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Administração temerária

Por Ivan Postigo

Data de Publicação: 05 de Dezembro de 2009

Quem de nós não esteve um dia diante de uma pessoa que detinha o poder?

De uma forma ou de outra sempre estamos diante que alguém que detém o poder.

Nossos pais, nossos professores, um chefe, um juiz, um policial, enfim há uma série de situações, onde, baseado na atividade e responsabilidade, alguém detém autoridade e poder.

Quem estudou história deve se lembrar da teoria do absolutismo.

Absolutismo é uma teoria política que defende que uma pessoa, normalmente um monarca, deve deter todo o poder.Uma teoria baseada no direito divino dos reis,do poder emanado de Deus.

Esse sistema de governo típico dos séculos XVI a XVIII deixa um rastro em algumas de nossas empresas.

Não é incomum encontrarmos e também presenciarmos situações onde chefes, proprietários de empresas a despeito do prejuízo que determinadas orientações possam causar exigem o cumprimento da ordem emanada.

As frases são as mais corriqueiras como : Eu sou o chefe, estou mandando, ou quem manda aqui sou eu, ou ainda manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Essas situações expressam na verdade "Eu sou o estado" e "O Estado sou eu".

Normalmente essas empresas detém alto turno-over, expressão muito usada para demonstrar o alto giro da contratação e demissão dos funcionários.

Podemos afirmar que em função da instabilidade funcional as empresas com esse estilo de administração estão fadadas ao fracasso?

Não necessariamente. Há pessoas que administram com forte comando, alto nível de intransigência, mas também com bom nível de assertividade, contudo essa não é a regra no mercado.

As pessoas de modo geral buscam no seu trabalho uma forma de realização, mesmo que temporária.Quando encontram ambiente propício para opinar, para desenvolver suas aptidões dedicam-se e oferecem um resultado de melhor qualidade, quando não encontram a omissão se faz presente.

A omissão é uma das formas mais nefastas e que mais prejuízos traz às empresas, uma vez que perpetua o desperdício.

A gestão de uma empresa com alto grau de desperdício pode colocá-la rapidamente em situação falimentar.

Nos dias de hoje a alta competitividade rapidamente retira do mercado as empresas que não atendem os seus requisitos, razão pela qual vemos empresas nascerem e desaparecerem e outras centenárias irem a bancarrota.

O poder usado de forma desmedida e irresponsável pode levar gestores a praticarem atos que causarão grandes danos aos resultados da empresa, impedindo sua continuidade, como investimentos sem a devida cautela, descontinuidade de produtos lucrativos e lançamento de produtos sem aceitação, parcerias danosas, troca de matérias-primas gerando prejuízos, mudanças mal feitas em produtos estratégicos, etc.

Não é incomum também encontrarmos gestores que foram exaustivamente alertados dos riscos, mas detentores do poder negligenciaram as informações que receberam.

Correr riscos faz parte dos negócios, dentro de limites que não causem danos definitivos a organização, caso contrário o ato se torna temerário.

Em situações de gestão temerária é muito comum se observar a desatenção ou negligencia à indicação de riscos, por uma pessoa mas também por grupos.

Tenho visto ao longo da carreira de consultor que profissionais experientes carregam consigo conhecimentos inestimáveis, mas muitos carregam também muita teimosia, acreditando que o sucesso se repetirá sempre com as mesmas atitudes e não se dão conta da mudança dos ventos, praticando com o poder que detém muitas vezes gestões bastante danosas a sua organização.

 

 


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