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Software Livre na Saúde
Colaboração: Cláudio Machado
Data de Publicação: 07 de Fevereiro de 2003
Este artigo foi publicado originalmente em:
http://www.pernambuco.com/tecnologia/softlivre.html
==Software livre na saúde: inovação e difusão== Por Cláudio M. Machado
O uso de Software Livre em governos tem crescido rapidamente em todo o mundo. A
racionalidade por trás dessa opção é a mesma que orienta o crescimento
da adoção de Software Livre em organizações privadas: redução de custos,
independência de fornecedores e razões técnicas (estabilidade, segurança etc).
No caso brasileiro, a opção pelo Software Livre como programa oficial
para o governo foi um pioneirismo do PT, principalmente do governo do RS,
e tudo indica que o governo Lula irá dar continuidade ao projeto de adoção
e incentivo ao Software Livre.
"O governo de Luiz Inácio Lula da Silva manterá a base de programas de
informática sob licença, mas apostará fortemente no software de livre
circulação (gratuito)", afirmou o principal assessor do presidente brasileiro
para a área de tecnologia, Sérgio Rosa (novo presidente do Serpro).
"(Sobre o E-gov... ) inclui várias alternativas sejam normativas ou até
passando por uma política mais agressiva em termos de software livre e de
experiências que valorizem esse tipo de software mais aberto e mais capaz
de ser gerenciado por todo o Estado", destacou Rogério Santanna dos Santos,
novo Secretário de Logística e Tecnologia da Informação.
Evidentemente, a opção pelo Software Livre não significa que, a partir de
agora, todos os softwares proprietários vão ser retirados dos computadores
do governo. Serão necessários estudos de viabilidade e políticas de migração
para os casos em que Software Livre forem a melhor opção.
Vale destacar também que optar pelo Software Livre não significa apenas
usar Software Livre, mas também incentivar o desenvolvimento de Software
Livre. Nesse sentido, seria muito salutar a criação de uma espécie de Projeto
Software Livre Brasil com o objetivo de centralizar iniciativas globais e
auxiliarem os diversos orgãos de TI do governo em questões relacionadas como
propõe Marcelo Branco.
Quem convive com alguém da área da saúde que trabalhe ou com saúde pública
ou em algum serviço público de saúde sabe o quanto o setor está atrasado
na informatização. Isso agrava ainda mais os problemas já tão conhecidos
da saúde no Brasil. A tecnologia precisa está presente no hospital moderno,
como destaca o prof. Renato Sabbatini.
Muitos hospitais públicos utilizam o Hospub, sistema desenvolvido pelo
Datasus e distribuído gratuitamente para estes. Porém alguns usuários destacam
algumas dificuldades em relação ao acesso ao programa:
"Trata-se do mecanismo e das regras de liberação dos softwares públicos
produzidos pelo Datasus. Os sistemas do Datasus são de uso gratuito pelas
instituições públicas de saúde, no entanto a liberação para o uso não é
automática nem simples. Há uma burocracia envolvida que pode demorar meses
(às vezes muitos meses). Além disso, há uma diferença importante: o software
em si é gratuito, mas não é livre, e as vezes os custos associados às regras
de distribuição (em termos de tempo, dinheiro e esforço) terminam sendo
significativos a ponto de dificultar a disseminação dos programas."
(Esse depoimento foi enviando para a lista da Sociedade Brasileira da
Informática e Saúde - SBIS. Tentamos contactar sem sucesso o autor da mensagem
para solicitar autorização para essa citação dado que a mensagem não tinha
caráter público, por isso preferimos não citar o nome do autor da mensagem).
A mesma pessoa solicitou, em nome do hospital usuário do Hospub, acesso ao
código fonte do programa e autorização para implementar melhorias que por
sua vez também seria disponibilizadas para outros usuários que necessitassem.
Em resumo, o autor solicitou ao Datasus que o Hospub foi licenciado com uma
licença compatível com a GNU GPL.
O pedido foi negado sob alegação que isso levaria ao surgimento de versões
incompatíveis e também pelo receio da pirataria ou plágio que poderia
ocorrer. Entraves como esse não são compatíveis com as carências dos hospitais
públicos no Brasil. A utilização de software livre nos hospitais públicos é
um exemplo, mas o software livre também pode ser utilizado em outras áreas
igualmente importante da saúde pública. Vejamos alguns exemplos:
- Sistema estatístico - uma das principais ferramentas do profissional de
epidemiologia são softwares estatísticos. O principal software proprietário
utilizado, chama-se SPSS mas poucos profissionais sabem que existe um
software mantido pela Fundação do Software Livre com a mesma finalidade,
o PSPP (o bom humor de sempre!). Também existem outros softwares, que apesar
de não-livres são gratuitos como o Epiinfo e podem ser uma opção.
