Assine a Lista Dicas-L
Receba diariamente por email as dicas
de informática publicadas neste site
Para se descadastrar, clique aqui.
Software livre não nasce em árvores - Do colonialismo ao extrativismo digital
Colaboração: Jomar Silva
Data de Publicação: 06 de junho de 2011
Sei que muita gente que conheço e admiro vai ficar irritada com este artigo, mas acredito que já atingimos um nível de maturidade suficiente na comunidade de software livre brasileira para que possamos encarar de frente nossos próprios fantasmas. Sei também que o artigo é longo, mas acho que vale a pena a leitura. Cedo ou tarde vamos precisar fazer a reflexão aqui proposta.
Optei por escrever este artigo junto com um grupo de amigos experientes dentro da comunidade para evitar que ele seja classificado como sendo a opinião de uma única pessoa. Todos os amigos convidados já estão há bastante tempo na comunidade de software livre e todos eles já sentiram na pele os efeitos dos problemas aqui relatados. Optei por não listar seus nomes neste artigo, para que eles mesmo possam fazê-lo nos comentários.
Depois de tantos anos militando e trabalhando com software livre, fico impressionado em ver como as pessoas comumente usam o termo "a comunidade" como se ela fosse uma empresa ou coisa parecida. Muitas vezes vejo as pessoas falando da comunidade como se não fossem parte dela, como se não tivessem nenhuma obrigação em relação à manutenção dos projetos desenvolvidos de forma comunitária. Muita gente entende que ser usuário de redes sociais organizadas em torno de projetos de software livre seja o mesmo que ser membro de fato da comunidade do projeto em questão, além de acreditar piamente que todos naquela comunidade estão mesmo interessados em trollagens e críticas despropositadas.
Fazendo uma breve revisão do que aconteceu nos últimos anos na área de tecnologia no Brasil, vemos que nossa indústria de informática foi praticamente destruída no início dos anos 90, e passamos quase duas décadas sendo meros consumidores de tecnologia da informação, do hardware ao software. É a isso que chamo de colonialismo digital, pois tal como na época do Brasil colônia, acabamos consumindo tudo aquilo que os colonizadores nos empurravam. Vale lembrar aqui, que durante o início do século XIX, o Brasil chegou a "importar" um navio de patins para patinação no gelo da Inglaterra, uma vez que estes produtos estavam entupindo os estoques ingleses e precisavam ser desovados em algum lugar. Os historiadores contam que nesta época, as lâminas dos patins acabaram sendo utilizadas como facas e facões e assim fomos levando a vida: dando o jeitinho brasileiro para cumprir com nosso papel de colônia.
Durante quase vinte anos, fizemos a mesma coisa com produtos de tecnologia da informação e me lembro de ter presenciado algumas aberrações nesta época. De computadores que não suportavam o calor tropical brasileiro a softwares que invertiam completamente nossa lógica organizacional, vivemos décadas "dando um jeitinho" para as coisas funcionarem e não foram raros os casos em que tivemos que nos re-organizar para que pudéssemos utilizar as tecnologias "ofertadas". Quem aí nunca encontrou um banco de dados armazenado dentro de uma planilha com milhares de linhas ou não viu uma reengenharia quase irracional acontecer na marra por conta do ERP da moda que atire a primeira pedra.
Tamanha foi nossa aceitação do papel de colonizados, que no final da década de 90 não era raro encontrar universidades que ao invés de lecionar "Sistemas Operacionais", lecionavam "Windows NT", ou trocavam "Banco de Dados Relacionais" por "Oracle" ou "DB2" e por aí seguia a carruagem. Fui aluno em uma dessas (que aliás é uma universidade de renome e destaque em São Paulo). Me lembro que fui voto vencido quando fui debater este assunto com a coordenação do curso, pois para eles importava ensinar "o que o mercado cobrava". Pior do que ser voto vencido entre os coordenadores e mestres do curso, foi ter sido voto vencido entre meus colegas de turma, pois a imensa maioria deles estava tão acostumada com o fato de ter tudo mastigado nas mãos, que não se importava em não dominar de fato a tecnologia ou entender o que acontecia debaixo do capô. Estavam mais preocupados em "colocar no curriculum" o que aprenderam na faculdade. Amém !
