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Indústria pensa em punir quem baixa MP3 no Brasil
Colaboração: Paulo Rebêlo
Data de Publicação: 25 de Janeiro de 2006
Fonte: WebInsider
Milhões de brasileiros trocam arquivos de música em redes P2P. Indústria fonográfica prepara dossiê e analisa a viabilidade de processar judicialmente o usuário doméstico que baixa MP3 pela web.**
Por Paulo Rebêlo, com Folha de Pernambuco e colaboração de Guilherme Gatis.
Ano 2003. Um curitibano é preso em casa, na frente das duas filhas pequenas,
acusado de vender MP3 pela internet. O assunto ganha as manchetes de todo o
País. Quatro dias depois, ele é solto e o processo continua em trâmite. Com
tanta polêmica, o assunto cai no esquecimento da mídia e a indústria
fonográfica brasileira evita continuar os processos judiciais.
Ano 2006, hoje. As barraquinhas de CDs piratas se multiplicam em cada esquina
das capitais brasileiras. Os álbuns de artistas famosos chegam ao mercado
"alternativo" antes mesmo do lançamento oficial. Ao lado de delegacias e
edifícios de instituições públicas, caixas e mais caixas de discos piratas
são vendidos a R$ 5,00 - enquanto, nas lojas, o preço chega a valores surreais
de R$ 30, R$ 35 ou mais para um CD fabricado nacionalmente.
Com tanta coisa errada vindo de cima, a indústria fonográfica prepara um
dossiê para, pelos próximos meses, analisar a possibilidade de processar
judicialmente o usuário doméstico: aquele que está em casa, não vende nada
ilegal, mas baixa MP3 pela web.
Fazer download de arquivos MP3, com músicas protegidas por direitos autorais,
consiste em pirataria e é crime. O grande dilema na internet, nos últimos
cinco anos, tem sido a classificação de até onde é ilegal baixar músicas pela
rede. O usuário comum, que às vezes sequer tem noção de que um arquivo MP3
é ilegal, deve ir preso? E os atravessadores que vendem as músicas piratas,
onde se encaixam? E por que há tantas barracas de CDs piratas nas cidades,
debaixo do nariz das autoridades?
São perguntas cujas respostas, até hoje, se perdem entre a burocracia da
Justiça, a complacência de vários artistas e ações estranhas da indústria
fonográfica que, agora, pensa em voltar a processar usuários domésticos
no Brasil.
Na luta contra a troca de arquivos piratas na internet (filesharing),
a indústria americana já tentou de tudo - tirar programas do ar, fechar
sites que funcionavam ilegalmente e processar internautas que baixam
MP3. No Brasil, o panorama é mais ameno, ao menos por enquanto. A batalha
da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) é contra os discos
piratas, vendidos livremente nas ruas, deixando os usuários livres para
baixar músicas em programas P2P, do tipo Kazaa, eMule, Shareaza, entre
outros. Acontece que esta situação pode estar próxima de um relativo fim,
pois a ABPD agora está de olho na troca de arquivos.
Em recente entrevista ao IDGNow, o diretor-geral da ABPD, Paulo Rosa, revelou
que o P2P no Brasil está com os dias contados. A associação está preparando
um dossiê para medir o mercado ilegal de música digital, calcular os prejuízos
e criar estratégias que podem incluir tanto medidas educativas como judiciais.
Com a polêmica solta, a ABPD deu um passo atrás e, procurada pela Folha de
Pernambuco, negou-se a comentar a possibilidade de processar usuários. A
associação confirma o dossiê e, após várias tentativas com a reportagem,
revelou por meio de assessoria que o diretor-geral estava em férias e não
poderia comentar. Enquanto isso, artistas e usuários pernambucanos ficam de
sobreaviso e revelam suas opiniões sobre a questão.
MP3 impacta artistas e público
Baixar música pela internet não é mais um vício. Para vários artistas
e usuários, tornou-se uma necessidade primária para conhecer novos sons,
outras musicalidades e, claro, reverter o peso econômico. Afinal, não é todo
mundo que pode resistir a comprar um CD por R$ 30,00 enquanto, na esquina,
o mesmo conteúdo musical é vendido a R$ 5,00.
Segundo dados do Ibope NetRatings, só em novembro do ano passado, mais de
2,5 milhões de brasileiros participaram de trocas de arquivos em programas
P2P. O mais acessado foi o eMule, com 1,2 milhões de internautas. O volume de
downloads começa a preocupar a Associação Brasileira de Produtores de Discos
(ABPD), que vai observar o comportamento do internauta brasileiro nas redes
de troca.
A postura da ABPD já preocupa os internautas. Para a estudante de Direito
Carolina Medeiros, se não fosse o MP3, ela não conheceria metade das bandas
que gosta. "Já cheguei a viajar pelo mundo para assistir a shows de gente
que conheci graças ao MP3, mas não tenho o hábito de comprar CDs", admite.
