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Ruim não é trabalhar para enriquecer os outros, mas empobrecer junto.

Por Ivan Postigo

Data de Publicação: 01 de Junho de 2010

Teses sobre sucesso profissional e pessoal afirmam que se você não está trabalhando para você, está trabalhando para alguém.

Ora, se está trabalhando para outra pessoa está se dedicando ao enriquecimento desta e não do seu próprio patrimônio.

Vamos dar a essa tese um pouco de crédito, contudo alguns aspectos devem ser observados.

Não são todas as pessoas que têm perfil empreendedor e se sentem bem como empresários. Muitos têm aversão ao risco, fator inerente a quem explora qualquer segmento de negócios.

A obsolescência, neste momento, atinge todas as áreas no mundo, de produtos a conceitos.

Hoje, não demoramos muito para aceitar que a "terra é redonda" e nem enviamos para a fogueira quem tem idéias extravagantes. Ao contrário, estas têm produzido fortunas.

Basta ver as redes sociais na internet e o comércio eletrônico.

Profissionais em áreas que exigem extrema especialização podem receber rendimentos maiores do que conseguiriam em qualquer ramo de negócio que pudessem explorar. A tese do "Você S.A." é cada vez mais válida.

Uma pequena mudança de conceito de trabalho pode fazer enorme diferença na sua vida.

Quando você não "se emprega", mas "emprega o seu trabalho" sua valorização costuma ser muito maior.

Claro, isso cobra um determinado preço e mobilidade, nesse caso, pode ser fundamental.

A oportunidade pode não estar na sua cidade e mudança de residência pode ser necessária, porém se a sua área de especialização está distante é para lá que terá que levá-la. Caso queira ter sucesso.

É pouco provável que seja bem sucedido como engenheiro naval vivendo nas montanhas, a não ser que consiga desenvolver uma forma de oferecer seu trabalho.

Nasci e cresci numa agradável cidade do interior, mas a área que escolhi para estudar me levou para uma região distante.

Formado, as oportunidades me afastaram ainda mais do meu local de nascimento, me trouxeram de volta, pouco tempo depois me levava embora novamente.

Sou uma pessoa disposta a correr risco. É verdade que já perdi noites de sono.

Todas valeram à pena, me ajudaram a encontrar boas soluções, ainda que para problemas bastante sérios.

Já fui executivo, com carteira assinada, hoje tenho minha empresa.

Como executivo comprei, vendi e fechei empresas. Fechá-las é uma experiência dolorosa.

Aprendemos muito com isso, mais sobre as pessoas do que sobre técnicas, mas ninguém sai sem cicatrizes.

Como consultores, atividade a que me dedico, somos desatadores de nós. Muitos criados pela incompetência, descaso e negligência de empreendedores e gestores. Verdadeiros "Nós Górdios"!

Brasileiros, temos a cultura da gestão da dor. Assim, nos receitam fartas doses de esperança, acreditando que esse medicamento não tem contraindicação. Ledo engano!

Você faz check-up todos os anos para saber como está sua saúde?

Muitos dirão: - Para que, não sinto nada?

Pronto, quando doer você procurará um médico certo?

Certo, entendi seu raciocínio, mas você, como empresário ou gestor contratado, como avalia a dor da sua empresa?

Às vezes é muito difícil constatá-la, pois está mascarada pelo analgésico do excesso de crédito.

Vejo, com grande freqüência, empresas com o futuro cada vez mais comprometido e seus gestores afetados por um processo de letargia.

Não há sinais de reversão das perdas e indícios de melhoria da situação econômica e financeira. Assim permanecem.

O medo do risco de novos desafios também impede os gestores contratados de buscarem oportunidades e ficam a espera de um milagre.

Observe que a sua determinação em não aceitar um futuro medíocre poderia, inclusive, mudar os rumos da empresa na qual trabalha.

Frente a uma situação como essa cabe uma reflexão:

Ruim não é trabalhar para enriquecer os outros, mas empobrecer junto.

Assim como fez Alexandre "O Grande" a decisão quanto a desatar esse "nó" cabe apenas a você!i

 

 


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