Foi assim que formamos no Brasil centenas de milhares de profissionais de TI que não passavam de usuários avançados de ferramentas de software desenvolvidas fora do Brasil. Hoje, uma parte considerável destes profissionais são gestores de TI em diversas empresas públicas e privadas, e isso explica o principal motivo da resistência que encontramos no nosso dia a dia ao Software Livre dentro das organizações: a zona de conforto é grande e a inércia gerada por ela é muito difícil de ser quebrada.
É evidente que este modelo interessa às grandes empresas multinacionais de software, e confesso que hoje chego a achar graça das explicações dadas a eles sobre "o modelo". Sempre que questionadas publicamente sobre este tema, vemos as empresas se defendendo com o argumento de que geram milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil, e que fazem "transferência de tecnologia" à indústria local, principalmente através de seus parceiros e de projetos junto à universidades.
O que vemos na prática é que a imensa maioria dos empregos diretos criados por estas empresas estão focados na área comercial e nas metas de curto prazo, e que os empregos "técnicos" costumam se concentrar em seus parceiros e solution providers, que evidentemente não têm acesso às informações detalhadas, e muito menos ao código fonte, dos produtos que "suportam" no mercado. A segurança e confiança por obscuridade é o que impera nesta seara.
Quando olhamos o trabalho feito por elas junto às universidades, vemos novamente que o foco é sim formar cada vez mais usuários avançados de seus produtos, e conseguir com isso firmar a dependência tecnológica desde na base da cadeia alimentar na indústria de TI. É muito fácil comprovar isso quando vemos "versões educacionais" dos softwares comercializados por estas empresas serem distribuídos com água dentro das universidades. Encerrou o curso e tem um software completo desenvolvido: ótimo" vamos lhe enviar a fatura em 3, 2, 1"
É importante lembrar que este modus operandi não é exclusividade de uma única empresa, mas é de fato a prática de mercado de todas as multinacionais de TI (das mais fechadas e perseguidas por todos até a "mais aberta" e idolatrada pela maioria).
Foi num cenário de total colonização tecnológica como o ilustrado acima que o Software Livre cresceu no Brasil, principalmente durante os últimos 10 anos. Eu atribuo este crescimento à vontade gigantesca de conhecer tecnologia de verdade que alguns profissionais de TI no Brasil tinham, mas conforme o movimento foi crescendo, tenho a impressão de que estes profissionais cada vez mais são raros de se encontrar e o que vemos de fato hoje, é a busca pela substituição pura e simples de um software proprietário por um equivalente livre (e não quero entrar aqui na discussão filosófica por trás disso).
Considero que seja fundamental termos no Brasil uma comunidade tão militante e ativa na publicidade e no suporte às soluções de software livre, mas infelizmente isso não é suficiente, pois deixamos de ser colonizados digitais e somos hoje extrativistas digitais.
Não exagero em dizer que hoje o Brasil tem em números absolutos a maior comunidade de usuários de Software Livre do mundo, e olha que a TI ainda não chegou a tantos lares assim no Brasil, portanto temos ainda muito a crescer. O que me deixa muito chateado é constatar que ao mesmo tempo, temos uma comunidade de desenvolvedores de software livre quase inexistente (eu mesmo conto nos dedos das mãos os desenvolvedores de "código fonte" em projetos de software livre que conheço). A dita "comunidade" é a primeira a se manifestar e apontar defeitos nos muitos projetos que "participam", mas na hora de enviar contribuições realmente significativas quase ninguém aparece.
É por isso que afirmo que vivemos hoje o extrativismo digital: encontramos uma fonte aparentemente inesgotável de recursos e estamos usando e abusando dela, sem nos preocupar com a sua manutenção. Isso pode até nos dar uma sensação de liberdade e controle do próprio nariz bem confortável, mas não nos levará a lugar algum e pior do que isso, quando a fonte se esgotar (e sim, ela pode se esgotar um dia), voltaremos à nossa vidinha de colonizados, e seremos novamente saudosistas de uma "era de ouro", tal como nossos amigos mais velhos hoje se lembram da reserva de mercado.
O que quero com este artigo é forçar uma reflexão dentro da nossa comunidade, pois é evidente que software livre não nasce em árvores, e existem pessoas trabalhando muito escrevendo código fonte por trás dos softwares livres que utilizamos no dia a dia.
