Logotipo Dicas-L, por Ricardo Burile

Busca

Visite também: UnderLinux ·  VivaOLinux ·  LinuxSecurity ·  NoticiasLinux ·  BR-Linux ·  SoftwareLivre.org ·  [mais]   
 

Você está aqui: Home  → Arquivo Dicas-L

 

Mão na Massa - Programação Shell

Assine a Lista Dicas-L

Receba diariamente por email as dicas
de informática publicadas neste site
Para se descadastrar, clique aqui.

KVM via software com o Synergy

Colaboração: Carlos E. Morimoto

Data de Publicação: 13 de Dezembro de 2005

Aproveitando a dica do César B. Silveira publicada aqui no Dicas-L a poucos dias, escrevi este artigo, dando mais detalhes sobre a configuração do Synergy e do Quicksynergy, além de apresentar o Kurumin-Synergy, uma interface que desenvolvi usando o Kommander, que pode ser instalada de forma mais simples.

Um KVM é um adaptador que permite ligar dois ou mais micros no mesmo teclado, mouse e monitor. Você pode chavear entre eles pressionando uma combinação de teclas, como "Scroll Lock, Scroll Lock, seta pra cima", o que passa não apenas o controle do mouse e teclado, mas troca também a imagem mostrada no monitor.

O Synergy permite fazer algo semelhante via software, "anexando" telas de outros micros, de forma a usar todos simultaneamente, com um único teclado e mouse. Imagine que você tem um desktop e um notebook, onde o notebook fica na mesa bem ao do monitor do desktop e você precisa se contorcer todo quando precisa fazer alguma coisa no notebook.

Usando o Synergy você pode anexar a tela do notebook ao seu desktop, fazendo com que ao mover o mouse para a direita (ou esquerda, de acordo com a configuração) ele mude automaticamente para a tela do notebook. Junto com o mouse, muda o foco do teclado e até mesmo a área de transferência é unificada, permitindo que você copie texto de um micro para o outro. Tudo é feito via rede, com uma baixa utilização do processador e um excelente desempenho.

No Linux, o Synergy pode tanto ser configurado manualmente, através do arquivo ".synergy.conf" (dentro do seu diretório de usuário), ou do arquivo "/etc/synergy.conf" (que vale para todos os usuários), quanto através do Quicksynergy, um configurador gráfico. Vamos começar aprendendo como fazer a configuração manualmente.

O primeiro passo é, naturalmente, instalar o Synergy nas duas máquinas. Ele é um programa comum, incluído em muitas distribuições. Nos derivados do Debian, instale-o via apt-get:

  # apt-get install synergy

Caso você não encontre um pacote para a sua distribuição, você pode baixar um pacote .rpm genérico, ou mesmo o pacote com o código fonte no: http://synergy2.sourceforge.net/.

Imagine que você quer controlar o notebook a partir do desktop e que o desktop está à esquerda e o notebook à direita. O nome do desktop na rede é "semprao" e o nome do notebook é "kurumin", onde o endereço IP do desktop é "192.168.0.10" e o do notebook é "192.168.0.48".

  		Desktop		Notebook
  nome:		semprao		kurumin
  ip:		192.168.0.10	192.168.0.48
  posição:	à esquerda		à direita 

Estas informações precisam ser especificadas no arquivo de configuração, ".synergy.conf" ou "/etc/synergy.conf". Ele é um arquivo simples com três seções, onde são especificados os nomes das máquinas (conforme definido na configuração da rede, ou no arquivo "/etc/hostname" e "/etc/hosts"), a posição de cada uma e os respectivos endereços IP. Em caso de dúvida sobre o nome de cada máquina, cheque com o comando "hostname".

Este arquivo é criado no PC que controlará os outros, o desktop no nosso caso. No nosso exemplo o arquivo ficaria:

  section: screens
  	semprao:
  	kurumin:
  end
  section: links
  	semprao:
  		right = kurumin
  	kurumin:
  		left = semprao
  end
  section: aliases
  	kurumin:
  		192.168.0.48
  end

Note que eu usei tabs para formatar o arquivo de forma que ele ficasse mais organizado, mas elas não influenciam a configuração. Como em outros arquivos, você pode usar tabs, espaços e quebras de linha extras para formatar o arquivo da forma que quiser. Use este arquivo como exemplo, alterando apenas os nomes e endereços IP dos micros.

Na seção "screens" vão os nomes das duas máquinas, na seção "links" é especificado quem fica à direita e quem fica a esquerda. No caso estou dizendo que o kurumin está à direita do semprao e vice-versa.