Para o músico Haymone Neto, a questão é ainda mais simples. "Acho que trocar
músicas pela internet não é pirataria. Eu não estou vendendo os discos,
muito menos ganhando com isso, apenas compartilho a música que gosto com meus
amigos. A pirataria de verdade é feita por quadrilhas internacionais. Eu só
baixo música e disponibilizo música, assim como eu compro discos, empresto
discos ou pego um livro na biblioteca sem pagar e não é legal, dentro da
lei"?, questiona.
O advogado Ludovino Lopes, especializado em direito digital, esclarece
que uma decisão judicial contrária ao usuário depende de uma tecnologia
que seja capaz de gerar uma prova pericial de natureza digital. "Questões
como a privacidade do internauta ou se ele efetivamente sabia que a música
baixada era protegida por copyright devem ser respeitadas. Apenas com um
advento tecnológico que permita essas regulamentações é possível avançarmos
na área jurídica. Sem esse amparo, a lei fica morta, pois dúvidas podem ser
levantadas no processo e em caso de dúvida o juiz sempre decidirá a favor
do réu", adianta.
Pontos de vista
Pela lógica de acionar a Justiça contra usuários domésticos, quem usufrui de
programas como Kazaa, Grokster e eMule passa a receber o mesmo tratamento de
quem rouba um supermercado. Para alguns, é um exagero. Para outros, a lógica
está correta e tem de ser assim mesmo. O interessante é que, com isso, as
gravadoras vão processar os próprios consumidores que a sustentam. Quem for
processado, terá que pagar uma indenização a elas. Ninguém, em sã consciência,
voltará a comprar um CD distribuído pela mesma gravadora.
Aos poucos, a indústria mina uma série de possibilidades para fazer bom uso
de novas tecnologias e uma gama de possibilidades interessantes para gerar
receita. Ninguém, também em sã consciência, opta por um produto pirata porque
quer. Sobretudo no Brasil, não é - nunca foi - uma questão de opção.
Até hoje, o consumidor sempre esteve em desvantagem em relação à indústria. Só
pode comprar o que a indústria local oferece e o que as lojas empurram. Pior,
com preços ditados de cima. Novamente, não é questão de opção. Da mesma forma
que o computador nos libertou da máquina de escrever (quanto trabalho era
corrigir um erro de português!) e o CD nos libertou da fita K7, do ponto de
vista do consumidor o MP3 e a internet estão aí para dar algo com o que não
estava acostumado: opção e um catálogo muito mais vasto.
Apenas um caso de prisão no Brasil
Em agosto de 2003, a polícia do Paraná entrou na casa do curitibano Alvir
Reichert Junior e o prendeu, sob acusação de que trocava e vendia MP3 pela
internet. A prisão ocorreu após uma investigação da Associação Protetora dos
Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), hoje vinculada à ABPD. Reichert
teve dois computadores apreendidos, além de um gravador de CD e vários discos
piratas. Uma estrutura completamente amadora. Igual a que muita gente tem
em casa por diversão. A ação policial ocorreu logo pela manhã cedo, diante
de duas filhas pequenas incrédulas e aos prantos, segundo contou Reichert
à imprensa, na época.
De acordo com Valdemar Ribeiro, então diretor da APDIF, tratou-se da primeira
ação efetiva do gênero, depois de quatro meses de investigação. Procurados
pela Folha de Pernambuco, os advogados não revelam maiores detalhes para não
atrapalhar o inquérito, mas mostraram o processo à reportagem. Na época,
para o advogado especializado em Direito da Informática Omar Kaminski, as
autoridades deviam se preocupar em ir atrás dos grandes fraudadores. "Está
havendo mobilização de força policial e imposição privativa de liberdade
para a proteção de interesses corporativos, deixando tantos outros para
terceiro plano. A pirataria fonográfica industrial, em larga escala, é
que traz prejuízos ao país com a sonegação de impostos", critica Kaminski.
Músicos de Pernambuco opinam
O cenário musical de Pernambuco é reconhecido internacionalmente. Ícones de uma
revolução nada silenciosa, vários artistas locais despontaram em gravadoras
e fazem sucesso com o público a partir de ações inusitadas, como é o caso
do Mombojó, que coloca as músicas dos CDs disponíveis em MP3 na internet,
de graça. A Folha de Pernambuco conversou com Silvério Pessoa e DJ Dolores
Hélder Aragão sobre a postura da ABPD. Ambos são donos de um iPod, antenados
na tecnologia de música digital e, curiosamente, confessam serem dependentes
da liberdade que o MP3 proporciona ao artista. Confira a opinião dos dois.