Devo reconhecer porém, que somos muito ágeis e experientes em traduzir estes softwares para nosso idioma, mas todos devem concordar comigo que isso é o mínimo do mínimo que podemos fazer. Lembre-se de que teremos alcançado o sucesso pleno quando a tradução for problema dos outros !
Não consigo me contentar com isso e por isso peço a todos que façam uma séria reflexão: Quando foi a última vez que você contribuiu de verdade com um projeto de Software Livre ?
Rodando o mundo palestrando em eventos de software livre, esta é a diferença primordial que vejo entre outros países e o Brasil. Na maioria dos países, a meritocracia funciona de verdade e o reconhecimento vem na base de muito, mas muito código fonte contribuído para os projetos. Como já contei a diversos amigos, em muitos países fora do Brasil, para que você possa "tomar uma cerveja" com os líderes dos projetos de software livre, você provavelmente já trabalhou bastante construindo e depurando código com eles.
Acho que é parte da cultura latina ser expansivo, mas não podemos deixar que nossa ânsia por fazer amigos acabe os deixando desviar tanto assim do nosso objetivo comum: Desenvolver de fato softwares livres que supram as necessidades de nosso mercado, que nos permitam dominar a tecnologia e que paguem nossas contas no final do mês.
Quando analisamos a cadeia de valor na indústria de software livre no Brasil hoje, vemos que diversos nós da cadeia são remunerados, mas que ainda não encontramos uma forma concreta de remunerar de verdade o principal nó: O desenvolvedor.
É muito fácil cair no discurso de que "quem implementa, treina e suporta também desenvolve", mas na prática vemos o oposto disso.
O que me consola é que este problema não é exclusividade nossa, e nos últimos meses tenho visto diversos projetos de software livre desenvolvidos internacionalmente passar por sérias dificuldades por conta do mesmo problema.
Voltando ao Brasil, conheço ao menos um software livre desenvolvido aqui no Brasil e que é utilizado no país todo, além de ser suportado por centenas de empresas, mas que tem como desenvolvedores ativos apenas duas pessoas, sendo que uma delas (e talvez o desenvolvedor chave), não seja de forma alguma remunerado. Não vou dizer o nome do software aqui para não ser deselegante com as pessoas envolvidas em seu ecossistema, mas garanto que pela descrição acima você já deve ter identificado alguns softwares como potenciais candidatos.
Em uma recente discussão que tive com um dos pioneiros do Open Source mundial, ele me dizia que o modelo de subscrição nunca foi de fato compreendido pelo mercado, e concordo com ele que este modelo é o mínimo que podemos ter para garantir a manutenção dos projetos e de seus desenvolvedores. É mesmo uma pena ver que muita gente afirmar sem vergonha alguma que "subscrição é licença disfarçada", e aqui incluo inúmeros colegas do movimento do software livre. Sinto lhes informar que não, não é, mas concordo que é muito fácil pensar assim quando seu contracheque chega no final de todo mês.
Indo mais a fundo no problema, fico extremamente chateado em ver a falta de consciência de inúmeros gestores de empresas públicas e privadas que economizam centenas de milhões de reais por ano em licenças de software, mas que não investem sequer um centavo no desenvolvimento e manutenção de projetos de software livre que utilizam no seu dia a dia.
Um exemplo gritante do que afirmo acima é o Libre Office (antigo OpenOffice ou BrOffice no Brasil), que possui atualmente centenas de milhares de cópias sendo utilizadas no país todo, economizando rios de dinheiro, e que têm no Brasil uma comunidade de "desenvolvedores de verdade" quase irrisória. O que me deixa muito mais chateado com isso, é que estes poucos heróis nacionais quase sempre levam uma vida de privações em prol da coletividade e tudo o que recebem de volta são tapinhas nas costas e nos últimos tempos ainda tem que aceitar calados, críticas injustas vindas de todas as partes. Não vou nem comentar aqui sobre a vida que levam os que decidem trabalhar com o desenvolvimento de padrões, mas posso afirmar que invejamos a vida dos desenvolvedores de software livre no Brasil.
