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Btrfs na Prática - Instalando e Criando Seu Primeiro Sistema de Arquivos

Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida

Data de Publicação: 24 de junho de 2026

Na primeira parte desta série vimos como o Btrfs surgiu, quais problemas ele procura resolver e por que tantas distribuições Linux passaram a adotá-lo nos últimos anos. Agora chegou o momento de colocar a mão na massa e criar nosso primeiro sistema de arquivos Btrfs.

A boa notícia é que a criação de um sistema Btrfs é tão simples quanto a criação de um ext4. A diferença é que, desde o primeiro momento, você já terá acesso a recursos avançados como snapshots, compressão transparente, subvolumes e verificação de integridade.

Antes de começar, vale um alerta importante: os procedimentos apresentados neste artigo podem apagar completamente os dados existentes em uma partição ou disco. Execute os comandos apenas em dispositivos destinados a testes ou após realizar backups adequados.

Verificando o Ambiente

A maioria das distribuições Linux modernas já inclui as ferramentas necessárias para trabalhar com Btrfs. Caso seja necessário instalar os utilitários, os comandos costumam ser semelhantes aos seguintes:

No Debian, Ubuntu e derivados:

$ sudo apt install btrfs-progs

No Fedora:

$ sudo dnf install btrfs-progs

No openSUSE:

$ sudo zypper install btrfsprogs

Após a instalação, podemos verificar a versão disponível:

$ btrfs version

Esse simples comando confirma que as ferramentas de administração estão corretamente instaladas.

Identificando o Disco ou Partição

Antes de criar o sistema de arquivos, precisamos identificar qual dispositivo será utilizado.

Uma forma simples de listar os discos disponíveis é utilizar:

$ lsblk

sda      8:0    0 500G 0 disk
├─sda1   8:1    0 512M 0 part
└─sda2   8:2    0 499G 0 part

sdb      8:16   0 100G 0 disk
└─sdb1   8:17   0 100G 0 part

Neste exemplo, utilizaremos a partição /dev/sdb1.

Criando o Sistema de Arquivos

A criação propriamente dita é extremamente simples:

$ sudo mkfs.btrfs /dev/sdb1
Label: none
UUID: xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx
Node size: 16384
Sector size: 4096
Filesystem size: 100.00GiB

Nesse momento, o Btrfs já está criado e pronto para uso.

Atribuindo um Nome ao Volume

Embora opcional, é uma boa prática atribuir um rótulo ao sistema de arquivos.

Isso pode ser feito durante a criação:

$ sudo mkfs.btrfs -L Dados /dev/sdb1

Ou posteriormente:

$ sudo btrfs filesystem label /mnt Dados

O uso de rótulos (labels) facilita bastante a identificação de volumes em ambientes com múltiplos discos.

Montando o Sistema de Arquivos

Para acessar o novo volume, criamos um ponto de montagem:

$ sudo mkdir /mnt/btrfs

Em seguida:

$ sudo mount /dev/sdb1 /mnt/btrfs

Podemos confirmar a montagem:

$ df -h

Ou:

$ mount | grep btrfs

O novo sistema de arquivos já estará disponível para uso.

Explorando as Informações do Sistema

Um dos primeiros comandos que vale a pena conhecer é:

$ sudo btrfs filesystem show
Label: Dados
uuid: xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx
Total devices 1
FS bytes used 112.00KiB
devid 1 size 100.00GiB used 2.06GiB

Esse comando exibe informações detalhadas sobre o volume.

Outro comando útil:

$ sudo btrfs filesystem usage /mnt/btrfs

Ele mostra o consumo real de espaço, incluindo metadados e estruturas internas.

Configurando Montagem Permanente

Se desejarmos que o volume seja montado automaticamente durante a inicialização, podemos adicionar uma entrada ao arquivo /etc/fstab.

Primeiro obtenha o UUID:

$ blkid /dev/sdb1
UUID="xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx"

Depois adicione ao /etc/fstab:

UUID=xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx /dados btrfs defaults 0 0

Após salvar o arquivo:

$ sudo mount -a

Se nenhum erro for exibido, a configuração está correta.

Conhecendo Algumas Opções de Montagem

Uma das vantagens do Btrfs é a grande quantidade de opções disponíveis.

Por exemplo, para ativar compressão automática usando Zstd:

UUID=xxxxxxxx /dados btrfs compress=zstd 0 0

Ou temporariamente:

$ sudo mount -o compress=zstd /dev/sdb1 /mnt/btrfs

Nos próximos capítulos veremos em detalhes como essa compressão pode economizar espaço e até melhorar o desempenho.

Por Que Este É Apenas o Começo

Neste ponto já temos um sistema Btrfs totalmente funcional. No entanto, ainda estamos utilizando apenas uma pequena parte do seu potencial.

Até agora criamos um volume e o montamos da mesma forma que faríamos com um sistema ext4. Os recursos que realmente diferenciam o Btrfs ainda estão por vir.

Na próxima parte da série conheceremos um dos conceitos mais importantes de toda a arquitetura do Btrfs: os subvolumes. Eles são a base para snapshots, backups eficientes e diversas técnicas avançadas de administração que tornaram esse sistema de arquivos tão popular nos últimos anos.



Veja a relação completa dos artigos de Rubens Queiroz de Almeida