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Todos juntos somos fortes

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 08 de Janeiro de 2010

Eu tenho a certeza que 2010 ganhou no quesito de pior ano novo de todos os tempos. Mas, tudo bem, logo é carnaval. Aliás, esse é o raciocínio universal. Não adianta um que outro dizer "Ah, eu tô preocupado!". Todos estamos, mas cadê a ação?

Passei o Natal e a Virada em Arujá, quase interior de São Paulo, com a família que ganhei de presente da minha mulher. O melhor presente que já ganhei: os Pereiras! Presenciamos inundações, soubemos de amigos que morreram em Angra, o Beto matou um cachorro que eu enterrei e não lembro mais onde. Poderia ter sido um típico fim de ano em família, e foi.

Eu prezo demais o núcleo familiar. Brigo demais com a Natália, minha filha mais velha, mas amo demais a futura médica (e a primeira!) da nossa família. O carro tá com a Aline, a filha do meio, a "prefe" do pai, como dizem as outras duas (fazer o quê, a guria é uma baita motora!). A Ana Luiza inventou o duende pentelhudo, tira músicas no piano e transcreve para o violão e acorda comigo nos finais de semana pra assistir "The Big Bang Theory". Ainda tenho minha sócia, a Joice, que é a filha que o Pierre Alexander me deu de pesente. Por último, mas em primeiro em ordem de importância, tem minha mulher, a Meire, que conheci na oitava série, com hepatite e, ainda assim, casei com ela.

Mas é tão pouco esse amor todo! Assisti a tsunamis, furacões, o diabo todo que aconteceu nos anos que passaram. Meu pensamento egoísta foi o de muita gente: "Ainda bem que não foi comigo! Ainda bem que não foi com ninguém da minha família!"

A gente toma decisões necessárias apenas quando a água bate na bunda. Nunca publiquei isso, mas meus amigos mais próximos sabem que decidi voltar para Arroio do Meio quando minha mulher foi assaltada com minha filha mais nova, na época com dois anos, na frente de casa. "Me dá a carteira ou eu furo a menininha!", disse o meliante com a faca na mão. Sequer registramos ocorrência porque a prática já havia nos mostrado que registrar ocorrência é inútil. Aliás, polícia pra quê? Só pra multar mesmo meu carro quando estaciono em meio local proibido na madrugada. Mas isto é outra história que já escrevi e não publiquei.

2010 quer nos passar uma mensagem. Ele começou mal de propósito. A gente tem que deixar de ser bundão, de achar que nada tem a ver com a gente e que a culpa é sempre dos outros. Assumo aqui, publicamente, a culpa por qualquer tsunami que venha a ocorrer e prometo que vou melhorar. Assumo a culpa por esse povo todo que não tem mais nada o que fazer a não ser fumar crack. Assumo a culpa por essa chuva toda que acabou com meu camping preferido em Marques de Souza. Assumo a culpa de não lembrar mais em quem votei pra deputado e por nunca ter mandado um email para este coitado saber o que realmente penso dele. Assumo a culpa de assistir passivamente a todas estas tragédias que estão acontecendo.

Em 2010 e além, eu quero ser o Paranga que tá fazendo uma baita diferença em São Luiz do Paraitinga. Antes que o mundo acabe!

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Opinião dos Leitores

Cesar Brod
08 Jan 2010, 20:20
Boa Jorge! Taí uma ação que incluí na minha lista para todos os anos daqui em diante. OBRIGADO!
Jorge TC
08 Jan 2010, 18:50
Registra-se BO para "piorar" as estatísticas. Se diminuírem a quantidade de BOs assume-se que a violência está diminuindo.
Até chegar ao ponto em que, se ninguém fizer o BO, oficialmente o país seria um mundo sem assaltos, estupros, ...
O que vale é o que está "documentado". Melhor fazer o seu BO e ficar com status semelhante a "pendente" ou "não resolvido" do que sequer cadastrá-lo.

Então você até pode não ser o culpado pelo povo que fuma crack, mas com certeza estaria contribuindo para a permissividade da violência.
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