Não quero que este seja um artigo de lamentações, e por isso eu gostaria de deixar algumas sugestões para que possamos de fato aproveitar esta oportunidade que temos nas mãos e mudar de uma vez por toda a história da TI no nosso Brasil. Muitas das sugestões vão parecer óbvias e genéricas, mas acredite, nunca foram de fato implementadas:
Empresas que utilizam softwares livres deveriam ter desenvolvedores trabalhando no desenvolvimento destas soluções ou se não puderem ter estes desenvolvedores, que exijam que as empresas que lhes prestam serviços de suporte e treinamento em software livre tenham desenvolvedores ativos nos projetos, e que comprovem suas contribuições periodicamente. Esta prestação de contas aliás deveria ser pública.
Universidades poderiam deixar de usar exemplos genéricos e trabalhos "inventados pelos professores" nas disciplinas de desenvolvimento de software e ter como meta a cada semestre otimizar um trecho de código fonte existente ou implementar uma melhoria ou nova funcionalidade em um software livre existente. O mesmo vale para outras disciplinas como marketing e design. Uma simples mudança da atitude como esta daria aos envolvidos uma experiência prática no mundo real com projetos concretos, ao mesmo tempo que lhes permitiria alcançar os mesmos objetivos didáticos (já imaginou onde chegaríamos com isso?).
Já temos diversas leis, decretos e instruções normativas no Brasil recomendando ou determinando a utilização de Software Livre e de Padrões Abertos em diversas esferas governamentais, mas infelizmente os órgãos de controle e fiscalização parecem desconhecê-las. Não consigo avaliar quem é o culpado por isso, mas sei que nós como sociedade temos o dever de cobrá-los, e talvez esteja aí a grande missão de todos os membros da comunidade que não podem contribuir de forma técnica com os projetos de software livre.
Muita gente não tem conhecimento técnico para escrever código fonte e contribuir com os projetos, mas lembre-se que um software livre de sucesso não vive só de código fonte e por isso mesmo sempre existe algo não relacionado a código fonte que precisa ser feito. Se envolva de verdade com a comunidade de desenvolvedores dos softwares que você usa e por favor, contribua de forma concreta com seu desenvolvimento. Ajudar de verdade é atender a necessidade do outro e não a sua própria necessidade. A diferença entre o voluntariado e o voluntarismo é gigantesca, mas muito difícil de ser compreendida.
Não acredito em contos de fadas e também não acredito que um dia uma empresa estrangeira vai decidir do dia para a noite que o Brasil é a bola da vez para concentrar aqui o seu desenvolvimento de software. Temos que conquistar isso, temos que fazê-lo do nosso jeito e temos sim potencial para reconstruir de verdade nossa indústria nacional de software e Tecnologia da Informação. O que não podemos fazer é ficar aqui sentados esperando o milagre acontecer, imaginando que estamos no caminho certo. Pequenas correções de rota podem sim nos levar a algum lugar completamente diferente e melhor do que o nosso destino atual.
Caso você ou sua empresa queira contribuir com um projeto de software livre e não saiba como, me coloco à disposição para ajudar e orientar.
Peço que reflitam sobre o seu papel na solução do problema aqui apresentado. Temos um elefante na sala e só não ver quem não quer.
Aguardo ansiosamente os comentários e espero que possamos abrir este debate tão necessário nos dias de hoje.
Publicado originalmente no Blog Trezentos
Reproduzido com permissão do autor.
Referências Adicionais
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.
Avalie esta dica
Opinião dos Leitores
28 Out 2011, 15:07
Interessante que assino a newsletter do seu site já faz alguns meses e só nesta semana que finalmente fui conseguir começar a sair do sistema "colonial". Agora de pouco estava removendo todo meu software de desenvolvimento do windows e migrando para um Linux (Xubuntu).
De qualquer forma, sei que não é isso que você quer ouvir. É bom mais usuários. Mas como desenvolvedor posso contribuir bem mais para a comunidade que isso (se é que isso é contribuir =/ ).
Durante a faculdade o que ocorreu foi bem o que você descreveu: estudamos Oracle por ficar bonito no currículo perante grandes empresas. E as empresas pequenas? Só existem grandes? E o mysql, sqlite, postgree? Enfim.
A empresa em que trabalho desenvolve sistemas web em django e usamos bastante jquery. Ou seja, devemos muito a "comunidade". No momento, estou tentando me organizar para montar um pacote python para se comunicar com a cielo e espero conseguir começar um pacote simples para o django para e-commerce logo (os que encontrei por aí são uns frankenteins de pacotes). Enfim. Estou começando a engatinhar na área, mas vejo que vou poder crescer muito aqui.