SILVÉRIO PESSOA. A possibilidade de ser processado por baixar música é
absurda. Meus melhores amigos são o meu Macintosh e o meu iPod, onde tenho
mais de cinco mil arquivos de MP3 e vivo conectado. Como usuário, acho um
anacronismo a possibilidade de um processo cair nas nossas costas. Não faz
sentido as indústrias fonográficas remarem contra a maré. Elas precisam
entender que a troca de arquivos na rede é um caminho sem volta. Eu mesmo
vou colocar todas as faixas do meu CD na internet, na boa.
Qual vai ser o critério da ABPD para processar os usuários? Não entendo como
alguém pode ser preso porque baixou um disco do Marcelo D2 ou porque fez
o download de músicas da Madonna. Sou totalmente a favor, não só do MP3,
mas também das cópias.
O artista tem que investir nos shows, nas apresentações, que é quando
realmente se ganha dinheiro. Não vejo problemas com os piratas. Ficarei
realizado como artista quando encontrar um disco meu para vender nessas
barraquinhas de CD pirateados. Hoje, os próprios artistas não se opõem ao
MP3. Muitos, inclusive, já utilizam o formato como forma de divulgação. Não
vejo razão alguma para combater um formato que já está consolidado, que já
faz parte da cultura dos jovens.
DJ DOLORES. A situação é tão absurda que vivemos em um estado de desobediência
civil instintiva. Quem pode barrar uma possibilidade tão boa de se informar,
trocar idéias com o resto do mundo? Milhões de pessoas agora mesmo estão
trocando arquivos através do soulseek, do kazaa, emule etc. Quem tem que
mudar é a indústria que não encara o fato de que estamos numa era digital
e um disco metálico em embalagem de plástico já não é um produto, digamos
assim, tão atraente.
O conteúdo musical não precisa mais de um suporte físico. Quando a gente vê
o benefício que a internet proporciona para quem tem a sorte de ter acesso
a um computador e a uma linha telefônica, não dá nenhuma vontade de voltar
atrás no passado.
Os softwares P2P são um avanço para humanidade, estimulam a curiosidade. Seria
injusto fechar essas portas, principalmente num país economicamente deficiente
como o Brasil. Sabe o que é pior? Nós, os artistas, em grande maioria, não
nos importamos que o moleque baixe um, dois, três discos ou mesmo a nossa
discografia completa. Quem se importa é o executivo de gravadora do alto
de sua ganância. Participei do CD de lançamento do Creative Commons. No
mesmo CD tinha David Byrne, Beastie Boys, Matmus, Gilberto Gil, Thievery
Corporation - todos artistas do primeiro time da indústria que não se importam
em liberar faixas em MP3.
Veja a relação completa dos artigos de Paulo Rebêlo
Referências Adicionais
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.
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Opinião dos Leitores
katia carolina
27 Jul 2007, 14:20
comprei um mp4 mais nao sei como por musicas nele,como faço pra por musicas baixadas da internet no mp4?/
respondam por favor
grata
miguel
08 Jul 2007, 17:15
5hs94r
eu queria botar music no meu mp4 como faça???
miguel
08 Jul 2007, 17:14
eu queria baixar music pra eu batar no meu mp4 como faço???
miguel
08 Jul 2007, 17:12
eu quero baixa um programa q baixa musicas como eu faço pra acha esse programa???????????
Henrique Melo
28 Jun 2007, 17:54
<H1>OBRIGADO SILVÉRIO</H1>
DxRxIx
23 Jun 2007, 17:46
Honestamente ñ tenho mais o costume de comprar CD's, mas conto com quase duas centenas deles em casa (todos originais). Nada impede de comprar um CD para um amigo ou amiga como presente, e muitas vezes através de referências que se encontra baixando MP3. A divulgação via filesharing (ao menos neste ponto de vista) parece vantajosa ñ?
beck
24 Mai 2007, 18:51
muito bom é legal mesmo isso ...
notlimah
14 Mai 2007, 16:07
game over for all fuckin´record companies! fuck all executives and music producers (money lovers, money slaves)....mp3 is the future!
noTLimah
14 Mai 2007, 16:04
game over for record companies! you all gonna have to swallow mp3, executives motherfuckers!
maria aparecida de souza
09 Mai 2007, 23:15
eu quero baixar musica
jorge
01 Mai 2007, 14:03
eu quero baixa um programa q baixa musicas como eu faço pra acha esse programa???????????
odaildo
06 Abr 2007, 00:26
musica
roni
04 Fev 2007, 14:51
eu quero baixa musicas misera
valdir
20 Out 2006, 23:33
Correção: citei 2006 quando deveria colocar 1996 no meu texto. Valdir
xd
18 Out 2006, 07:10
eles todos fedem, se for assim eles vao precisar processar o brasl inteiro porque todo mundo faz isso. Ignorantes são eles =)
Ricardo
10 Set 2006, 05:27
sdasgssrreeeerasserrseerasaereees