A nova rádio corredor
Por Cesar Brod
Data de Publicação: 11 de Julho de 2008
Em agosto de 2007 iniciei uma série de artigos sobre portais corporativos, onde, dentre outras coisas, escrevi o seguinte:
A exposição de uma empresa na web não se dá apenas no ambiente controlável de seu portal, mas através até dos blogs pessoais e da presença no Orkut de seus funcionários. Afinal, uma empresa é o conjunto das ações e pensamentos de seus colaboradores e, assim como a Internet acabou com as barreiras geográficas, ela também reduziu o limite entre o pessoal e o coletivo, para o bem ou para o mal. Estamos em tempos de "transparência radical"! Por isso, ao se construir a presença da empresa na Web faz muito mais sentido mostrar tudo do que tentar esconder alguma coisa - no limite, porque cada vez mais é difícil esconder qualquer coisa, mas também porque as empresas estão percebendo que seu diferencial competitivo não está em seus segredos, mas em sua capacidade de inovação e renovação.
É interessante, e muito triste, ouvir que, cada vez mais, empresas e instituições bloqueiam acessos de seus funcionários a redes sociais como o Orkut, comunicadores instantâneos como o MSN, vídeos do Youtube e mesmo sistemas de busca na web. As desculpas são as mais variadas, desde a otimização da ocupação da rede até a preocupação com a produtividade dos funcionários. Sempre imagino porque uma empresa contrata ou mantém um funcionário que não é produtivo e, se ele não é mesmo produtivo, se é o corte de seu acesso a determinados meios de comunicação pode resolver o problema de sua produtividade. Quem não quer trabalhar sempre dará um jeito de não o fazer. Já aqueles que querem trabalhar, produzir, contribuir para o futuro da empresa, o melhor é que possam ter a seu alcance qualquer coisa que incentive a sua criatividade e comunicação com o mundo.
Ainda bem que já começa a acontecer um movimento de "contra-censura", a favor do bom senso e da confiança que deve, desde sempre, ser a base da relação entre as empresas e seus colaboradores. Em seu blog WebInkNow, David Meerman Scott aponta que 25% das empresas bloqueiam, de alguma forma, o acesso de seus funcionários à internet, lembrando também do tempo em que apenas alguns "escolhidos" podiam ter acesso ao correio eletrônico. Caso você trabalhe para uma empresa deste tipo, David sugere que você recomende a eles algumas leituras, inclusive a de seu próprio livro "The New Rules of Marketing and PR: How to Use News Releases, Blogs, Podcasting, Viral Marketing and Online Media to Reach Buyers Directly". Caso sua empresa insista em bloqueios, o melhor a fazer é mudar de emprego.
A rádio corredor (também chamada rádio peão, cafezinho ou banheiro) sempre existirá. É na comunicação informal entre colegas de trabalho, pessoas com interesses similares e amigos que podem surgir idéias novas e estimulantes. Sábias as empresas que sabem valer-se desse tipo de espaço. Parabéns para a IBM, que usou sua própria estrutura de publicação web para colocar suas sugestões de melhores práticas no uso de blogs, wikis e redes sociais.
- Currently 3.27/5
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
Avaliação:
3.3 /5
(85 votos)
Opinião dos Leitores
Sr. Inath
27 Jul 2008, 23:06
O Guilherme fala como se o brasileiro em geral simplesmente não trabalha. Falar, discutir e cometar assuntos não relacionados ao trabalho não
é coisa de brasileiro, é coisa do ser humano. A pessoas precisam interagir entre si e isso vai fazer com que se sintam mais a vontade umas com as outras e que no final das contas vai ajudar na produtividade em geral.
No Brasil se discute o brasileirão, nos EUA o Super Bowl, no Canada a copa Stanley na Europa as últimas dos respectivos campeonatos locais. Filmes, Big Brother e Noticias exóticas existem em qualquer lugar do mundo, assim como videos ridículos no Youtube e idiotices no MySpace e FaceBook.
É claro que sempre tem um ou outro que abusa, nesse caso a pessoa deve tomar advertência(s) ou ser demitida, dependendo da gravidade do caso.
Rafael
19 Jul 2008, 17:57
Então... particularmente sou a favor de deixar aberto e instruir para a boa prática.
Na autarquia onde trabalho há apenas uma verdade: 80% dos funcionários gosta de ganhar o salário, mas não gosta de trabalhar e, portanto, mesmo que o Orkut esteja bloqueado, os 80% ociosos sempre acham uma "atividade muito importante" em outro setor e se divertem vendo as fotos digitais baixadas pelas portas USB's do último churrasco secreto da panelinha dos bebun's.
Logo, bloquear o Orkut, as portas USB's, os CD-ROM's... :D Não adianta... principalmente no mundo do "Janelas" (abertas)!
Fabio Lima
17 Jul 2008, 00:35
Guilherme,
Permita-me discordar.
também sou empresário, e gostaria de propor uma visão diferente sobre a questão.
O que é importante para a empresa? Que o funcionário esteja trabalhando 100% do tempo em que está disponível na empresa, ou que ele seja capaz de fazer tudo o que a empresa precisa que ele faça?
O ponto em que não concordo é que não importa o que o funcionário faça no tempo em seu tempo vago (estando ou não em horário de espediente), mas sim o se o mesmo dá conta do trabalho que lhe é atribuído. Deixemos a internet livre para os funcionário, eles serão (ou deveriam ser) devidamente analisados conforme a sua produtividade para a empresa.