Seu texto não podia vir em melhor hora. ;D
Valeu!
Abraços!
PS: para o pessoal reclamão aí só peço uma coisa: não percam seu tempo aqui, se não gostam de software livre. Simples. Não usem.
01 Jul 2011, 12:00
A sua sugestão:
"Empresas que utilizam softwares livres deveriam ter desenvolvedores trabalhando no desenvolvimento destas soluções ou se não puderem ter estes desenvolvedores, que exijam que as empresas que lhes prestam serviços de suporte e treinamento em software livre tenham desenvolvedores ativos nos projetos, e que comprovem suas contribuições periodicamente. Esta prestação de contas aliás deveria ser pública."
...é importantíssimo para alcançar qualidade e essa estrutura deveria possuir um ambiente para criação, para teste e para produção, por mais simples for...
Wilton Araújo Câmara
Analista de Segurança da Informação
Especialista em Software Livre
21 Jun 2011, 15:51
11 Jun 2011, 18:05
Parabéns, estou sem palavras para descrever o quanto estou maravilhado com este artigo. Valeu mesmo!
09 Jun 2011, 17:34
09 Jun 2011, 15:01
Sou um cara de Informática há 16 anos, mas não optei pela área de desenvolvimento/programação, não obstante as boas aulas de Lógica que tive e os códigos desenvolvidos em Clipper, em 1995/96.
Embora não trabalhe com programação, admito que é muito valioso o que os caras fazem com os códigos, transformando-os em softwares livres.
Particularmente, uso (praticamente) apenas software livre em meu local de trabalho: Cacti, Nagios, Request Tracker, Rancid, Syslog, FreeRADIUS etc.
Admito que os problemas para instalar, configurar e fazer troubleshooting são muitos! mas não critico, porque sei que alguém gastou (e gasta) algum tempo da vida dele para dar de bandeja o resultado do seu trabalho (e isso faz evoluir toda uma sociedade). Tento reportar o máximo de erros, sugestões para os autores, visando melhorias.
Vida longa ao software livre!
Regards,
Wagner Pereira
@wpereiratecno
09 Jun 2011, 08:51
08 Jun 2011, 15:57
08 Jun 2011, 15:28
Quanto à questão de uma contribuição imposta, pode parecer pagamento.
Uma possibilidade é um arranjo com empresas usuárias de sw livres na disponibilização de membros de suas equipes na colaboração efetiva do desenvolvimento e aprimoramento do sw livre, por períodos curtos, tipo 1 dia por quinzena ou algo semelhante.
Outra coisa é a idéia das "Universidades" serem mais participativas, como na propositura do texto.
No mais, quanto mais apoiarmos que “cabeças pensantes” fiquem por aqui melhorando e difundindo a nossa tecnologia, mais o país ganhará. Vamos aprimora e remunerar nosso conhecimento.
[]s
Asciutti, CA
08 Jun 2011, 14:18
Já tinha noção deste fenômeno, só não tinha ouvido o termo "extrativismo", o qual achei muito adequado e ilustrativo.
Algumas observações:
-Eu, como uma boa parte dos profissionais de TI, uso, incentivo e tiro meu ganha-pão em cima de software livre e realmente gostaria de contribuir, mas me falta know-how.
- Onde eu consigo know-how? 99% dos professores universitários nem sabem o que é Linux, e têm raiva de quem sabe. Imaginem ensinar a desenvolver/contribuir com código fonte (desculpem, professores, mas eu posso criticar, porque também já fui professor e sei todas as mazelas da profissão).
- Sua idéia de empresas contribuírem é ótima. Mas, como outras idéias (por exemplo, contribuições para desaceleração do aquecimento global), NUNCA serão colocadas em prática (com exceção de meia dúzia de heróis) se não for um decisão de cima para baixo, ou seja com incentivos fiscais dos governos para quem adota tais práticas. Algo que dependa da atitude individual das pessoas em prol do coletivo dificilmente ganha escala sem incentivo fiscal ou multa por descumprimento.
Um abraço!
