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Padrões abertos e documentação

Por Fátima Conti

Data de Publicação: 30 de Julho de 2009

Formatos da documentação

Nas últimas décadas foi criada uma grande quantidade de formatos de arquivos incompativeis entre si.

Assim, uma pessoa que utilize uma versão antiga do Word (por exemplo, anterior ao Office 95) não consegue ler documentos do próprio Word, mas escritos em uma versão mais atual, como a do Office 2007.

Portanto, documentos escritos e armazenados com a mesma terminação doc porém usando diversas versões do Word, ou do WordPerfect, podem ser ilegíveis, não operáveis, se após algum tempo for necessário ler ou migrar estes dados.

É importante notar que interoperabilidade não é apenas uma questão técnica, é a base para o compartilhamento de informações e conhecimento, e é também o fundamento para a reorganização de processos administrativos.

Assim, os formatos de arquivos proprietários e fechados são causa de problemas.

Um exemplo trágico aconteceu após o tsunami de dezembro de 2004 que destruiu regiões costeiras e vitimou centenas de milhares de pessoas e animais na Ásia.

As várias equipes internacionais de resgate que foram auxiliar as vítimas tiveram sua ação prejudicada, pois muitos dos documentos que tinham que ser lidos e trocados eram incompatíveis. Diversos programas editores de texto e de planilhas eram usados. Especialmente editores proprietários e fechados.

Ficou muito difícil trocar arquivos

Muito tempo foi perdido para resolver esse problema tecnológico. E, quanto mais o tempo passava, muitas vidas, humanas e não humanas, eram ceifadas.

Um outro exemplo importante ocorreu quando a Microsoft introduziu com o Office 2007 novos formatos, não padronizados, como o docx para o Word, o pptx para o Powerpoint e o xlsx para o Excel, que geram arquivos menores e mais flexíveis.

Entretanto, há uma grande desvantagem: estes arquivos não podiam ser abertos em versões anteriores do próprio MS Office, ou seja, a penúltima versão do Word não lê os documentos escritos na nova versão. Outros editores como o BrOffice.Org originalmente também não liam os novos formatos.

Assim, tornou-se claro que ter arquivos em padrões fechados em instituições governamentais, que devem manter informações públicas, inclusive por longos períodos, até dezenas de anos, é um grande problema.

Situações como essas evidenciam a necessidade de manter e usar um padrão aberto de formato de documentos, que

Sobre esse assunto há mais informação em Taurion lança ebook: Adotando o ODF como Padrão Aberto de Documentos (inclui links para efetuar o download do ebook)

Formato Open Document

O openDocument 1.0 foi publicado pelo grupo OASIS (Organization for the Advancement of Structured Information Standards http://www.oasis-open.org/home/index.php], como um padrão aberto e padronizado.

ODF significa Open Document Format (Formato de documento aberto) e é um conjunto de regras para a criação de diversos tipos de arquivos.

O ODF surgiu quando a Sun Microsystemas comprou a Star Division, que fabricava a suíte Star Office, e iniciou o projeto do OpenOffice. Na época, foi criado um subcomitê na OASIS, que incluiu profissionais de software livre e de empresas privadas, para trabalhar com armazenamento de documentos, baseado na linguagem aberta XML (eXtensible Markup Language) e tem suporte em pacotes como OpenOffice / Br-Office.Org, StarOffice, KOffice e IBM WorkPlace.

Assim, qualquer empresa pode desenvolver produtos com base nesse padrão e atualmente há mais de 40 aplicativos que podem manipular o ODF.

Como o ODF é um conjunto de especificações, para cada situação é utilizada uma parte delas. Assim, se aplica a documentos de texto, gerando o formato odt, de cálculo (extensão ods) e de apresentações (terminação odp).

É norma ISO 26300 e ABNT NBR-26300.

Extensões ODF

Um documento ODF pode ter as seguintes extensões:

Vantagens do ODF

A adoção do padrão ODF é uma garantia de preservação de documentos eletrônicos sem restrição no tempo, um item muito precioso na administração pública e privada de longo prazo. É só imaginar o que pode acontecer se documentos não puderem ser lidos após algum tempo, simplesmente porque a empresa proprietária do tipo de arquivo resolveu mudar algo na criação ou na leitura de seus formatos.

Assim, daqui a 100 anos ou mais, certamente será possível abrir documentos armazenados em ODF, o que pode não ocorrer com arquivos binários e proprietários, que podem se transformar em verdadeiros hieróglifos, cujo código pode não ser acessível em alguns anos.

Paralelamente, o padrão ODF possibilita a concorrência, pois permite adquirir software de mais de um fornecedor, já que o formato não é propriedade de uma empresa.

Também possibilita que as pessoas tenham comunicabilidade e interoperabilidade na troca de documentos. Obviamente, quando se usa um padrão aberto a sociedade é o maior beneficiário já que o texto digitado poderá ser lido por vários programas.

Vários governos estão aprovando a preferência pelo uso de formatos abertos para trocar informações e textos. O ODF é o formato escolhido para documentos pela Comunidade Europeia.

Portanto, várias outras empresas e instituições estão adotando ou estudando adotar o formato ODF para escrever documentos. Ou, pelo menos, suportar em seus programas, evitando o favorecimento de qualquer fornecedor.

É importante lembrar que os formatos de empresas como a Microsoft (.doc, .xls, ppt), são fechados, proprietários, e seguem unicamente os desejos e prioridades daquela empresa. E que, evidentemente, o monopólio mundial de software é contrário ao padrão aberto. Assim, essas empresas tentam impedir que os governos, instituições e quaisquer pessoas ou empresas adotem o padrão ODF.

Última atualização: 29 jul 2009

Também publicado em http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/oo-odf1.htm e http://softwarelivre.org/fa/blog/padroes-abertos-e-documentacao.

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Opinião dos Leitores

Guedes
02 Ago 2009, 10:15
Felício Santos assinou solenemente 'aquele diploma'.
Breve vai aprender, por enquanto é muito ingênuo.
Fêla
31 Jul 2009, 15:42
Muito interessante o artigo!

Não vou discutir se laranjas são laranjas ou se Y é melhor que Y, mas acho importante pensarmos na questão do desenvolvimento de soluções livres.

O texto acima me fez pensar no assunto!

Felicio Santos
31 Jul 2009, 12:31
Falar de compatibilidade retroativa hoje em dia é muito fácil. Desenvolver em 2005 um formato de arquivo compatível para os próximos "100 anos" ainda mais fácil.

Acho incrível a capacidade de alguém criar um texto como se fosse o "maior absurdo" um aplicativo criado a mais de 14 anos não conseguir abrir um arquivo gerado hoje em dia. Se o aplicativo atual não conseguisse abrir o arquivo eu concordo que seria um problema, mas não é o caso.

E vamos comparar laranjas com laranjas. Se o problema é compatibilidade e proteção dos conteúdos gerados hoje em dia para gerações futuras, então o problema é as aplicações futuras abrirem os documentos gerados antigamente.

Concordo que é uma infelicidade para as vidas que as equipes não utilizassem um formato padrão, mas se alguém gerasse um OpenDocument e enviasse para um usuário do Word 6 ou Wordperfect, estes também não conseguiriam abri-lo ! A culpa não é da ferramenta mas de quem estava liderando-as que não disse "gerem os documentos no formato Y !".

Vamos poupar o tempo de todos e dar sugestões que realmente agregem valor às nossas profissões em vez de ficar defendendo "bandeiras" de forma radical. Já temos muitos conflitos no mundo por muitos motivos, não vamos continua alimentando outro só por um motivo que eu não consigo sequer imaginar qual seria.
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