- Geoprocessamento - O Geolivre é um projeto da PROCERGS que se iniciou em
julho/2000 e visa prover informações básicas, confiáveis e permanentes sobre
o espaço geográfico do Estado do Rio Grande do Sul, além de disseminar a
tecnologia de Geoprocessamento nos diversos órgãos da administração direta e
indireta daquele estado. Essa experiência poderia contribuir às iniciativas
de controle de epidemias como a dengue.
- Processamento digital de imagens - Uma das contribuições mais inovadoras
da tecnologia para a saúde é o processamento digital de imagens. Ela pode
tanto reduzir custos com armazenamento e distribuição de exames dentro
de um hospital como também pode ser utilizado integrado com sistemas de
telemedicina. Nesse caso, existem padrões abertos (exemplo, DICOM) para
processamento digital de imagens.
+Telemedicina - Grande parte da infra-estrutura necessária para projetos
de telemedicina podem ser montados utilizando software livre. Num país
continental e com grandes desigualdades regionais como o Brasil, recursos
como esse são essenciais.
Esses são alguns exemplos de como o software livre livre pode ser aproveitado
para a melhoria da sáude no Brasil. Já existe inclusive inúmeros projetos
mundiais com a finalidade específica de desenvolver softwares livres para a
saúde. Um bom exemplo é o OSHCA - Open Source Health Care Alliance que há
anos organiza encontros anuais para debater soluções baseadas em software
livre para a saúde. O último aconteceu em novembro / 2002 na Universidade da
California em Los Angeles. No programa do encontro não tinha nenhum trabalho
brasileiro, quem sabe isso muda já esse ano!
Outra ótimo exemplo de esforço para disponibilizar software livres para a
saúde é o Projeto Debian-med , uma idéia integrante do projeto Debian que
pretende disponibilizar programas abertos integrados com a sua distribuição
GNU/LINUX. Existem inclusive desenvolvedores brasileiros.
O próprio Ministério da Saúde disponibilizou em 2001 um documento elaborado
pelo Departamento de Ciência e Tecnologia em Saúde (Decit), setor integrante
da Secretaria de Políticas de Saúde, onde são sugeridas mudanças na política
de C&T / S visando a ampliação e intensificação das políticas para a área. Uma
das sugestões é a criação da "Agenda Nacional de Prioridades em Pesquisa e
Desenvolvimento Tecnológico em Saúde" no âmbito do SUS.
Os princípios norteadores do desenvolvimento de uma metodologia para orientar a
elaboração da Agenda de Prioridades em Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico
em Saúde são: integração com o SUS; ampla participação e representatividade
dos atores envolvidos na formulação de políticas, principalmente gestores
e comunidade científica; garantia da sua replicabilidade e continuidade
em todas as instâncias de governo; incorporação de todas as dimensões que
cotejam os problemas de saúde; identificação da Agenda Nacional de Saúde e das
informações oriundas dos sistemas de informações em saúde como instrumentos
de orientação; e estabelecimento de uma sistemática permanente de avaliação
para redefinição de rumos e de prioridades.
Seria importante que, no tocante a Tecnologia da Informação, fosse incluído
na agenda de prioridades a diseminação do uso e o incentivo ao desenvolvimento
de software livre para ser utilizado pelas diversas instituições responsáveis
pela saúde pública no Brasil.
PS. Tomo a liberdade de dedicar esse texto à minha esposa, Aparecida, que
diariamente atende como pediatra num hospital onde às vezes falta até soro
glicosado e tem que anotar todas as informações de seus pacientes "na mão"
e que se tivesse essas informações já digitalizadas poderia fazer mais
rapidamente sua pesquisa sobre a importância do aleitamento materno.
Veja a relação completa dos artigos de Cláudio Machado
Referências Adicionais
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.
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Opinião dos Leitores
jaime
12 Out 2007, 21:53
Olá pessoal, essas dicas me ajudaram muito, obrigado! gostaria de recerber emails sobre softwere livres, como por exemplo: os nomes dos softwere que estão disponiveis e quais os ultimos lançamentos.
eu
15 Jun 2007, 20:27
oi!