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Um jegue com GPS

Por Ivan Postigo

Data de Publicação: 28 de Janeiro de 2011

Este texto é uma homenagem a uma querida amiga, nascida e criada em Itaité, Bahia, que nos recebe com tanto carinho e alegria, aqui em São Paulo.

Quando a fama e o sucesso a alcançarem e perguntarem de onde veio, sua lenda será contada assim:

Sua pequena cidade, com cerca de 14.000 habitantes, Itaité, fica na mágica Chapada Diamantina. Uma região de serras, no centro do Estado da Bahia. Um lugar esplendoroso onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas.

Águas brotam nos cumes e deslizam pelo relevo em belos regatos, despencando em borbulhantes cachoeiras e formam transparentes piscinas naturais.

Ali vivem os amigos, parentes e seus maiores amores, Mainha e Painho! Dessa forma carinhosa sempre se dirigiu aos queridos e amados genitores.

O vento, que sopra um ar quente e abafado, o som das águas, começaram a soar em seus ouvidos como uma escala melódica, arrancando, sem que se desse conta, notas afinadas de sua garganta e de sua imaginação de artista.

Todos que a encontravam ouviam seu canto belo e triste, prenúncio que logo partiria.

Os corações de Painho e Mainha, pessoas de fibra e sensíveis, como todos sertanejos, já haviam percebido. Aquela linda e alegre menina iria atrás de seu destino, distante muitos quilômetros de casa.

Painho dizia sempre a Mainha: - Como poderemos enviar nossa menina à distante São Paulo, em segurança, para que lá realize seu maior sonho que é cantar?

Como se Deus lhe enviasse uma mensagem, ouviu Sorriso, seu fiel e valente jegue. Luzes se acenderam!

Sorriso era capaz de voltar para casa, não importa onde lhe deixassem. O problema era outro: como fazê-lo chegar ao destino?

Os parentes em São Paulo acolheriam com carinho seu maior tesouro, a menina que tantas alegrias trouxera ao seu humilde, mas alegre lar. O que lhe preocupava era que não se perdesse em um trajeto tão longo.

Mainha lhe pedira para ir à cidade comprar alguns mantimentos. Enquanto caminhava pelas ruas, algumas pessoas à sua frente falavam de uma maravilha, um tal de GPS, que permitia trilhar todos os caminhos sem dificuldades.

Painho não se conteve, os interrompeu e iniciou uma conversa. Em minutos tinha a resposta. Correu à loja mais próxima, comprou o aparelho, algumas roupas para viagem e a mais bela mala que encontrou.

Sem poder esperar para dar a notícia, esqueceu os pedidos e recomendações de Mainha e voltou correndo para casa, com a solução que tanto procurara.

Quando a manhã chegou, abraçado a Mainha sentia que sua vista, já cansada, deixava lágrimas caírem ao ver Sorriso se afastar com sua menina, vestida de branco, flores brancas nos cabelos, como um anjo, deixando o lugar que nascera para colocar no céu mais estrela.

Uma estrela que cantaria e embalaria as paixões das pessoas que amam a vida e a arte.

Mainha e Painho a viram partir com os corações apertados, mas duas certezas os deixavam felizes: Estavam realizando um sonho e Sorriso, o Jegue, logo estaria de volta com seu GPS.

 

 


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