grande popularização nos últimos anos. Popularização em termos de conhecimento, em que seu rosto mais conhecido são os sistemas GNU/Linux. Entretanto, mesmo com todo este sucesso, grande parte das pessoas ainda não sabem exatamente o que é software livre. Software livre não se trata, em absoluto, de preço, custo, e sim de liberdade.
Ao contrário das licenças tradicionais de software, a licença GPL (GNU Public License) visa, antes de tudo, defender os direitos ou liberdades do usuário. Por mais óbvias que estas liberdades possam parecer, basta ler os termos de licença da maioria dos softwares proprietários para entender que elas não são assim tão óbvias.
Retornando ao Moodle, muitas pessoas se surpreendem, e até mesmo se assustam, quando descobrem que existem dois sítios a partir dos quais se pode baixar o software Moodle: Moodle.org e Moodle.com. A reação imediata é pensar que os criadores do Moodle irão mudar a forma de licenciamento do software, passando a cobrar pelo seu uso. Esta reação é totalmente descabida por várias razões. A primeira delas é que o Moodle é hoje, assim como o kernel do Linux, um esforço colaborativo, que envolve dezenas ou mesmo centenas de pessoas. Além do desenvolvimento do núcleo do Moodle, existem centenas de módulos adicionais, também desenvolvidos por voluntários, que permitem que o Moodle atenda a um número enorme de necessidades. Resumidamente, é um ambiente rico, por aceitar contribuições de uma forma extremamente dinâmica. A principal razão pela qual o Moodle atingiu o estado de excelência de que goza hoje, é justamente o seu licenciamento através da GPL, que é uma licença voltada para o usuário final e para a liberdade. Certamente, tivesse sido outro o modelo de licenciamento, esta mesma riqueza, e o seu sucesso, não teriam ocorrido.
Muitas pessoas possuem lembranças amargas de softwares distribuidos gratuitamente e que posteriormente mudaram a sua forma de licenciamento. São vários os modelos existentes. Apenas para citar alguns modelos, existem softwares em estágio beta de desenvolvimento que são distribuídos gratuitamente na Internet, outros que são distribuídos sem restrições para universidades, instituições de ensino e organizações sem fins lucrativos. A comunidade de educação a distância teve uma experiência amarga com o WebCT, que era distribuido gratuitamente, passando a ser cobrado alguns anos depois, e que teve seu preço reajustado de forma bastante agressiva quando já havia conquistado uma ampla comunidade de usuários. Cabe lembrar todavia que o WebCT nunca foi um software livre, na acepção descrita na licença GPL. Da mesma forma, desde seu início, foi um sistema totalmente fechado a colaborações, com seu desenvolvimento centralizado originalmente na universidade de British Columbia, no Canadá, e posteriormente pela empresa WebCT, hoje adquirida pela BlackBoard.
Em todos estes casos, a cobrança sempre vem. A gratuidade é apenas uma forma muito inteligente de se obter publicidade barata e conquistar uma base de usuários. A Internet é um meio extremamente propício para a disseminação de produtos como estes. Uma vez conquistada esta base e criada uma dependência, a empresa fica então livre para impor seus termos e, dependendo do tipo de dependência adquirida, estes termos são extremamente rigorosos e muitas vezes injustos.
Uma outra concepção extremamente enganosa é julgar que é ilegal ou imoral ganhar dinheiro com software livre. O modelo de negócios é diferente, baseado em serviços. O software é livre e gratuito e você pode usá-lo como quiser ou modificá-lo segundo a sua conveniência. Caso você deseje um atendimento diferenciado, necessite de funcionalidades adicionais ou consultoria para uso, nada mais normal do que contratar os desenvolvedores para estas tarefas. A questão principal do software livre não é o custo, e sim a liberdade. A existência do site Moodle.com indica simplesmente que existe um canal comercial para atender necessidades individualizadas. O portal Moodle.org é o portal da comunidade, com diversos links para a comunidade de usuários, suporte gratuito, download do software e módulos adicionais e muito mais. A equipe de mantenedores do Moodle, com a manutenção de dois portais (moodle.com e moodle.org) deixa isto bastante claro.
Mesmo que em um acesso de loucura e insensatez, os desenvolvedores originais do Moodle resolvessem modificar a forma de licenciamento, todas as versões anteriores continuariam livres. Adicionalmente, por ser o Moodle um projeto da comunidade, com contribuições de dezenas de pessoas, para se fechar o código e mudar o modelo de licenciamento, todas estas pessoas teriam que ser contactadas para dar sua autorização, o que é extremamente difícil. A alternativa seria então "limpar" o código das contribuições dos voluntários, o que equivaleria a reescrever todo o sistema. Neste ponto, o dano à imagem do Moodle e seus desenvolvedores seria irreversível. Quem iria confiar em uma empresa como esta?
Por todas estas razões, se a sua escolha recaiu sobre o Moodle, fique tranquilo. O Moodle é um ambiente dinâmico, com um cronograma de desenvolvimento público e uma comunidade extremamente atuante e fervilhante de criatividade.
Este artigo foi publicado originalmente no Boletim EAD do Centro de Computação da Unicamp
Veja a relação completa dos artigos de Rubens Queiroz de Almeida
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.
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