Finalmente, na seção "aliases" você relaciona o nome da máquina que será acessada a seu endereço IP.

Com o arquivo criado nas duas máquinas, falta apenas efetuar a conexão. Uma particularidade do Synergy é que o micro principal (o desktop no nosso exemplo) é o servidor, enquanto o micro que vai ser controlado por ele (o notebook) é o cliente. É por isso que a configuração é feita no desktop e não no notebook.

Para ativar o "servidor" Synergy no desktop, permitindo que o notebook se conecte a ele, usamos o comando:

  $ synergys -f

Para que o notebook se conecte e seja controlado por ele, usamos o comando:

  $ synergyc -f 192.168.0.10

...onde o 192.168.0.10 é o endereço IP do desktop. Ambos os comandos devem ser sempre executados usando seu login de usuário, não como root.

Se o notebook estiver em outra posição, à esquerda, acima ou abaixo da tela principal, use os parâmetros "left =", "up =" e "down =" na configuração. É possível ainda conectar dois ou mais micros simultaneamente, especificando a posição de cada um na configuração. Se, por exemplo, além do notebook à direita, tivermos um segundo desktop chamado "fedora" com o IP "192.168.0.21" à esquerda, o arquivo de configuração ficaria:

  section: screens
  	semprao:
  	kurumin:
  	fedora:
  end
  section: links
  	semprao:
  		right = kurumin
  		left  = fedora
  	kurumin:
  		left  = semprao
  	fedora:
  		right = semprao
  end
  section: aliases
  	kurumin:
  		192.168.0.48
  	fedora:
  		192.168.0.21
  end

Ao usar um firewall no "servidor", mantenha aberta a porta "24800", usada pelo Synergy.

Se você começar a usar o Synergy regularmente, a melhor forma de simplificar o processo é criar dos ícones no desktop do KDE (um no desktop, outro no notebook), que executam os comandos para estabelescer o link. Outra opção, é colocar o ícone com o comando na pasta ".kde/Autostart" (dentro do seu diretório home) de cada um, assim o Synergy passa a ser ativado automaticamente durante o boot.

Depois de feita a conexão, experimente passear com o mouse entre os dois desktops e abrir programas. Você pode também colar texto e até mesmo imagens de um desktop para o outro, usando o Ctrl+C, Ctrl+V, ou usando o botão do meio do mouse. Para transferir arquivos, você pode usar o SSH, ou criar um compartilhamento de rede, usando o NFS ou o Samba.

Uma das vantagens do Synergy é que ele é multiplataforma. Na página de download você encontra também uma versão Windows, que pode ser usada em conjunto com a versão Linux. Você pode controlar uma máquina Windows a partir de um desktop Linux e vice-versa.

A versão Windows apresenta inclusive uma vantagem, que é o fato de ser configurada através de uma interface gráfica, ao invés do arquivo de configuração. Uma opção de interface gráfica para a versão Linux é o Quicksynergy, que você pode baixar no: http://quicksynergy.sourceforge.net/.

O principal problema com o Quicksynergy é que, apesar de ser um programa bastante simples, ele está disponível apenas em código fonte e tem uma longa lista de dependências. Isso faz com que você acabe tendo que baixar 30 MB de compiladores e bibliotecas para instalar um programa de 500 KB.

Se estiver disposto a encarar a encrenca, use o comando abaixo para baixar tudo via apt-get (debian Sid). Note que os nomes dos pacotes podem mudar sutilmente em outras distribuições:

  # apt-get install automake gcc g++ ibglade2-dev libgtk2.0-dev libgnomeui-dev 

Com as dependências satisfeitas, você pode compilar e instalar o Quicksynergy descompactando o pacote baixado, acessando a pasta criada e rodando os comandos "./configure", "make" e "make install", este último como root, como em:

  $ tar -zxvf quicksynergy_0.1.tar.gz
  $ cd quicksynergy-0.1/ 
  $ ./configure
  $ make
  $ su <senha>
  # make install 

O Quicksynergy possui duas abas, umas para fazer a configuração no servidor e outra para se conectar a ele no cliente:

Note que a aba com a configuração do servidor permite especificar apenas os nomes dos clientes, não seus endereços IP. Para que ele funcione, você deve configurar o arquivo "/etc/hosts" (no servidor), cadastrando os endereços e nomes de cada cliente. Esse arquivo possui uma sintaxe bem simples, contendo o nome e IP de cada máquina, uma por linha, como em:

  127.0.0.1 		semprao localhost
  192.168.0.48 	kurumin
  192.168.0.21	fedora

Outra opção é usar o Kurumin-Synergy, a interface que desenvolvi para uso no Kurumin. Ele é um painel desenvolvido no Kommander, por isso pode ser executado diretamente através do "kmdr-executor", sem precisar ser compilado. Ele está incluído no Kurumin, a partir do 5.1 (Iniciar > Redes e acesso remoto > Acesso Remoto) e você pode também baixá-lo no: http://www.guiadohardware.net/kurumin/painel/kurumin-synergy.kmdr

Para executar, você precisa ter o pacote "kommander" instalado. Execute-o usando o comando:

  $ kmdr-executor kurumin-synergy.kmdr

A interface é bem similar à do Quicksynergy, com uma aba para ativar o servidor e outra para conectar os clientes. As diferenças são que ele permite especificar diretamente os endereços IP dos clientes (sem precisar editar o "/etc/hosts") e que ele oferece a opção de criar um ícone no desktop, para reativar a conexão de forma rápida depois.

Lembre-se que ele é apenas a interface, de qualquer forma, você precisa ter o pacote "synergy" instalado. Ao estabelescer a conexão, é aberta uma janela de terminal, onde você pode acompanhar as mensagens. Para fechar a conexão, pressione "Ctrl+C" no terminal.

Veja a relação completa dos artigos de Carlos E. Morimoto

Stumble Upon Digg This Del.icio.us Twitter Recomendar este artigo a um amigo Entre em contato Formato PDF
Newsfeed RSS
Formato para impressão
StumbleUpon Digg Del.icio.us Twitter Recomendar Contato PDF RSS Imprimir

Referências Adicionais

Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.

Avalie esta dica

  • Currently 3.00/5
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Avaliação: 3.0 /5 (652 votos)

Opinião dos Leitores

Valdir Ramal
16 Nov 2007, 19:15
Sem querer abusar deste exelente tutorial ;como eu sou leigo no Linux,sera que teria jeito de faze-lo no WinXp ,Desde ja grato

Nota Dez pela dica
m4rk
18 Jun 2007, 11:10
cara..era isso que precisava..eu me encontro nessa situaçao! tenho um note q uso pra fazer testes e estudar q fica do lado do "semprao" hehe e tenho que fica me virando toda hora..uma alternativa foi usar ssh..mas essa ideia tb eh mt legal..vou testar depois em casa..vlw mt util..
*Nome:
Email:
Me notifique sobre novos comentários nessa página
Oculte meu email
*Texto:
 
  Para publicar seu comentário, digite o código contido na imagem acima
 


Powered by Scriptsmill Comments Script

English for Reading and Listening
Enriqueça o seu vocabulário recebendo diariamente mensagens divertidas em inglês, com áudio em MP3.
Saiba mais

Biblioteca

Desenvolvendo Websites com PHP
Por Juliano Niederauer

O Monge e o Executivo: uma História sobre a Essência da Liderança
Por James C. Hunter

Extreme Programming
Por Vinicius Manhaes Teles

UML: Guia do Usuário
Por Grady Booch, James Rumbaugh e Ivar Jacobson

O Vendedor de Sonhos
Por Augusto Cury

Segurança de Redes em Ambientes Cooperativos
Por Emilio Tissato Nakamura e Paulo Licio de Geus

O Conhecimento em Rede
Por Carlos Nepomuceno e Marcos Cavalcanti

Utilizando UML e Padrões
Por CRAIG LARMAN

Sistema de Banco de Dados
Por Abraham Silberschatz

Hardware PC: Guia de Aprendizagem Rápida
Por Carlos E. Morimoto

Manual Completo do Linux: Guia do Administrador
Por Evi Nemeth, Trent R. Hein, Garth Snyder

Redes de Computadores e a Internet
Por James F. Kurose e Keith W. Ross

O Segredo
Por Rhonda Byrne

Os Segredos da Mente Milionária
Por T. Harv Eker

Construindo Sites com CSS e (X)HTML
Por Mauricio Samy Silva

Use a Cabeça!: JSP & Servlets
Por Brian Bashan, Kathy Sierra, Bert Bates

Expressões Regulares: Uma Abordagem Divertida
Por Aurélio Marinho Jargas

Qualidade de Software
Por Andre Koscianski Michel dos Santos Soares

Descobrindo o Linux: Entenda o Sistema Operacional GNU/Linux
Por Joao Eriberto Mota Filho

Enterprise Javabeans 3.0
Por Bill Burke, Richard Monson