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Como gravar dvd's 9 em dvd's 5 -

Colaboração: Bruno Buys

Data de Publicação: 21 de Julho de 2005

Essa dica ensina a compactar um dvd9, para gravá-lo em um dvd5 virgem (4.7GB).

A dica original foi postada no Linuxquestions.org (Referência no fim do documento). Achei que seria muito conveniente para os usuários brasileiros de linux, pois aqui no Brasil o dvd9 virgem ainda não está disponível no mercado, e, segundo o que alguns revendedores me disseram, deve demorar um pouco, pois o preço ainda é muito alto. Eu traduzi e adaptei o original, inserindo algumas observações e uma dica para instalar os pacotes na distro que eu uso, o Debian sarge. Ao fim, uma pequena discussão sobre a legalidade do processo, e sobre a possibilidade de se fazer obras artísticas com equipamentos domésticos.

Guia DVD9 para DVD5:

Eu li vários guias sobre como fazer isso no linux, e decidi que iria criar o meu próprio, mantendo-o o mais simples possível.

Este guia o ajudará a ripar um dvd (todos os títulos ou somente o filme principal) e gravá-lo em um dvd-r (4.7) que tocará em um dvd player padrão.

É quase todo na linha de comando, mas não tema: é fácil. Você pode abrir um terminal e ir colando diretamente meus comandos.

Ferramentas necessárias: DVD:Rip / dvdauthor / transcode / mjpegtools / k3b

Opcionais: kavi2svcd / QDVDAuthor / Klemkdvd

1 - Ripe os títulos para o seu hd com o DVD:Rip. Isso irá criar arquivos VOB do título escolhido no diretório alvo. Os arquivos VOBs contêm tanto o video quando o áudio do filme.

É comum obtermos entre 5 a 6 arquivos VOB do título escolhido.

2 - Concatene (junte) os arquivos com o comando cat:

     cat *.VOB > movie.vob

(Nota do tradutor: Atenção para o case: o cat não vai funcionar se você não digitar o VOB no case certo, seja maiúsculo ou minúsculo).

3 - Agora você tem 1 arquivo vob. Temos que demultiplexá-lo e extrair as streams m2v (video) e ac3 (audio). Do mesmo diretório, rode os comandos:

  tcextract -i movie.vob -t vob -x mpeg2 > movie.m2v
  tcextract -i movie.vob -a 0 -x ac3 -t vob > movie.ac3

4 - Agora devemos requantizar o filme. Nessa etapa o filme perde em tamanho, tornando-se possível gravá-lo em um disco menor.

  tcrequant -i movie.m2v -o shrinked.m2v -f 1.5

O 1.5 no fim do comando é o fator de compressão usado neste exemplo. Funciona assim: um fator de compressão de 1.0 deixa o filme do mesmo tamanho do original, e um fator de 2.0 o deixa na metade do tamanho. Um fator de 1.5 então, deve deixá-lo com 75% do tamanho do original.

Se você preferir, pode usar a seguinte fórmula para calcular o tamanho dos arquivos:

  requant_factor = (tamanho_do_video / (4700000000 - tamanho_do_audio)) * 1.04

(Nota do tradutor: É mais prudente usar como tamanho máximo do dvd virgem o valor de 4.3GB, ou seja, 4300000000).

Se você estiver incluindo mais de uma stream de áudio ou streams de legendas, essas também têm que ser subtraídas do tamanho máximo do dvd.

Todos os tamanhos são em bits.

5 - Agora temos que remultiplexar os arquivos, para um formato adequado para o DVDauthor:

  mplex -f 8 -o final.mpg shrinked.m2v video.ac3

Isso irá produzir um arquivo chamado final.mpeg.

(Nota do tradutor: 1. Esse arquivo já pode ser tocado com qualquer player linux de mpeg. Toque-o para checar se a compactação ficou boa. 2. A opção -f indica o tipo de arquivo de saída e 8 é dvd. Outras saídas possíveis são svcd e vcd. Veja man:mplex para mais detalhes).

Nota: O mplex vai detectar se um pulldown é necessário e fazê-lo.

6 - Agora você pode adicionar o mpeg ao QDVDauthor ou klemkdvd e criar o seu próprio dvd, ou então usar o dvdauthor da linha de comando, assim:

  dvddirgen -o novodvd 

(cria uma estrutura de dvd em um diretório chamado novodvd)

(Nota do tradutor: Este comando não foi necessário em meus testes. O comando seguinte cria a estrutura.)

Para popular o sistema de arquivos do dvd:

  dvdauthor -o newdvd final.mpg

Criar os arquivos IFO:

  dvdauthor -o newdvd -T

7 - Por fim, gravar os diretórios Video_TS e audio_TS no dvd virgem, usando o k3b, num novo projeto de dvd de dados.

Tutorial original por Steel_J

Notas do Tradutor

Espaço em disco: Em um dvd de filme, há, em média, entre 6 a 8GB de dados. Se você extrair estes dados para o seu hd e concatenar os vobs sem depois apagá-los, o tamanho resultante é o dobro. Depois você usará o vob final para criar o arquivo compactado, requerendo mais 75% deste tamanho, ou seja, entre 4 a 5 GB. Depois disso, a criação do dvd a ser gravado toma outros 4 a 5GB. Calculando que você não apagará o dvd ripado, por precaução, até que o processo termine com sucesso, o espaço em disco total ocupado pode ficar entre 23 a 28GB.

Sistemas de arquivos: Alguns sistemas de arquivos - fat, se não me engano - não permitem a criação de arquivos maiores do que 4GB, e não servem para uso com criação de dvd's.

Debian: A instalação das ferramentas necessárias no Debian sarge é tremendamente facilitada pela inclusão desta fonte no seu /etc/apt/sources.list (ou somente pegando os pacotes via ftp, como quiser...):

  deb ftp://ftp.nerim.net/debian-marillat/ testing main

é um repositório não oficial, com vários pacotes dirigidos a multimídia, inclusive o transcode e suas dependências.

Multimidia ao alcance das mãos:

O processo descrito pode ser usado de várias maneiras que não ferem nenhum direito autoral: Se você usa o processo acima para fazer uma cópia de backup de um filme que você comprou, isso é entendido como uso justo. Se você já pagou pelos direitos da obra e quer ter uma cópia, digamos, em casa e outra no trabalho, ou só por segurança, você não fere nenhum direito autoral.

Se você tem um dvd do seu casamento, feito por uma agência de filmagem contratada, ou do aniversário do seu filho, você agora pode criar cópias e distribuir na família. Nenhum direito autoral é violado.

Se você é artista/produtor/diretor, e fez os seus próprios dvd's, esta é uma maneira de copiá-los.

Os gravadores de dvd atualmente no mercado estão custando preços acessíveis a pequenos negócios e usuários domésticos. Eles podem representar uma certa independência em produção cultural e artística, para produtores. De certa maneira, assemelhando-se à filosofia do software livre e seus impactos mais notáveis na sociedade, trata-se de levar meios de produção até o usuário final. Dotá-lo de autonomia produtiva, sem necessidade do gasto de elevadas quantias para se equipar, e ao mesmo tempo, reduzindo a dependência de grandes empresas. As ferramentas livres para utilizar este novo hardware já estão disponíveis. Mesmo que ainda haja muito a ser feito, os softwares existentes já podem viabilizar pequenas produções e/ou vídeos artesanais em dvd.

Bruno Buys



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