08 Jun 2011, 13:31
Fico frustrada com a comunidade acadêmica, os grandes pensadores, que dizem que deve ser tudo livre... Mas seus artigos são vendidos em Livros e não posso tirar copia (Xerox é proibida de obras completas).. os livros tem direitos autorais... As musicas (parece que são 70 anos de poder exclusivo do seu criador), se eu pegar a base de uma delas e botar a minha letra lá, serei processada por plagio / roubo / etc.. tenho que pagar!!!!
No meu tudo bem, no deles nada!!!???
É no mínimo muito estranho isso!!!
Abraços
Valerie
08 Jun 2011, 13:07
08 Jun 2011, 10:16
Eu reconheço a importância do software livre no meio acadêmico. Para quem quer aprender sobre o software, evoluir como programador ou analista, fazer pesquisas, etc. Mas se o objetivo é aumentar produtividade, pague por um produto de qualidade superior.
07 Jun 2011, 19:33
Open source só é util para 90% dos profissionais, que sao incompetentes e vivem da pesca de codigo alheio ...
07 Jun 2011, 18:33
Primeiramente gostaria de parabênizalo pelo artigo,que e muito bom e acredito que servira de forma reflexiva para muitos pessoas.
E acredito que estamos num momento que devemos rever nossas contribuições como ativista do software livre,não apenas como utilizadores mais como contribuintes nesse processo de desenvolvimento programevel e politico ideologico.
Saurê axé!!!
07 Jun 2011, 13:20
Muito bom.
07 Jun 2011, 11:26
http://www.dicas-l.com.br/freedb/freedb_20090104.php
Em breve vou disponibilizar novas versões.
Rocha
07 Jun 2011, 09:10
07 Jun 2011, 08:05
Obrigado Jomar. Aproveito para convidara todos para estarem conosco duranteo FISL12, para um debate sobre Universidades e Software Livre que vai refletir semelhantes às contidas neste texto.
Abraços.
06 Jun 2011, 17:45
Slackware Linux
Squid
Firebird
OpenVPN
Mas a idéia tá lançada!
[]'s
Rocha
06 Jun 2011, 17:01
Esse dinheiro recolhido iria para quem? A comunidade? Quem é a comunidade?
Canonical? Linus Torvalds? Quem mais? Quantas são?
Desculpem minha ignorância, mas realmente eu não sei.
Talvez devessem começar identificando TODOS aqueles que de certa forma contribuem efetivamente para o Software Livre, ou seja, aqueles que dedicam no mínimo 40 ou 50 horas por mês ao Software Livre com contribuições que realmente fazem a diferença (fazer uma cadastro, sei lá). Ou ainda, criar uma fundação sem fins lucrativos para controlar esse cadastro e dar o suporte necessário para os usuários, fazer atualizações, regulamentar as distribuições, padronizar, etc.
E por fim, após tudo estar organizado e identificado, remunerar as pessoas envolvidas no processo. Como?
Aí entra a idéia do Rocha, onde toda a empresa que recebe algum tipo de serviço relacionado ao Software Livre deverá contribuir com alguma quantia pré-estabelecida pela fundação.
A tarefa não é das mais simples, mas eu acho que se não houver algum tipo de organização (formal) essa discussão vai perdurar para o resto da vida, pois uma pessoa pensa de uma maneira, enquanto outra pensa diferente e muitas vezes acabam caminhando para lados opostos, enfraquecendo cada vez mais o Software Livre.
Um exemplo de sucesso a ser citado, é a Canonical, que se organizou e se estruturou, tornando-se uma empresa próspera com o uso de Software Livre.
06 Jun 2011, 15:34
Eu trabalho com redes, mais especificamente com servidores firewall e de bancos de dados firebird.
No meu trabalho (presto serviços), utilizo o linux slackware, o squid, o sarg entre outros para firewall e opensuse com firebird para servidor de bancos de dados.
Já faço minhas contribuições e no início deste ano, estava pensando em fazer o seguinte: Forçar cada cliente meu a contribuir também (fazer um donativo) de US$ 30 a US$ 50,00 para cada projeto, fora do meu orçamento (é claro!!!). Comecei até a bolar um texto para enviar para os clientes, mostrando que eles estão contribuindo para que os programas utilizados não parem de ser melhorados.
Dia desses tentei conversar sobre isso com um dono de empresa de desenvolvimento que usa Delphi e firebird (ganha muito dinheiro com isso) a contribuir e ele deu risada, dizendo que o firebird é free.
