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A venda do YouTube marca uma nova etapa da Web

Por Carlos Nepomuceno

Data de Publicação: 11 de Janeiro de 2007

Muitos se perguntam, com razão, por que o Google pagou em outubro de 2006 U$ 1.65 bilhão de dólares para adquirir o YouTube, site de compartilhamento de vídeos, com mais de 15 milhões de usuários e um crescimento exponencial.

Não foi a tecnologia, já que em três meses qualquer grupo de jovens programadores faria algo talvez até melhor. Nem mesmo a mala direta, pois já se concluiu que entupir usuários com e-mails indesejáveis não se tem o retorno esperado.

O que se comprou ali, na verdade, foi a comunidade ativa, interagindo, compartilhando, para a qual o Google vai passar a colocar anúncios direcionados e tentar retorno, a longo prazo.

A idéia é repetir o mesmo modelo de vendas de links patrocinados e personalizados, que hoje já dá lucro na ferramenta de busca.

Ou seja, em torno de um filme sobre vinho, aparecerão sugestões de links para uma adega eletrônica, um livro para iniciantes ou um novo saca rolha. Para um clipe sobre jardinagem, novos adubos, aventais ou uma mangueira futurista serão discretamente ofertados.

Será a lucrativa união do meio interativo e comunitário Internet com o mercado de consumo. Ambos, com certeza vão sair melhores do que entraram.

A compra do YouTube, na verdade, demonstra uma lógica cada vez mais evidente.

As comunidades em rede ativas têm um valor enorme, pois fazem parte dos raros locais (mesmo que virtual) do mundo moderno, no qual as pessoas admitem passar o tempo cada vez mais;

E permitir assim casar o produto especializado com o nicho de interesse, conseguindo uma química cada vez mais rara: a atenção do consumidor.

O grande capital e as comunidades

A compra marca ainda a entrada do grande capital na nova fase da Internet do badalado e ainda mal interpretado conceito da Web 2.0.

Neste novo ciclo, o usuário em banda larga, na tranqüilidade de gozar da rede 24 horas pelo mesmo preço, não quer mais apenas ler; mas escrever, produzir, sozinho e em grupo.

Enfim, quer aparecer, nem que seja para poucos por muito tempo, ou para muitos num breve instante.

Enfim, Existir (com "e" maiúsculo) no planeta das bilhões de almas invisíveis.

Neste novo patamar o mercado assume intuitivamente, encabeçado pelo Google - e pagando alto - que a web não é apenas e mais um novo meio de comunicação, como achávamos, a princípio.

Mas o primeiro meio interativo do ser humano, agora em atividade interativa na escala dos milhões.

E, neste ambiente, quanto mais gente interagindo, mais Internet é. E quanto mais verdadeiramente Internet for, mais valor terá.

Por isso, os hoje 15 milhões de usuários ativos e interagindo do YouTube, somados a outros tantos milhões amanhã, valem U$ 1.65 bilhão de dólares. É o preço de mercado.

Inaugura-se assim a venda e compra de comunidades inteiras, o que vai nos levar a matemáticas financeiras complicadas de quanto vale cada uma delas, o que pode-se lucrar, os fatores de risco dos usuários não gostarem do novo dono, etc?

É quase uma nova profissão: medidor de valor de comunidades em rede. (Anote se você é matemático ou economista desempregado.)

Por fim, pergunta-se: o YouTube foi uma comunidade cara? O Google vai conseguir retorno? Isso só o tempo dirá.

Veja a realação completa dos artigos da coluna 10 Anos

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Opinião dos Leitores

SYYR
12 Jan 2007, 12:48
Eu acho que vai muito mais além, em algum momento eles irão cobrar por toda esta imagem, ninguém dá nada de graça para ninguém!!!, estamos na era da TV acabo!!!, agora temos que pagar, para ver, se é que me entendem.
Rogério Schneider
12 Jan 2007, 11:59
Deviam ter esses comentários moderados e com corretor ortográfico e lógico...

Att,
RS
Rogério Schneider
11 Jan 2007, 20:38
Talvez um dia, se o Google comprar a Coca-Cola...

:)))

Att,
Rs
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