Não interessa o nível de ganho ou o tempo perdido na internet (até porque, parte desse tempo pode está gerando ganhos indiretos à empresa), mas sim, se o funcionário se paga no final das contas. Acredito eu que esse seja o sentido procurado pelo Cesar em seu artigo.
Raciocínio, por sinal, que eu como empresário concordo e assino em baixo.
Vale ressaltar porém, que cada empresa tem sua própria cultura, e portanto, pode haver casos em que não haja possibilidade de se utilizar esse tipo de política.
[]'s
Fábio Lima
Fortaleza - CE - Brasil
Alvaro
16 Jul 2008, 11:10
Trabalho com TI numa empresa de porte nacional e tenho uma Lan House, por isso me prontifico a falar sobre o ponto de vista gerencial e tecnológico:
Acredito que o meio termo é geralmente uma boa saída: para quem tem micro na mesa, orkut e youtube de forma alguma, msn e skype (são ferramentas profissionalmente sensacionais)moderadamente sem troca de arquivos e sites sem conteúdo pornográfico totalmente liberados.
Mas como sempre existe a turma do contra, uma máquina de acesso coletivo com tudo liberado, de forma que o pessoal se organize e use com sabedoria... viva a democracia!
Abraços!
Álvaro.
Neilor
16 Jul 2008, 10:24
Não concordo com autor David de taxar as empresas que se utilizam desta forma para assegurar produtividade e foco nas atividades do dia-a-dia. É preciso analisar cada cenário, cada situação, a banalização dos usuário para acessar assuntos extras profissionais é muito grande. Dentro de cada empresa cfe. sua realidade vejo que é preciso sim, ter algumas políticas de TI para zelar pelas informações da organização e o bom rendimento dos trabalhos. É preciso lembrar que as grandes invenções do mundo foram criadas quando não havia internet...então ela não pode ser responsabilizada como a única provedora, estimuladora de idéias na cabeça dos profissionais. A questão é cultural, para isso precisamos ir nos doutrinando cfe. cada realidade.
Heitor Souza
16 Jul 2008, 10:05
Não existe confiança, quando muquiranas ficam até 4 hora dia, vendo sacanagem e pendurados em redes sociais. O que pode levar ao empresário questionar a necessidade do colaborador. Afinal um colaborador, que cumpra seu horário contratado pode perfeitamente substituir dois muquiranas.
Juliano Morona
15 Jul 2008, 17:35
É um tema dificíl de ponderação, pois cada empresa tem uma condição diferenciada, mas com certeza é inadequado afirmar que uma política de acesso a internet baseada em restrições em qualquer condição é um erro. Para uma empresa de tecnologia certamente não.
Concordo plenamente com a posição do Guilherme que o bom senso é que deve prevalecer. Os extremos sâo sempre errados.
Guilherme
15 Jul 2008, 15:58
Este ponto de vista infelizmente não reflete a realidade do brasileiro. Basta ser empresário para você descobrir quanto tempo seu funcionário passa discutindo assuntos que não estão vinculados ao negócio.
Na segunda-feira, discute-se a rodada do Brasileirão (Séries A e B)...
Na terça-feira, o filme que passou na Globo.
Na quarta-feira, a rodada do Brasileirão, Liberatadores...
Na quinta-feira, sobre os resultados do futebol, transferência de jogadores para a Europa, e agitos para o fim de semana
Na sexta-feira é o dia nacional da preguiça, ritmo de festa...
Inclua nesta lista os acessos aos vídeos do Youtube, os infinitos scraps do Orkut e tudo mais de fútil.
Infelizmente esta cultura está em nosso povo e reflete-se em nossos profissionais. Uma saída que tive foi permitir o acesso irrestrito durante alguns períodos do dia para tirar a sensação que "estamos sendo bloqueados".
Para terminar, parem e reflitam sobre casos de funcionários que passaram informações confidenciais para a concorrência de dentro da própria empresa...
Acho que deve haver um certo BOM SENSO ao análisar o mérito da questão, pois no artigo acima a impressão é de que bloquear é um crime contra a criatividade, e nem sempre isto é verdade.
Rafael O_TAL
15 Jul 2008, 13:59
Essa visão funciona, mas depende da empresa e varia muito com o nível de instrução, leia-se educação, dos funcionários. Tem lugar que a solução é bloquear mesmo, senão não tem jeito; e podemos trocar todos os funcionários que vai continuar da mesma forma e o bloqueio será inevitável.
Alôncio
15 Jul 2008, 11:08
Cesar, infelizmente não pude acessar os links sugeridos no teu artigo, estão bloqueados aqui na firrrma. Alíás, peão não precisa informação nem entretenimento, ainda mais numa firrrma que vende informação e entretenimento.
Opa, melhor eu ficar quieto antes que bloqueiem o Dicas-l também.
Abra$$$etas.
Sobre o autor
O consultor de tecnologia Cesar Brod publica em seu "Diário de Bordo" do
portal www.brod.com.br uma série de artigos que,
como ele diz são "registros de participações em eventos, textos, coisas sérias
e não tão sérias". Os artigos expressam especialmente sua visão bastante
atual do mercado de informática, o papel do software livre e seu modelo de
negócio e mesmo o posicionamento recente de grandes empresas como a Microsoft.
Para se manter atualizado sobre as novidades desta coluna, consulte sempre o newsfeed RSS
Para saber mais sobre RSS, leia o artigo O Padrão RSS - A luz no fim do túnel.

Recomendar este artigo