Agora com esse artigo vou levar adiante o meu pensamento e agir nos clientes para concretizar essa idéia.
Se cada prestador de serviços ou empresa fizer isso, os desenvolvedores terão fôlego pra continuar, afinal ficar gerando código não enche a barriga de ninguém e muitos tem família pra sustentar.
É claro que muitos desenvolvedores têm seu proprio trabalho e não vivem somente em função de projetos, mas tem alguns que sim! Outros escrevem livros e dão palestras.
Podemos fazer a nossa parte contribuindo financeiramente.
Afinal de contas, o que é R$ 50 para empresas que faturam altíssimo e tem por exemplo sua rede protegida por um linux com iptables!?
Fica aí a dica. Se alguém quiser ajudar a redigir o texto, poderemos chegar a um modelo comum de documento para apresentar aos empresários, explicando que o software depende de contribuições e que eles podem fazer pequenos donativos.
Abraços,
Rocha
06 Jun 2011, 11:50
06 Jun 2011, 11:22
Tu não entendeu nada do artigo e não sabe nada sobre capitalismo, além de ser preguiçoso. Se não quer atualizar a b* do teu código e só não atualizar a versão do compilador. Faz muitos anos que não leio um comentário tão tosco.
06 Jun 2011, 11:14
Parabéns pelo artigo!
Concordo com o autor quando fala que já possuímos maturidade suficiente para encararmos nossos próprios fantasmas.
E que fantasmas são estes?
Fazem aproximadamente 2 anos que tento usar o Linux como distribuição padrão em meu desktop, mas por algum motivo ou outro sempre existe uma coisa que "tranca" (não no sentido literal da palavra), mas alguma dificuldade pela qual tenho que correr para o Google e perder algumas horas preciosas de trabalho para tentar entender o que está ocorrendo. Sem contar os programas, muitas vezes cheios de bugs (isso que não me considero um noob, imaginem quem é).
Poderia dizer que o Software livre é lindo e maravilhoso, uma verdadeira utopia em relação ao uso do computador e seus aplicativos. Bom se fosse assim!
Nos últimos meses, me obriguei a voltar para o Windows, pois cansei de ficar no Google fazendo pesquisas sobre como instalar ou configurar um aplicativo para que funcione no Linux, pois notei que a produtividade estava baixando em função disso.
O fato é que o Software Livre não dá dinheiro (pelo menos na proporção de um software proprietário) e isto acaba no final das contas pesando muito para aqueles que são da comunidade (a não ser é claro que possuam uma outra fonte de financiamento).
Não queria me estender muito, pois acredito que há espaço para todos.
Acho que o Software Livre veio para ficar, mas é preciso estabelecer um FOCO. Não tem como sair atirando para tudo quanto é lado. É preciso definir o que o software livre faz e principalmente, "para quem" ele faz!
06 Jun 2011, 10:53
Na minha mesmo, temos dualboot de linux e windows, mas é raro ver alguém fazendo login no linux e os professores de computação raramente estimulam isso.
Os servidores são todos Debian, e quebram um galhão no funcionamento, mas os mantenedores são só isso, mantenedores.
Fico triste com isso, nem a cultura do software livre é implementada.
Todos criticam o libreoffice instalado ao invés do MS Office, mas ninguém quer destrinchar ele e ver que ele é tão bom ou melhor do que o da MS, que dirá desenvolver.
06 Jun 2011, 09:58
Quanto aos que criticam... não esqueçam que seus iPads, iPhones e a redem em que navegam, são em boa parte, software livre.
06 Jun 2011, 09:48
06 Jun 2011, 09:23
Um grande abraço!!
06 Jun 2011, 09:19
06 Jun 2011, 09:00
06 Jun 2011, 08:15
06 Jun 2011, 02:25
Há muitas versões e poucas estáveis.
Não há padronização no layout, apesar de o KDE4 ser muito bom, ainda assim, ensinar um leigo a usar linux é uma aventura.
Pegue o exemplo do Gimp, todo mundo sabe que os links de atalho são horríveis, mas ninguém muda.
Lembre-se, as empresas investem em projetos sólidos e seguros, que não precisem re-aprender, ou re-investir tempo e dinheiro. Tecnologia com suporte duradouro. E porquê não, PAGO, software livre ou não.
Tempo = dinheiro.
PS:
Dá uma revisada no português.




