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Modernas velharias

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 22 de Janeiro de 2008

Nós, os nerds, não somos lá muito certos da cabeça. Por alguma razão, uma parte do nosso cérebro dedica-se à reciclagem de tecnologias passadas. É um pouco diferente do que acontece em casos naturais de saudosismo, que fazem com que os anos 80 resistam, bravamente, até hoje, com o Paulo Ricardo do RPM cantando o tema de abertura do Big Brother Brasil. Até no saudosismo os nerds são diferentes: não basta baixar a coleção completa do B-52s. É necessário ter os álbuns em vinil e gastar uma pequena fortuna para comprar a agulha daquela pickup Sony tangencial para poder ouvi-los. O pior é, depois de comprar a agulha, constatar que a correia de avanço do braço também estragou e não há quem venda essa porcaria!

Além do meu toca-discos e minha coleção de vinil, ainda tenho um MSX (comprado recentemente do Felipe Leme), meu videojogo preferido é o Galaga (que roda muito bem no OpenMSX) e mantenho no portal da Brod Tecnologia um espaço para os que curtem rádios de galena. Meu comportamento só não me preocupa mais porque sei que não estou sozinho!

A revista Wired de novembro de 2007, que o correio acaba de me entregar (coisas da vida no interior) , traz um artigo bem legal sobre a volta dos filmes em terceira dimensão. Até imagino, para um futuro próximo, um espaço nos notebooks onde possamos guardar nossos óculos especiais para assistirmos vídeos em 3D no Youtube. O que achei mais legal, entretanto, foi a reciclagem do zootropo, um brinquedo criado em 1834 por William George Horner. Aqueles que regulam de idade comigo devem ter construído seu zootropo nos tempos de escola. O zootropo é uma espécie de carrossel de imagens, vistas uma a uma por uma pequena fenda. Ao girar o carrosel, a seqüência de imagens dão a ilusão de uma única figura animada. O zootropo foi o precursor do cinema e do gif animado.

O pessoal da Gentle Giant Studios, responsável por boa parte dos efeitos tridimensionais do filme Beowulf, em parceria com a Mova, foi quem criou o zootropo tridimensional. Os movimentos faciais de uma modelo foram capturados quadro a quadro, reproduzidos com uma impressora 3-D e montados em um carrossel iluminado por uma luz estroboscópica. Sem dúvida, existem muitas outras técnicas, bem menos trabalhosas, para criar uma animação tridimensional. O bacana, porém, é justamente este tributo que a Gentle Giant presta a uma tecnologia precursora do cinema que conhecemos hoje, não deixando engavetada a sua história.

Estou pensando em usar meu toca-discos Sony tangencial estragado para montar um zootropo dessa nova geração. Ainda não tenho uma impressora tridimensional, mas eu acho que com durepoxi e paciência eu consigo!

Abraços ao pessoal do MSX Resource Center, ao professor Luiz Ferraz Netto e ao Jose Carlos Valle.

Veja a relação completa dos artigos de Cesar Brod

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Opinião dos Leitores

marcos bispo
31 Jan 2008, 21:17
realmente é uma pena o que está acontecendo com o mundo: cada vez tudo tem menos valor e não falo de grana não é apego mesmo!
ninguem se apega mais em nada e tudo é realmente rapidamente descaratado!
mas por outro lado é justamente isso mesmo que me dá mais prazer: quando a moçada aqui da vizinhança colocou o som deles muito alto(e normalmente um som magro e quase desprovido de brilho de seus mp3 baixados da net super compactados)ai eu liguei meu National Panasonic Sg-3060 com um vinil do doors no volume 8, (um som gordo incorpado com graves de dar inveja até na sena tecno heheh)não precisa dizer que eles mesmo ficaram curtindo o lado "a" do "the doors" de 67 até o fim!!
eu tenho 27 anos e esse aparelho foi presente do meu irmão quando eu tinha 10!!abraço pra ele heheh!!!
Cesar Brod
25 Jan 2008, 23:27
Meu paipai! Pra quem não acredita, é ele mesmo que comentou aqui! Eu AMO esse homem!!!
Anselmo Brod
25 Jan 2008, 10:30
Modernas velharias - que maravilha. Os comentários, cada qual melhor. "Te amo muito, muito, muito..." como dizem tuas filhas (minhas netas). Te amo cada vez mais quando leio artigos como esse. Poderias ter citado, como curiosidade, aquele aparelinho que montaste quando estavas cursando eletrônica no Lavoisier que permitia interferir no rádio daquele frequentador "chato" do bar do vizinho que ligava a todo volume com músicas muito mais "chatas" do que ele. Trocavas lá de casa as emissoras e até desligavas o rádio. Ou, ainda, deixavas tua irmã super irritada quando fazias a mesma coisa com o radinho que levava para o banheiro enquanto se banhava. Provavelmente ilegal, mas divertido. Beijos!
Ronald Pinto
23 Jan 2008, 09:40
Boas lembranças e fundamentais para construirmos a memória de um período histórico em que a tecnologia avança em progressão geométrica. Tudo se resolvia com PEEKS E POKES
Hugo Romberg
22 Jan 2008, 21:28
São prazeres que a atual geração foi privada... Curtir um TK 90-X, um MSX sem disco rígido, programas gravados em fita K7 ou disquetes de 5 ¹/4...
Ainda tenho e guardo com carinho deste período apenas um rádio Panasonic, legitimo do Japão, tecnologia que resiste sem reparos a mais de 30 anos, sem uma visita a assitência técnica...
Hoje vemos o refluxo da moda, no vestir, nas músicas, nos cabelos... mas nesse aspecto não poderá haver...só estes especimes raros que guardamos e ..boas lembranças.
Bayard Cardoso Gutterres
22 Jan 2008, 19:39
Meu caro

Não estás de forma alguma isolado nessa tua, digamos, egocentricidade. Eu, em meus devaneios me percebo catando os meus velhos alfarrapios, na procura dos meus esqueminhas de rádio galena, bobina de papel heliográfico para fazer periscópico, para ver as meninas peladas no baheiro da escola e etc.
Nós temos o que contar para os pequenos que estão por aí.

Abraço
Fábio
22 Jan 2008, 18:09
Que alívio saber que eu eu não estou sozinho. Até pouquissimo tempo atrás eu existava em jogar fora um monitor de fofósro verde que fazia os olhos arderem em minutos de uso. Ainda guardo uns H.Ds bem velhos que acho que não funcionam mais... Quem sabe algum louco não resolve pagar uma fortuna por eles ;)
Cássio Vidigal
22 Jan 2008, 17:21
Ae, até o durepoxi você foi buscar no fundo do baú.
Pelo que li, você é um pouco mais "experiente" que eu. Comecei, em eletrônica e informática com o rot-bit e com o telejogo.
Comento com meus alunos sobre isso e eles não acreditam e mais, chegam a achar estranho quando eu comento que "quando não existia internet... " aí eles me cortam e dizem: "internet não existia? Você é mesmo velho em professor!".

Tenho 29 anos.
Marcos V. Pegorin
22 Jan 2008, 17:12
Cara, sou teu fã. Volta e meia desengaveto minhas "nova eletronica", "saber eletronica" e etc, e tenho ideias dessas...... Meu MSX ainda está guardado no sótao da véia, aguardando tempo na minha agenda. E o meu pickup aguarda peças..........
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